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	<title>Revista Moviola - Revista de cinema e artes &#187; Mix Brasil</title>
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	<description>Revista sobre cinema e artes</description>
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		<title>Debate Cinema Queer Espanhol</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Nov 2008 20:06:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Paiva Filho</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Cinema Queer Espanhol]]></category>
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		<description><![CDATA[A grande desvantagem de ser o único representante de uma revista eletrônica como a Moviola é esta: não poder acompanhar todos os eventos, especialmente os mais importantes. Ou seja, fico devendo, para um próximo Mix Brasil, uma cobertura do evento mais disputado a tapas, pontapés e sandaliadas para entrar, o Show do Gongo. Nada podendo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A grande desvantagem de ser o único representante de uma revista eletrônica como a <a href="http://www.revistamoviola.com">Moviola</a> é esta: não poder acompanhar todos os eventos, especialmente os mais importantes. Ou seja, fico devendo, para um próximo <a href="http://www.revistamoviola.com/16-mix-brasil/">Mix Brasil</a>, uma cobertura do evento mais disputado a tapas, pontapés e sandaliadas para entrar, o <strong>Show do Gongo</strong>.</p>
<p>Nada podendo fazer a respeito disso, fui ao <strong>Instituto Cervantes</strong> ver algo mais sisudo: um debate com o produtor <strong>Pau G. Guillén</strong>, co-diretor, ao lado de <strong>Castón</strong>, do <strong>Festival Zinegoak</strong> e integrante do júri oficial do <a href="http://www.revistamoviola.com/16-mix-brasil/">16º Mix Brasil</a>, e o cineasta <strong>Nacho G. Vellila</strong>, do filme <em><strong>Fuera de Carta</strong></em>, que estava o Panorama Internacional do Mix Brasil.</p>
<p>O assunto do debate estava na pergunta feita no título: “Cinema Queer Espanhol: nicho de mercado ou uma expressão sócio-cultural?”</p>
<p>(Pai dos burros in <em>english</em>: usamos o termo gay para designar o povo LGBT não apenas pela notória influência da língua inglesa, mas por ser um termo bem afirmativo, menos erudito do que homossexual e menos ofensivo do que “bicha”, “viado” – assim mesmo, com i; cortesia da turma do falecido Pasquim – etc., etc. e tal. Isso não quer dizer que os gringos não tenham seus próprios termos homófobos para os gays. É mais ou menos o caso de queer, que, numa tradução mais ou menos tosca, quer dizer exatamente “bicha”, “viado” etc., etc. e tal.)</p>
<p>Mas voltando à vaca fria. Cinema queer espanhol: nicho de mercado ou uma expressão sócio-cultural?</p>
<p>Bom, primeiro precisamos definir de qual cinema espanhol estamos falando – se é o cinema espanhol falado em castelhano e exportado para o mundo, ou se inclui os cinema falados nas outras línguas do reino de Juan Carlos I. Por exemplo, o cinema falado no enigmático idioma do País Basco.</p>
<p>Aliás, este ano, uma das programações especiais do Mix Brasil foi de uma seleção de filmes do Zinegoak, o festival de cinema e vídeo LGBT de Bilbao, uma das mais importantes cidades do País Basco. E, por increça que parível, há uns filmes bem interessantes neste programa.</p>
<p>Por exemplo, o divertido desencontro de <em><strong>A domicílio</strong></em>, de <strong>Mariel Macia</strong> (2007). Poderia ser mais curto que os seus 26&#8242;, que resolveria melhor, mas diverte assim mesmo.</p>
<p>Ou o inteligente tabuleiro de xadrez narrativo de <em><strong>Encruzijados</strong></em>, de <strong>Roberto Menéndez</strong> (2006, 8&#8242;).</p>
<p>Ou a passagem para a idade adulta de <em><strong>En el Instituto</strong></em>, de <strong>Xavi Sala</strong> (2007, 3&#8242;). Bacana mesmo.</p>
<p>Mas voltando ao debate. Uma das histórias que Nacho e Guillen contam – e que pode elucidar algumas coisas sobre esse assunto – é a de um produtor claramente homofóbico que, de uma hora para outra, com o sucesso de alguns filmes de temática e personagens LGBT, resolveu investir para valer neste filão.</p>
<p>Ou seja, mesmo não sendo muito fácil ainda, a pergunta-tema deste debate está se tornando um círculo virtuoso de corte bem capitalista: o cinema LGBT começa como uma expressão sócio-cultural, que chama a atenção de investidores pela repercussão e pelo público-alvo e se torna um nicho de mercado, que se desenvolve e reforça mais ainda uma expressão sócio-cultural, que reforça mais ainda este nicho de mercado, e por aí vai.</p>
<p>Delirium tremens deste escriba? Não, é a opinião dele. E não é uma opinião muito delirante, se compararmos com a situação brasileira, onde as sociochanchadas atacam no cinema, os produtos da Endemol dividem espaço com a produção estrangeira na TV paga, e os pastores evangélicos dividem espaço com os dois acima citados na TV aberta&#8230;</p>
