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	<title>Revista Moviola - Revista de cinema e artes &#187; Morte</title>
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	<description>Revista sobre cinema e artes</description>
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		<title>Olhos de Ressaca</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Jan 2010 12:53:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo de Almeida</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Vera e Gabriel começaram a namorar aos 15 anos. Permanecem casados, juntos, aos 80 anos. Tiveram três filhos, moraram na fazendo do pai de Vera, foram à praia, dividiram a mesma paixão pelos textos de Castro Alves e Machado de Assis.  São experiências de uma vida em comum que Petra Costa leva às telas em Olhos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><em><strong><img class="size-full wp-image-3388 aligncenter" title="Olhos de Ressaca, de Petra Costa." src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2010/01/olhosderessaca.JPG" alt="Olhos de Ressaca, de Petra Costa." width="498" height="332" /></strong></em></p>
<p>Vera e Gabriel começaram a namorar aos 15 anos. Permanecem casados, juntos, aos 80 anos. Tiveram três filhos, moraram na fazendo do pai de Vera, foram à praia, dividiram a mesma paixão pelos textos de Castro Alves e Machado de Assis. </p>
<p>São experiências de uma vida em comum que Petra Costa leva às telas em <strong>Olhos de Ressaca</strong>, documentário memorialístico e subjetivo que mistura imagens de arquivo do casal com outras do presente. A passagem do tempo é evidente, da juventude à velhice, assim como as transformações pelas quais atravessou o relacionamento: a paixão inicial cedeu espaço ao amor carinhoso, terno e companheiro.</p>
<p>Embora a morte se aproxime de ambos, o sentimento continua, através das décadas. Quando Petra Costa os filma, assegura que a relação entre Vera e Gabriel não seja esquecida, que o tstemunha de sua história a dois sempre retorne, como as ondar do mar.</p>
<p><em><strong>Olhos de Ressaca, de Petra Costa, 2009.</strong></em></p>
<p><img class="alignnone" src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/05/tracejado.jpg" alt="" width="500" height="5" /></p>
<p><a href="http://www.revistamoviola.com/13-mostra-de-cinema-de-tiradentes/">Veja a cobertura completa da 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes.</a></p>
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		<title>Vestida</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Jan 2009 14:47:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo de Almeida</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Vestida, 2008, de Juliana Rojas. Cláudio retorna à casa da família, no interior de Minas Gerais, para acompanhar o enterro da mãe. No campo, vive novamente o cotidiano da fazenda, antes de voltar à cidade grande, onde trabalha com &#8220;serviços gerais&#8221;. Juliana Rojas se estabeleceu, no cinema, através da parceria com Marco Dutra (Lençol Branco [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Vestida, 2008, de Juliana Rojas.</strong></em></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1514" title="Morte marcada no corpo e na alma." src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2009/01/vestida.jpg" alt="Vestida: Morte na alma e no corpo." width="220" height="147" /></p>
<p>Cláudio retorna à casa da família, no interior de Minas Gerais, para acompanhar o enterro da mãe. No campo, vive novamente o cotidiano da fazenda, antes de voltar à cidade grande, onde trabalha com &#8220;serviços gerais&#8221;.</p>
<p>Juliana Rojas se estabeleceu, no cinema, através da parceria com Marco Dutra (<strong><em>Lençol Branco</em></strong> e <strong><em>Um Ramo</em></strong>). No primeiro voo solo &#8211; de longe, seu melhor filme -, chama atenção a semelhança com a obra do argentino Lisandro Alonso: como em <strong><em>Los Muertos</em></strong> e em <strong><em>Liverpool</em></strong>, <strong><em>Vestida</em></strong> se atém ao registro, olhar documental que flagra os pequenos incidentes do dia-a-dia: pai e filho que conversam à mesa do jantar, Jonas que tira o leite da vaca, Cláudio que alimenta as galinhas e colhe as frutas do pomar. Juliana Rojas arrisca e acerta ao utilizar apenas integrantes da comunidade local no elenco, já que garante &#8211; sobretudo nas hesitações dos &#8220;atores&#8221; &#8211; completa veracidade ao filme.</p>