<p><img class="alignnone" src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/05/tracejado.jpg" alt="" width="500" height="5" /></p>
<p><a href="http://www.revistamoviola.com/16-mix-brasil/">Veja a cobertura completa do 16º Festival Mix Brasil</a></p>
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		<title>Suzy Brasil</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Nov 2008 19:52:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Paiva Filho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[  Suzy Brasil: A Deusa da Penha Circular, de Renata Than, 2008, Brasil, 20’ Outro programa tradicional do Mix Brasil é o Trash-O-Rama. O nome já diz tudo: são filmes completamente trash - como o americano Bíblias para Marte, de Pete Barnstrom (2006, 13’), filmes que brincam com a fronteira entre o &#8220;sério&#8221; e o [...]]]></description>
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<p><em><strong>Suzy Brasil: A Deusa da Penha Circular, de Renata Than, 2008, Brasil, 20’</strong></em></p>
<p><a href="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/11/foto-suzy-brasil-1.jpg"><img class="size-medium wp-image-1327 alignleft" title="Suzy Brasil: A Deusa da Penha Circular, de Renanta Than" src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/11/foto-suzy-brasil-1.jpg" alt="Suzy Brasil: A Deusa da Penha Circular, de Renanta Than" /></a>Outro programa tradicional do <a href="http://www.revistamoviola.com/16-mix-brasil/">Mix Brasil</a> é o <strong>Trash-O-Rama</strong>. O nome já diz tudo: são filmes completamente <em>trash </em>- como o americano <em><strong>Bíblias para Marte</strong></em>, de <strong>Pete Barnstrom</strong> (2006, 13’), filmes que brincam com a fronteira entre o &#8220;sério&#8221; e o <em>trash </em>- como o alemão <em><strong>A vagina gostosa de Edith</strong></em>, de <strong>Jörn Hartmann</strong> (2007, 11’), filmes que se levam tão a sério de mais que acabam sendo <em>trash</em>, como o terror lésbico (?) americano <em><strong>À Sombra do Crepúsculo</strong></em>, de <strong>T. M. Scorzafava</strong> (2008, 12’).</p>
<p>E, pelo visto, tem também filmes sobre personagens que são ou podem ser considerados <em>trash</em>.</p>
<p>É o caso deste <em><strong>Suzy Brasil: a Deusa da Penha Circular</strong></em>, de <strong>Renata Than</strong>. Em apenas 20 minutos, o espectador é apresentado a dois personagens fascinantes, que dividem o mesmo corpo: a travesti Suzy Brasil, &#8211; &#8220;a deusa da Penha Circular&#8221; &#8211; , e sua identidade secreta &#8211; Eduardo, professor de Biologia da rede pública de ensino.</p>
<p>Peraí&#8230; um cara que é travesti de noite e professor de dia? Este personagem não me é estranho&#8230; Alguém aí já ouviu falar em Laura de Vison?</p>
<p>(Parêntesis para alguma brincadeira, que cinéfilo também não é de ferro. No momento em que fiz esta pergunta, me lembrei de uma daquelas brincadeirinhas um tanto quanto escrotas com um quê de homófoba. É assim: faça esta pergunta ao seu interlocutor. Se ele responder que não, dizer rápido: &#8220;É claro, bicha nova nunca ia se lembrar mesmo&#8230;&#8221; Se responder que sim, diga na bucha: &#8220;Aí, hein, bicha velha!&#8230;&#8221; O único risco é o seu interlocutor não levar na esportiva e você apanhar feito um boi ladrão, mas isso já são outros quinhentos&#8230;)</p>
<p>Laura de Vison – identidade pública de Norberto Chucri David, licenciado em filosofia, psicologia e história pela Faculdade Nacional de Filosofia e professor de História e Educação Moral e Cívica da rede pública estadual &#8211; foi um dos personagens LGBT mais emblemáticos da noite carioca – mais especificamente, da noite da Lapa, testemunha ocular de sua fase decadente, entre os anos 1970 e 1980, e de seu, digamos, renascimento, a partir da década de 1990, até virar purpurina (até porque, como reza o costume, gay não morre, vira purpurina) em 2007. E a primeira coisa em comum entre ela e Suzy é que ambas estão imortalizadas no audiovisual – especialmente no documentário da UFF <em><strong>Na calada da noite</strong></em>, de <strong>Paulo Halm</strong> e <strong>Luiz Arnaldo Campos</strong>. (Aliás, outra coisa em comum: <em><strong>Suzy Brasil</strong></em> também é um filme de escola – de alunos da Escola de Cinema Darcy Ribeiro.)</p>
<p>Bem, <em><strong>Suzy Brasil</strong></em> pode ser considerada uma reencarnação tosca-pero-no-mucho de Laura de Vison – a começar por sua maquiagem meio-tribufu-meio-palhaço-de-circo que a caracteriza. E é um achado inteligente dar voz ao seu alter-ego, o jovem professor Eduardo – com sua história e suas opiniões sobre a vida, a sua vida – e também à <em><strong>Suzy Brasil</strong></em>, com seu sensato besteirol.</p>
<p>Enfim, Laura de Vison ganhou uma sucessora – ainda que meio <em>trash</em>, é verdade – à altura de seu escracho e irreverência. Mais ainda, ganhou um registro magnífico registro no audiovisual para a posteridade.</p>
<p> </p>
<p><img class="alignnone" src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/05/tracejado.jpg" alt="" width="500" height="5" /></p>
<p><a href="http://www.revistamoviola.com/16-mix-brasil/">Veja a cobertura completa do 16º Festival Mix Brasil</a></p>
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		<title>Cinema em 7 Cores</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Nov 2008 19:44:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Paiva Filho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Se havia alguma dúvida a respeito da presença de personagens LGBT no cinema brasileiro e de sua representação, esta dúvida foi sanada em 2002, quando Antônio Moreno publicou sua tese de mestrado em livro, A personagem homossexual no cinema brasileiro (Funarte / EDUFF, 2002). E sua conclusão é taxativa: não estamos muito bem na foto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se havia alguma dúvida a respeito da presença de personagens LGBT no cinema brasileiro e de sua representação, esta dúvida foi sanada em 2002, quando <strong>Antônio Moreno</strong> publicou sua tese de mestrado em livro, <em><strong>A personagem homossexual</strong></em> <em><strong>no cinema brasileiro</strong></em> (Funarte / EDUFF, 2002). E sua conclusão é taxativa: não estamos muito bem na foto não. </p>
<p><em>(&#8230;) o retrato existencial, social e cultural do homossexual é, no mínimo, deformante. No aspecto dos filmes analisados, raros demonstram um tratamento humanístico ou ético do homossexual (&#8230;)</em></p>
<p><em>Pelo retrato social oferecido nesses filmes, o homossexual seria, em síntese: um sujeito alienado politicamente; existente em todas as classes sociais, com preponderância na classe média baixa, onde, geralmente, tem um subemprego; de comportamento agressivo e que usa, freqüententemente, um gestual feminino exacerbado, o que se estende ao gosto pelo vestuário; e que nos relacionamentos interpessoais, mostra tendência à solidão e é incapaz de uma relação monogâmica, pois utiliza-se de vários parceiros, geralmente pagos, para ter companhia. </em></p>
<p><em>É um modelo cruel, marcado pelo preconceito e a incompreensão, o deboche e a caricatura. Mas é a visão que, de forma especular, se depreende e que, infelizmente, prevalece neste assunto. Está expressa e pode ser comparada com o cotidiano de nossa sociedade. Onde indagaríamos: estas marcas têm vínculo com a realidade do homossexual brasileiro? É assim que ele deve ser representado? </em></p>
<p><em>(MORENO, Antônio, op. cit.)</em></p>
<p>Boa pergunta.</p>
<p>Bom, <em><strong>Cinema em 7 cores</strong></em>, de <strong>Rafaela Dias</strong> e <strong>Felipe Tostes</strong>, não é a versão filmada de<em><strong> A personagem homossexual no cinema brasileiro</strong></em> – até porque, para isso, teria de ser um longa-metragem, porque tem material e fôlego para tal. Mas podemos considerá-lo um ensaio. E um excelente ensaio.</p>
<p>A estrutura é funcional, como pede um bom documentário informativo: entrevistas com críticos (como <strong>Andréa Ormond</strong>, do blog <a href="http://www.estranhoencontro.blogspot.com" target="_blank">Estranho Encontro</a>), cineastas (como <strong>Sandra Werneck</strong>, realizadora de <em><strong>Amores possíveis</strong></em>, e Karim Aïnouz, de <em><strong>Madame Satã</strong></em>) e outras personalidades (como o ex-BBB <strong>Jean Willys</strong>) e imagens de arquivo, de filmes brasileiros das últimas décadas – filmes onde, em sua maioria, aparecem estereótipos negativos em torno do personagem LGBT (a bicha-louca, a bicha – ou a sapata – perversa, a bicha – ou a sapata – ligada ao crime etc.) ou de como o lesbianismo era uma&#8230; digamos&#8230; pausa que refresca para o levantamento da&#8230; digamos de novo&#8230; moral do público masculino das pornochanchadas, salvo honrosas exceções. (Maiores detalhes sobre isso – e se me perdoarem a auto-propaganda – ver artigo deste escriba, <em><strong>Meninas de mãos dadas &#8211; O lesbianismo no Cinema</strong></em>, para a co-irmã <a href="http://www.cinequanon.art.br/" target="_blank">Cinequanon</a>). Na verdade, a pesquisa de imagens tornam este documentário um dos mais preciosos em termos de historiografia do cinema brasileiro – especialmente porque não mostram os estereótipos, mas suas honrosas exceções.</p>
<p>E faz-nos pensar não apenas sobre as razões disto mas da própria relação do povo LGBT com a tela grande aqui no Brasil, bem com o cansaço destas representações – sejam as estereotipadas e preconceituosas, seja as atuais, politicamente corretas demais e, no fundo, tão excludentes como o estereótipo.</p>