<p><strong><em>Vestida</em></strong> esquadrinha os hábitos da fazenda, detém-se sobre eles, a fim de revelar a ausência da mãe. A vida continua, mas com a ferida que a morte deixa, com a perda do ente querida, que não se apaga e que não se esquece. Jonas, o pai, chora sozinho abraçado ao vestido da esposa. Cláudio, o filho, passa os dedos sobre o próprio nome que a mãe, provavelmente, entalhou na madeira, até machucá-los.</p>
<p>Dentro do ônibus rumo à cidade grande, Cláudio traz consigo a dor e a saudade. Em <strong><em>Vestida</em></strong>, melhor curta-metragem da <strong><em>12a. Mostra de Cinema de Tiradentes</em></strong>, a morte está presente tanto na alma, quanto no corpo daqueles que ficam para trás.</p>
<p><img class="alignnone" src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/05/tracejado.jpg" alt="" width="500" height="5" /></p>
<p><a href="http://www.revistamoviola.com/12-mostra-de-cinema-de-tiradentes/">Veja a cobertura completa da 12ª Mostra de Cinema de Tiradentes</a></p>
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		<title>Depois das Nove</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Jan 2009 16:16:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo de Almeida</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Depois das Nove, 2008, de Allan Ribeiro.</em></strong></p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-1495" title="A necessidade de contato real com o mundo." src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2009/01/depoisdasnove.jpg" alt="Depois da Nove, e a necessidade de contato real com o mundo." width="504" height="336" /></p>
<p>Rafael mora em Copacabana com a avó. Falam-se pouco. Ela sempre ouve o rádio e passeia com o cachorro, ele quase não deixa o quarto, onde fica conectado à internet.</p>
<p>Em <strong><em>Depois das Nove</em></strong>, o mundo de Rafael é essencialmente virtual. Sintoma dos novos tempos, ele prefere a solidão que a tecnologia lhe proporciona ao contato com os vizinhos. Além de observar os passantes na rua, qual voyeur, apenas o despertar de algum apartamento próximo &#8211; que toca às nove em ponto, todos os dias &#8211; relaciona-o ao exterior.</p>
<p>Quando o proprietário do despertador morre (seja quem for, jamais sabemos) e a avó para no hospital, Rafael abandona o (auto-)isolamento: sai do prédio, circula com o cão pelo bairro, interage com o mundo. Que diferença para <strong><em>Osório</em></strong>, de Heloísa Passos e Tina Hardy, em que a personagem continua inerte, vazia, morta!</p>
<p>É preciso coragem para se libertar de velhos hábitos e assumir riscos, mesmo que sejam tão frugais quanto dar uma volta no quarteirão. <strong><em>Depois das Nove</em></strong> nos fala do prazer em se aventurar pelo desconhecido que está ao nosso lado.</p>
<p><a href="http://www.revistamoviola.com/12-mostra-de-cinema-de-tiradentes/">Veja a cobertura completa da 12ª Mostra de Cinema de Tiradentes</a></p>
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		<title>Mar de Dentro</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Jan 2009 00:20:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo de Almeida</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Mar de Dentro, 2008, de Paschoal Samora. Velhos pescadores de Santa Catarina relatam suas experiências no mar: amores, aventuras, emoções. Como no belo plano inicial das vagas do oceano, multiformes, as lembranças fluem para que a câmera as apreenda. Paschoal Seabra ainda crê (felizmente!) no cinema enquanto testemunha de histórias, que se voltam contra a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Mar de Dentro, 2008, de Paschoal Samora.</strong></em></p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-1407" title="Cinema como testemunha de sentimentos." src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2009/01/mardedentro.jpg" alt="Mar de Dentro: Cinema como testemunha de sentimentos." width="499" height="281" /></p>
<p>Velhos pescadores de Santa Catarina relatam suas experiências no mar: amores, aventuras, emoções. Como no belo plano inicial das vagas do oceano, multiformes, as lembranças fluem para que a câmera as apreenda. Paschoal Seabra ainda crê (felizmente!) no cinema enquanto testemunha de histórias, que se voltam contra a passagem implacável do tempo.</p>
<p>O cineasta deve ouvir e coletar todas as narrativas, e com elas tecer o filme, da mesma forma que o pescador fabrica a rede enquanto fala sobre a esposa morta aos 26 anos. Ou guardar quaisquer informações, por mais prosaicas que lhe soem, com absoluto respeito, como a personagem que forra o teto com os papéis de suas viagens de barco.</p>
<p><strong><em>Mar de Dentro</em></strong>, filme de afetos, que luta &#8211; tal qual o extraordinário último plano &#8211; para que as memórias dos pescadores e da comunidade que representam não se transformem em areia dispersa pelo vento.</p>