<p>Pena que seja curto. Vamos torcer pelo longa.</p>
<p><img class="alignnone" src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/05/tracejado.jpg" alt="" width="500" height="5" /></p>
<p><a href="http://www.revistamoviola.com/16-mix-brasil/">Veja a cobertura completa do 16º Festival Mix Brasil</a></p>
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		<title>Cinco Minutos</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Nov 2008 19:26:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Paiva Filho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[  Cinco Minutos, de Ricky Mastro, 2008, Brasil, 10&#8242; Quem assistiu a Os sapatos de Aristeu, de Luiz René Guerra e, depois, a este Cinco minutos (ambos, aliás, na Competitiva Brasil III, do 16º Festival Mix Brasil), percebeu algumas gratas semelhanças (além do fato de ambos terem sido realizados na FAAP – ou melhor, por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> </p>
<p><em><strong>Cinco Minutos, de Ricky Mastro, 2008, Brasil, 10&#8242;</strong></em></p>
<p><a href="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/11/cinco-minutos.jpg"><img class="size-medium wp-image-1322 alignleft" title="Cinco Minutos, de Ricky Mastro" src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/11/cinco-minutos.jpg" alt="Cinco Minutos, de Ricky Mastro" /></a>Quem assistiu a <em><a href="http://www.revistamoviola.com/2008/11/25/os-sapatos-de-aristeu/">Os sapatos de Aristeu</a></em>, de <strong>Luiz René Guerra</strong> e, depois, a este <em><strong>Cinco minutos</strong></em> (ambos, aliás, na Competitiva Brasil III, do <a href="http://www.revistamoviola.com/16-mix-brasil/">16º Festival Mix Brasil</a>), percebeu algumas gratas semelhanças (além do fato de ambos terem sido realizados na FAAP – ou melhor, por alunos formandos desta escola de cinema) entre eles. Ambos lidam com personagens LGBT (no caso, L mesmo, lésbicas). Ambos lidam com suas histórias com uma delicada intensidade. E ambos tem como fato detonador a irrupção abrupta da morte, e sobre a forma de lidar com ela. </p>
<p>As personagens Alice (<strong>Nyrce Levin</strong>) e Adélia (<strong>Angela Barros</strong>) vivem juntas há anos, em uma relação estável, num pequeno apartamento em frente ao Elevado Costa e Silva (o famigerado Minhocão). Ali também criaram Stella (<strong>Sara Sarres</strong>), filha do primeiro casamento de Adélia. Na verdade, há algum tempo, Alice cuida de Adélia, que está doente. As coisas vão assim, até que, de repente – ou seja, em cinco minutos (os cinco minutos do título) – Adélia morre. A partir daí, o filme se centra no modo como Alice e Stella lidam com o fato, com a dor com as lembranças da longa relação de amor, com o tempo. </p>
<p>Contado assim por este escriba incompetente, não parece muita coisa. Logo, é preciso ver o filme, para perceber que ele lida com todos estes elementos com uma intensidade delicada, apoiada no roteiro sensível e na belíssima direção de atores – outras coisas que <em><a href="http://www.revistamoviola.com/2008/11/25/os-sapatos-de-aristeu/">Os sapatos de Aristeu</a></em> tem em comum.</p>
<p>Ambos lidam com personagens LGBT. Ambos lidam com suas histórias com uma delicada intensidade. Ambos tem como fato detonador a irrupção abrupta da morte, e sobre a forma de lidar com ela.</p>
<p>E ambos são belos.</p>
<p>Espero para <em><strong>Cinco minutos</strong></em> a mesma carreira longa e de sucesso (pelo menos, em festivais) de seu, digamos, co-irmão <em><a href="http://www.revistamoviola.com/2008/11/25/os-sapatos-de-aristeu/">Os sapatos de Aristeu</a></em>. Ele merece.</p>
<p> </p>
<p><img class="alignnone" src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/05/tracejado.jpg" alt="" width="500" height="5" /></p>
<p><a href="http://www.revistamoviola.com/16-mix-brasil/">Veja a cobertura completa do 16º Festival Mix Brasil</a></p>
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		<title>A Tal Guerreira</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Nov 2008 19:19:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Paiva Filho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[  A Tal Guerreira, de Marcelo Caetano, 2008, Brasil, 14&#8242; Como é público e notório, figuras femininas muito fortes, depois de algum tempo, tornam-se ícones permanentes no imaginário gay (Carmen Miranda é o exemplo mais famoso e mais manjado do que nota de um real, se é que você ainda acha fácil uma nora de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> </p>
<p><em><strong>A Tal Guerreira, de Marcelo Caetano, 2008, Brasil, 14&#8242;</strong></em></p>
<p><a href="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/11/a-tal-guerreira.jpg"><img class="size-medium wp-image-1319 alignleft" title="A Tal Guerreira, de Marcelo Caetano" src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/11/a-tal-guerreira.jpg" alt="A Tal Guerreira, de Marcelo Caetano" /></a>Como é público e notório, figuras femininas muito fortes, depois de algum tempo, tornam-se ícones permanentes no imaginário gay (<strong>Carmen Miranda</strong> é o exemplo mais famoso e mais manjado do que nota de um real, se é que você ainda acha fácil uma nora de um real&#8230;) .</p>
<p>Também como todo o mundo sabe (ou não), o candomblé e a umbanda são as únicas religiões brasileiras que aceitam a homossexualidade para seus fiéis e sacerdotes, até porque vários de seus pais-de-santo recebem orixás fêmeas – Oxum, Iansã etc (talvez seja por isso que as alas mais fanáticas de diversas confissões evangélicas as combatem até o ódio intolerante). </p>
<p>Os dois mundos – o sagrado e o profano – acabam se cruzando em <em><strong>A tal guerreira</strong></em>, de <strong>Marcelo Caetano</strong>, sobre <strong>Clara Nunes</strong>. Ou melhor, sobre o ícone que a cantora – precocemente falecida aos 41 anos, durante uma desastrada cirurgia de varizes – se tornou na umbanda – onde se tornou a entidade-guia do templo Clara Nunes (que acreditam que ela se tornou um orixá Yansã no momento de sua morte) – e no mundo gay – onde o travesti Michelly passou a personificar a cantora numa boate gay.</p>
<p>A tal guerreira nos informa sobre isso e sobre o diálogo entre estes dois mundos. E é só. Correto demais em sua feitura, não vai além do informativo, e por isso nos decepciona. </p>
<p>Aliás, decepciona mesmo quem acha Clara Nunes um ser de luz, pois está longe de ser iluminado.</p>
<p> </p>
<p><img class="alignnone" src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/05/tracejado.jpg" alt="" width="500" height="5" /></p>
<p><a href="http://www.revistamoviola.com/16-mix-brasil/">Veja a cobertura completa do 16º Festival Mix Brasil</a></p>
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		<title>Phedra</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Nov 2008 19:04:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Paiva Filho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Phedra, de Cláudia Priscila, 2008, Brasil, 13&#8242; Quem assistiu Os sapatos de Aristeu, poderia levantar a mão, faz favor?  Tudo isso de gente? Pelas barbas do camarão!&#8230; Então vocês devem ter visto uma travesti mais velha, porte digno, quase muda, à frente da casa da mãe e irmã de Diana / Aristeu, à frente de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Phedra, de Cláudia Priscila, 2008, Brasil, 13&#8242;</strong></em></p>
<p><a href="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/11/phedra.jpg"><img class="size-medium wp-image-1313 alignleft" title="Phedra, de Cláudia Priscila" src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/11/phedra.jpg" alt="Phedra, de Cláudia Priscila" /></a>Quem assistiu <em><a href="http://www.revistamoviola.com/2008/11/25/os-sapatos-de-aristeu/">Os sapatos de Aristeu</a></em>, poderia levantar a mão, faz favor? </p>
<p>Tudo isso de gente? Pelas barbas do camarão!&#8230;</p>
<p>Então vocês devem ter visto uma travesti mais velha, porte digno, quase muda, à frente da casa da mãe e irmã de <strong>Diana</strong> / <strong>Aristeu</strong>, à frente de sua família de outros travestis? </p>
<p>Neste caso, permitam que a diretora <strong>Cláudia Priscila</strong> a apresente a vocês.</p>
<p>Con <em>ustedes</em>, <strong>Phedra D. Córdoba</strong>!</p>
<p>Phedra é bem simples: deixa que a própria Phedra D. Córdoba fale de si, de eu começo de carreira em Cuba sua vinda para o Brasil em 1957 – dois anos antes do “acordo” entre o ditador Fulgêncio Batista com los barbudos de Fidel Castro (Batista entrou com a bunda e eles entraram com o pé&#8230;) – sua carreira no Brasil, até sua presença atual no elenco da <strong>Cia. de Teatro Os Satyros</strong>, uma das mais importantes da cena teatral paulistana.</p>
<p>Simples assim mesmo. Donde você pode perceber que, para certos projetos de filme, a simplicidade, mais do que uma grande vantagem, é um grande achado, sua principal qualidade. Pois ao deixar a própria <em><strong>Phedra </strong></em>falar – e ir além da mera informação – o filme ganha muito em frescor e brilho, pois nos permite entender porque ela um grande personagem. Ela é, sem dúvida, o filme.</p>
<p><img class="alignnone" src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/05/tracejado.jpg" alt="" width="500" height="5" /></p>
<p><a href="http://www.revistamoviola.com/16-mix-brasil/">Veja a cobertura completa do 16º Festival Mix Brasil</a></p>