<p><img class="alignnone" src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/05/tracejado.jpg" alt="" width="500" height="5" /></p>
<p><a href="http://www.revistamoviola.com/12-mostra-de-cinema-de-tiradentes/">Veja a cobertura completa da 12ª Mostra de Cinema de Tiradentes</a></p>
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		<title>A Erva do Rato</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Oct 2008 12:20:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo de Almeida</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A Erva do Rato, de Júlio Bressane, 2008, Brasil.   Em 2003, Júlio Bressane lançou Filme de Amor. Cinco anos depois, chega a vez de &#8220;Filme de Sexo (e de Morte)&#8221;, embora o título oficial do longa-metragem seja A Erva do Rato. Livremente inspirado em dois contos de Machado de Assis, A Causa Secreta e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>A Erva do Rato, de Júlio Bressane, 2008, Brasil.</strong></em></p>
<p> </p>
<p>Em 2003, Júlio Bressane lançou <strong><em>Filme de Amor</em></strong>. Cinco anos depois, chega a vez de &#8220;Filme de Sexo (e de Morte)&#8221;, embora o título oficial do longa-metragem seja <strong><em>A Erva do Rato</em></strong>.</p>
<p>Livremente inspirado em dois contos de Machado de Assis, <strong><em>A Causa Secreta</em></strong> e <strong><em>Um Esqueleto</em></strong>, <strong><em>A Erva do Rato</em></strong> começa com o encontro do homem e da mulher no cemitério &#8211; primeiro indício da morte, constante na narrativa. Ele a traz para casa, onde desenvolvem não apenas estranho relacionamento afetivo (em que não há sexo, conquanto atuem como marido e mulher), como também profissional, já que, de início, ela copia extensos ditados sobre vários temas &#8211; que unem História, mitologia, botânica, geografia, Rio de Janeiro -, para depois se submeter a fotos pornográficas, que se concentram principalmente na vagina, nos seios e nas nádegas.</p>
<p>O homem exerce seu desejo sobre a mulher em dois níveis. Primeiro, através da escrita, do que ele dita e ela copia. Segundo, pelo olhar, em que a objetiva da câmera transforma o corpo feminino em modelo a ser regulado, manipulado e controlado. O desejo masculino se confunde com a posse e com o poder, de sorte que a manifestação do erotismo e dos instintos pulsionais lhe ameaça &#8211; a erva do rato aponta justamente para o veneno que corrompe a ordem patriarcal estabelecida.</p>
<p>O homem combate, de maneira obcecada, o despertar da sexualidade feminina, do prazer sensual com que o rato satisfaz a mulher. De início, o roedor devora as fotos e, depois, passeia eroticamente sob os lençóis de Alessandra Negrini &#8211; Júlio Bressane aumenta o grau do desafio ao poder masculino. Para o personagem de Selton Mello, não interessa que a mulher se torne livre e consciente do próprio sexo, mas que permaneça submissa, mero objeto que o homem esquadrinha e cataloga com o olhar. A posse se estende além da morte, ao contrário do desejo: ele continua a fotografá-la, mesmo quando lhe resta apenas o esqueleto &#8211; senhor absoluto da companheira (da pele e dos ossos, do exterior e do interior).</p>
<p>O método científico com que o homem fotografa, analisa e sistematiza a presença da mulher (a repetição das poses, por exemplo) nasce durante o século XIX, período em Machado de Assis escreveu os contos em que <strong><em>A Erva do Rato</em></strong> se baseia. Regulação do corpo em diversos meios que o confinaram, surgimento de discursos múltiplos para domar a sexualidade individual e das ciências humanas para controlar os grupos sociais, mudança do estatuto clássico da visualidade com as técnicas da fotografia, do panorama, do estereoscópio &#8211; em suma, Júlio Bressane transcria as estratégias de poder que se articularam a fim de determinar o papel do sujeito moderno (sobretudo da mulher) dentro regime capitalista de produção.</p>
<p><img class="alignnone" src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/05/tracejado.jpg" alt="" width="500" height="5" /></p>
<p><a href="http://www.revistamoviola.com/festival-do-rio-2008/">Veja a cobertura completa do Festival do Rio 2008</a></p>
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		<title>Sobre o Tempo e a Cidade</title>
		<link>http://www.revistamoviola.com/2008/09/30/sobre-o-tempo-e-a-cidade/</link>