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		<title>Os Sapatos de Aristeu</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Nov 2008 18:55:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Paiva Filho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Curtas]]></category>
		<category><![CDATA[Luiz René Guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Mix Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Os Sapatos de Aristeu]]></category>

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		<description><![CDATA[Os Sapatos de Aristeu, de Luiz René Guerra, Brasil, 17&#8242; Os sapatos de Aristeu, de Luiz René Guerra (FAAP), está se tornando um dos curtas-metragens mais premiados de todos os festivais brasileiro do qual participou. Até prova em contrário, está merecendo todos. Agradecimentos principais à dissecação que o roteiro sofreu numa oficina do Projeto Sal [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Os Sapatos de Aristeu, de Luiz René Guerra, Brasil, 17&#8242;</strong></em></p>
<p><em><strong><a href="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/11/sapatos-de-aristeu.jpg"><img class="size-medium wp-image-1315 alignleft" title="Os sapatos de Aristeu, de Luiz René Guerra" src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/11/sapatos-de-aristeu.jpg" alt="Os sapatos de Aristeu, de Luiz René Guerra" /></a>Os sapatos de Aristeu</strong></em>, de <strong>Luiz René Guerra</strong> (FAAP), está se tornando um dos curtas-metragens mais premiados de todos os festivais brasileiro do qual participou. Até prova em contrário, está merecendo todos. Agradecimentos principais à dissecação que o roteiro sofreu numa oficina do Projeto Sal Grosso, em uma das edições do <strong>Festival Brasileiro de Cinema Universitário</strong>. Mas principalmente à sensibilidade do próprio diretor e autor do roteiro, que optou por transcender à mera temática LGBT – ou melhor, da questão do homossexualismo como algo ainda em processo de aceitamento, de entendimento – e apostar na intensidade de suas emoções contidas, reforçadas por um preto-e-branco extremamente expressivo, para falar de uma derrubada de muros. </p>
<p>O muro, neste caso, é temporal e psicológico, que ocasiona uma certa dificuldade de diálogo. Mas de que matéria é feito este muro? Seria feito do ressentimento de uma família, reduzida à mãe (<strong>Berta Zemel</strong>, em atuação primorosa) e à irmã (<strong>Denise Weinberg</strong>) pelo filho mais velho, que os abandonou para seguir sua vontade? Seria feito de preconceito e certa homofobia, quando mãe e irmã decidem que o filho e irmão, já morto depois de ter vivido como quis — como um travesti — seria enterrado como homem, de terno e tudo, e sem a presença de ninguém, especialmente suas amigas travestis (tendo uma digna Phaedra D. Córdoba à frente)? Difícil determinar. Podem até ser todos estes materiais ao mesmo tempo. O fato é que, ao final, este muro tão forte acaba se desmanchando no ar, tal qual bolinha de sabão.</p>
<p><img class="alignnone" src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/05/tracejado.jpg" alt="" width="500" height="5" /></p>
<p><a href="http://www.revistamoviola.com/16-mix-brasil/">Veja a cobertura completa do 16º Festival Mix Brasil</a></p>
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		<title>Entre Cores e Navalhas</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Nov 2008 20:44:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Paiva Filho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Curtas]]></category>
		<category><![CDATA[Catarina Accioly]]></category>
		<category><![CDATA[Entre Cores e Navalhas]]></category>
		<category><![CDATA[Iberê Camargo]]></category>
		<category><![CDATA[Mix Brasil]]></category>

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		<description><![CDATA[Entre Cores e Navalhas, de Catarina Accioly e Iberê Carvalho, 2007, Brasil, 14&#8242; Eis uma pergunta a fazer: o que deu nos cineastas do Distrito Federal neste Mix Brasil, que deram de mandar filmes com uma leveza impressionante? Primeiro, foi a comédia escrachada e leve As fugitivas. Agora, temos este Entre cores &#38; navalhas. O [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Entre Cores e Navalhas, de Catarina Accioly e Iberê Carvalho, 2007, Brasil, 14&#8242;</em></strong></p>
<p><a href="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/11/entre_cores_still3.jpg"><img class="size-medium wp-image-1294 alignleft" title="Entre Cores e Navalhas, de Catarina Accioly e Iberê Carvalho" src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/11/entre_cores_still3.jpg" alt="Entre Cores e Navalhas, de Catarina Accioly e Iberê Carvalho" /></a>Eis uma pergunta a fazer: o que deu nos cineastas do Distrito Federal neste <a href="http://www.revistamoviola.com/16-mix-brasil/">Mix Brasil</a>, que deram de mandar filmes com uma leveza impressionante? Primeiro, foi a comédia escrachada e leve <em><a href="http://www.revistamoviola.com/2008/11/19/as-fugitivas/">As fugitivas</a></em>. Agora, temos este <strong><em>Entre cores &amp; navalhas</em></strong>. O filme de <strong>Catarina Accioly</strong> e <strong>Ibêrê Carvalho</strong> narra no tempo da leveza, da delicadeza e da alegria uma história de amor nada convencional entre o cabeleireiro Antony (<strong>William Salgado</strong>, discreto mas sensível) e a cobradora de ônibus Esperança (a ótima <strong>Adriana Lodi</strong>).</p>
<p>Certo, já deu para perceber que um dos pontos fortes do filme é a ótima direção de atores. Mas o roteiro (da própria Catarina Accioly) é uma surpresa. A história narra, como já disse, uma caminhada no tempo da leveza, da delicadeza e da alegria de duas pessoas diferentes, indo juntas para outro chute no balde e no pau da barraca &#8211; isto é, para uma mudança de vida radical. Uma delícia.</p>
<p><img class="alignnone" src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/05/tracejado.jpg" alt="" width="500" height="5" /></p>
<p><a href="http://www.revistamoviola.com/16-mix-brasil/">Veja a cobertura completa do 16º Festival Mix Brasil</a><a href="http://www.revistamoviola.com/16-mix-brasil/"><br />
</a></p>
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		<title>As Fugitivas</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Nov 2008 14:46:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Paiva Filho</dc:creator>
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		<category><![CDATA[As Fugitivas]]></category>
		<category><![CDATA[Mix Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Otavio Chamorro]]></category>

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		<description><![CDATA[As Fugitivas, de Otavio Chamorro, 2007, Brasil, 13&#8242; Um breve conselho à ala trotskista-de-extrema-esquerda (prima-irmã da ala fascista-de-extrema-direita, se existir) do humorismo &#8211; isto é, nenhum &#8211; e do movimento GLBT: se não pode combater e derrotar um tipo de humor preconceituoso, leve na esportiva e, depois, incorpore-o à sua cultura, transformando-o em auto-gozação. OU, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>As Fugitivas, de Otavio Chamorro, 2007, Brasil, 13&#8242;</em></strong></p>
<p><a href="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/11/as-fugitivas.jpg"><img class="size-medium wp-image-1273 alignleft" title="As Fugitivas, de Otavio Chamorro" src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/11/as-fugitivas.jpg" alt="As Fugitivas, de Otavio Chamorro" /></a>Um breve conselho à ala <em>trotskista-de-extrema-esquerda</em> (prima-irmã da ala fascista-de-extrema-direita, se existir) do humorismo &#8211; isto é, nenhum &#8211; e do movimento GLBT: se não pode combater e derrotar um tipo de humor preconceituoso, leve na esportiva e, depois, incorpore-o à sua cultura, transformando-o em auto-gozação. OU, em português claro: siga o exemplo recente dos portugueses (que não só já não se importam mais com piadas de português, como começaram a inventar piadas&#8230; de brasileiro&#8230;) e o exemplo mais antigo dos judeus &#8211; o brasileiro Jurandir Chavsky (mais conhecido nas lides musicais e humorísticas como <strong>Juca Chaves</strong>) e o americano Allen Stewart Königsberg (vulgo <strong>Woody Allen</strong>) que o digam.</p>
<p>É verdade que <em>As fugitivas</em>, de <strong>Otávio Chamorro</strong>, tem todos os clichês homofóbicos que se possam imaginar &#8211; a começar pelos protagonistas, Pedro e Duduzinho, duas&#8230; com perdão do termo homofóbico&#8230; duas &#8220;bichinhas&#8221;. Mas a proposta do filme é de ser uma comédia pastelão muito escrachada &#8211; e ela não só cumpre esta papel a contento, como paradoxalmente escracha todos os clichês homofóbicos de tal forma que você não consegue levá-los (os clichês, claro) a sério. Você simpatiza com os protagonistas e ri a pregas desbandeiradas&#8230; digo, a bandeiras despregadas. Excelente.</p>
<p><img class="alignnone" src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/05/tracejado.jpg" alt="" width="500" height="5" /></p>
<p><a href="http://www.revistamoviola.com/16-mix-brasil/">Veja a cobertura completa do 16º Festival Mix Brasil</a><a href="http://www.revistamoviola.com/16-mix-brasil/"><br />
</a></p>
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		<title>Para que Não me Ames</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Nov 2008 14:39:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Paiva Filho</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Andradina Azevedo]]></category>
		<category><![CDATA[Dida Andrade]]></category>
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		<category><![CDATA[Para que Não me Ames]]></category>