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		<pubDate>Tue, 30 Sep 2008 13:41:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo de Almeida</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Of Time and the City, de Terence Davies, 2008, Reino Unido. Liverpool, capital européia da cultura em 2008, escolheu apenas três projetos &#8211; em meio a 156 concorrentes &#8211; para representá-la no cinema, entre os quais Sobre o Tempo e a Cidade, documentário que marca o retorno de Terence Davies após o hiato que se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Of Time and the City, de Terence Davies, 2008, Reino Unido.</em></strong></p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-1047" title="Memória cinematográfica de Terence Davies." src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/09/oftimeandthecity1.jpg" alt="" /></p>
<p>Liverpool, capital européia da cultura em 2008, escolheu apenas três projetos &#8211; em meio a 156 concorrentes &#8211; para representá-la no cinema, entre os quais <strong><em>Sobre o Tempo e a Cidade</em></strong>, documentário que marca o retorno de Terence Davies após o hiato que se inicia com <strong><em>A Essência da Paixão</em></strong> (2000). Com orçamento minguado (250 mil libras), Davies trabalha com imagens de arquivo a fim de criar eu-lírico cinematográfico que não apenas reflete acerca dos fatos que observa, como também se produz afetivamente a partir deles. A tela que se ergue no meio do palco, inconsciente fílmico do cineasta, aponta para o único espaço de representação possível em <strong><em>Sobre o Tempo e a Cidade</em></strong>, uma vez que todas as imagens se projetam e ganham sentido nos quadros emotivos que o diretor desvenda e manipula (pois a janela 1.37:1 dos enquadramentos originais se transforma em 1.85:1).</p>
<p>Embora Terence Davies blasfeme contra Deus e o catolicismo &#8211; o eu-lírico se declara ateu -, <strong><em>Sobre o Tempo e a Cidade</em></strong> se estrutura, paradoxalmente, a partir da missa latina e, de forma mais específica, do réquiem (canção para a entrada dos mortos no Paraíso). Ao se basear em imagens que datam de 1945 a 1973 &#8211; sobretudo de acontecimentos banais e corriqueiros, tais quais encontros de família, jogos de futebol, dia-a-dia do comércio, viagens de férias na praia -, o cineasta  chora pelo desaparecimento da Liverpool que conheceu na infância e na juventude, engolida pelo tempo. Assim, deve-se notar que as projeções que iniciam o filme (na tela ainda em pleno <strong><em>tableaux</em></strong> da abertura) emulam as sinfonias urbanas comuns à década de 20 do século passado, resquícios da vida moderna de que o próprio diretor não participou e que o passado já soterrara.</p>
<p>No entanto, ao inverso do culto exacerbado da memória e do temor constante do esquecimento, com os quais o filósofo Andreas Huyssen identifica o pós-modernismo (em função do descarte imediato das mercadorias para consumo), Terence Davies não faz de <strong><em>Sobre o Tempo e a Cidade</em></strong> mero produto nostálgico, visto que não apenas reconhece a própria incapacidade de acompanhar as transformações de Liverpool &#8211; o tempo congela os sentimentos, não permite que entrem em verdadeira comunhão com o Outro -, como também aspira a que a metrópole e o eu-lírico se unam outra vez, tornem-se indivisíveis, mas sob os auspícios que a chegada de novas gerações sempre acarretam. Pontuando o filme, crianças: mensageiras do evangelho, da boa nova que o cineasta divulga com <strong><em>Sobre e o Tempo e a Cidade</em></strong>.</p>
<p>Do preto e branco às cores (na belíssima elipse em que os passageiros embarcam em p&amp;b e desembarcam coloridos), da terra ao céu (diversos planos ascendentes que tomam a narrativa), do passado ao futuro, o eu-lírico sonha com o instante em que a memória não será mais empecilho para a fruição do tempo, em que a percepção pura dos sentidos colocará o homem em contato com a exterioriadade que o circunda, não com as lembranças mortas que se estendem e que ocupam todo o espaço sensível. Antes de elegia à morte, <strong><em>Sobre o Tempo e a Cidade</em></strong> realiza ode ao presente &#8211; quando encerra o filme com a reinterpretação de Gustav Mahler para o hino católico <strong><em>Veni, Creator Spiritus</em></strong> (&#8220;Vem, Espírito Criador&#8221;), Terence Davies deseja concretamente abandonar o isolamento das recordações e se abrir para as exeperiências novas e desconhecidas do real.</p>
<p><img class="alignnone" src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/05/tracejado.jpg" alt="" width="500" height="5" /></p>
<p><a href="http://www.revistamoviola.com/festival-do-rio-2008/">Veja a cobertura completa do Festival do Rio 2008</a></p>
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