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		<description><![CDATA[Para que Não me Ames, de Andradina Azevedo e Dida Andrade, 2008, Brasil, 17&#8242; Para quem não sabe ainda o que são &#8220;sociochanchadas&#8221;, (definição criada por Andréa Ormond em artigo no seu blog Estranho encontro, sobre a obra-prima Perdida, de Carlos Alberto Prates Correia, vão aí alguns trechos (não resisti): As sociochanchadas são muito parecidas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Para que Não me Ames, de Andradina Azevedo e Dida Andrade, 2008, Brasil, 17&#8242; </em></strong></p>
<p><a href="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/11/para-que-nao-me-ames.jpg"><img class="size-medium wp-image-1270 alignleft" title="Para que Não me Ames, de Andradina Azevedo e Dida Andrade" src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/11/para-que-nao-me-ames.jpg" alt="Para que Não me Ames, de Andradina Azevedo e Dida Andrade" /></a>Para quem não sabe ainda o que são &#8220;sociochanchadas&#8221;, (definição criada por <strong>Andréa Ormond</strong> em artigo no seu blog <a href="http://estranhoencontro.blogspot.com/2008/09/perdida.html" target="_blank">Estranho encontro</a>, sobre a obra-prima <strong><em>Perdida</em></strong>, de <strong>Carlos Alberto Prates Correia</strong>, vão aí alguns trechos (não resisti):</p>
<p><em>As sociochanchadas são muito parecidas entre si, em sua quase totalidade produzidas no Rio de Janeiro, com padronização televisiva e de roteiro esquemático sobre a luta de classes nas favelas cariocas ou algum rocambole nos grotões nordestinos. Percebam que o fenômeno pouco difere de outro mais antigo, aquele das pornochanchadas. Apenas trocou-se o sexo pela mensagem social, pelo engagée politicamente correto.</em></p>
<p><em>Uma segunda diferença fundamental é que as pornochanchadas foram feitas com as promissórias de <strong>Antonio Polo Galante</strong> e <strong>Alfredo Palácios</strong>. Caso dessem errado, o produtor falia e tinha que passar uns tempos escondido em Mongaguá. Já as sociochanchadas chegam pagas ao público, não oferecendo o mínimo risco aos realizadores, mesmo que apenas três espectadores as testemunhem.</em></p>
<p><em>Nem precisamos citar o título de alguma sociochanchada. Como todo fenômeno bárbaro, elas estão por aí, tomando cada vez mais espaço. Basta consultar a lista dos filmes em cartaz ou ler a sinopse dos projetos que buscam patrocínio.</em></p>
<p><em>Podemos dizer, sim, que vozes distoantes são <strong>O Cheiro do Ralo</strong>, <strong>Amarelo Manga</strong>, <strong>Jogo Subterrâneo</strong>, <strong>Crime Delicado</strong>, o novo do <strong>Mojica</strong>; filmes que provam a existência de uma outra maneira de se fazer cinema, longe da indústria oportunista que se criou em volta deste hábito sociochanchadeiro.</em></p>
<p><em>Infelizmente, o estrago se faz visível: o cinema nacional hoje vive o paradoxo de mobilizar milhões de reais para produzir resultados artísticos e comerciais pífios. Um discurso de tolerância crescente realimenta o ciclo, fazendo-se de conta que dezenas de tentativas muito parecidas entre si nada guardam em comum.<br />
</em><br />
Está certo, o cinema brasileiro tem que encarar o real, encarar a violência urbana e suas conseqüências. Mas estas &#8220;sociochanchadas&#8221; e sua mania de chuchar à bordalesa pela realidade já estão enchendo o saco&#8230;</p>
<p>Andréa propõe que o remédio para tais gorduras seja o jeito Prates de fazer cinema, e eu concordo em gênero, número e grau. Mas outros realizadores preferem buscar inspiração no olhar rascante de <strong>Plínio Marcos</strong> sobre esta situação &#8211; e eu acho que também é uma saída boa e mais honesta que estas sociochanchadas. Basta ver <strong><em>Para que não me ames</em></strong>, de <strong>Andradina Azevedo</strong> e <strong>Dida Andrade</strong> (FAAP).</p>
<p>Ainda que se negue — ou que não se tenha consciência disso —, nota-se uma certa inspiração em <strong>Plínio Marcos</strong>, especialmente em <strong><em>Barrela</em></strong> e <strong><em>A mancha roxa</em></strong>, na relação amorosa entre dois presos, Marisco (<strong>Bruno Giordano</strong>) e o travesti Vivita (na verdade, uma atriz, <strong>Alice Magna</strong>). O preto-e-branco forte (recurso que parece recorrente entre os filmes mais interessantes do festival) dá mais força a este filme intenso e lírico em sua brutalidade.</p>
<p>E pode dizer, com orgulho: &#8220;sociochanchada&#8221; é o cacete!</p>
<p><img class="alignnone" src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/05/tracejado.jpg" alt="" width="500" height="5" /></p>
<p><a href="http://www.revistamoviola.com/16-mix-brasil/">Veja a cobertura completa do 16º Festival Mix Brasil</a><a href="http://www.revistamoviola.com/16-mix-brasil/"><br />
</a></p>
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