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	<title>Revista Moviola - Revista de cinema e artes &#187; Memória</title>
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	<description>Revista sobre cinema e artes</description>
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		<title>CurtaDoc exibe personagens memoráveis</title>
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		<pubDate>Sun, 13 Dec 2009 15:52:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Revista Moviola</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A SESCTV, canal 3 da Sky, exibirá hoje a última reprise do Programa CurtaDoc que mostra anônimos para o grande público, mas notáveis em seus ambientes de atuação. Os personagens dos três documentários em cartaz no CurtaDoc são referências da história e da arte brasileira. Os filmes compreendem o período da Segunda Guerra Mundial ao [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-3237" title="guruguris" src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2009/12/guruguris.jpg" alt="guruguris" width="455" height="266" /></p>
<p>A <strong>SESCTV</strong>, canal 3 da Sky, exibirá hoje a última reprise do Programa <strong>CurtaDoc</strong> que mostra anônimos para o grande público, mas notáveis em seus ambientes de atuação. Os personagens dos três documentários em cartaz no<strong> CurtaDoc</strong> são referências da história e da arte brasileira. Os filmes compreendem o período da <strong>Segunda Guerra Mundial </strong>ao início do século 21.</p>
<p><strong>Documentários exibidos:</strong></p>
<p><em><strong>U-507</strong></em>,  que aborda o afundamento de quatro navios brasileiros na costa de Sergipe durante a Segunda Guerra. Teriam sido os norteamericanos os autores dos bombardeios, com o objetivo de responsabilizar a Alemanha pelo ataque e agregar o Brasil aos Aliados? No filme é privilegiado o ponto de vista dos moradores da região do Mosqueiro e Areia Branca, em Aracaju, que testemunharam o fato. <strong><em>U-507</em></strong> faz uso de animações para narrar ao público esta passagem dramática da história do Brasil e especialmente de Sergipe.</p>
<p><em><strong>Guru e os Guris</strong></em>, rodado em preto e branco, foi realizado em 1973 por dois representantes do <strong>cinema marginal</strong> de São Paulo, <strong>Jairo Ferreira</strong> e <strong>Carlos Reichenbach</strong>. O personagem retratado é <strong>Maurice Legeard</strong> (1922-1997), um francês que se mudou com oito anos para o Brasil. Crítico e realizador, Legeard foi um dos gurus do cineclubismo brasileiro. Dono de uma personalidade forte e imprevisível, era amado ou odiado. Em meados de 1950, passou a integrar o <strong>Clube de Cinema de Santos</strong>, fundado em 1948. De simples associado, foi secretário, tesoureiro, coordenador e presidente. Legeard criou a Cinemateca de Santos, local de referência da memória do cinema no litoral paulista.</p>
<p><em><strong>Rua da Escadinha 162</strong></em> é sobre o<strong> Museu Christiano Câmara</strong>, de Fortaleza, que contém mais de 20 mil peças em sua coleção, incluindo discos de vinil, fotografias, revistas e enciclopédias. Desde o início do documentário, quem se sobresai é o personagem que dá nome ao museu. Logo é possível perceber que uma das principais paixões de Christiano é música. É através dos principais compositores dos anos 30 e 40 que ele faz uma abordagem da história da cultura brasileira. Christiano começou como um colecionador modesto e atualmente possui uma das mais importantes referências culturais no Ceará. O diretor do filme é seu sobrinho.</p>
<p>O programa CurtaDoc é uma realização do SESCTV e a produção é da Contraponto. A previsão para a primeira etapa da série é ser exibida semanalmente até julho de 2010. Estão sendo apresentados 125 filmes de um total de 520 inscritos em <a href="http://www.curtadoc.tv" target="_blank">www.curtadoc.tv</a>. As inscrições continuam e o site será transformado em um banco de dados sobre o documentário em curta-metragem no Brasil.</p>
<p><strong><a href="http://www.sesctv.org.br" target="_blank">Programa CurtaDoc</a></strong><br />
Episódio 7: Memória<br />
Quando: 13/12/2009, às 19h.<br />
SESCTV: canal 3 da Sky em todo país</p>
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		<title>Histórias de Morar e Demolições</title>
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		<pubDate>Sat, 31 Jan 2009 14:44:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Secco</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Histórias de Morar e Demolições, de Andre Costa, 60&#8242;, 2007 A vontade de assistir a Histórias de Morar e Demolições veio de uma identificação pessoal com o objeto de estudo do filme: 4 famílias que, devido a reorganização urbana da cidade de São Paulo, terão suas casas demolidas (para que se construam prédios e/ou condomínios [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Histórias de Morar e Demolições</em></strong>, de Andre Costa, 60&#8242;, 2007</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-1604" title="historias_de_morar_e_demolicoes" src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2009/01/historias_de_morar_e_demolicoes.jpg" alt="" /></p>
<p>A vontade de assistir a <strong><em>Histórias de Morar e Demolições</em></strong> veio de uma identificação pessoal com o objeto de estudo do filme: 4 famílias que, devido a reorganização urbana da cidade de São Paulo, terão suas casas demolidas (para que se construam prédios e/ou condomínios no lugar). O filme se propõe a registrar, em vídeo, as casas mal fadadas, afim de manter viva a memória de seus habitantes de muitos anos.</p>
<p>A equipe do filme então funda uma empresa de vídeo fictícia e espalha cartazes e flyers pela cidade afim de, como dizem, achar personagens. Feito isso e achadas as tais personagens, a equipe deixa com elas uma câmera digital para que tirem fotos e gravem sons da casa. Posteriormente, vão à casa da pessoa para entrevistá-la e filmar o lugar. E é aí que entra a grande questão do filme.</p>
<p>Há um enorme distanciamento, desde o começo do filme, entre a equipe e os moradores das casas. Chega a ser estranho que num filme que se propõe tão pessoal esse distanciamento seja tão evidente. O filme todo soa falso, distante, mesmo quando vemos cenas da equipe na sala de produção tomando decisões acerca do filme (cenas que, talvez terrivelmente influenciadas por <em>reality shows</em> como <strong><em>O Aprendiz</em></strong>, são completamente dispensáveis), mesmo quando vemos as histórias das vidas dessas pessoas sendo contadas em mais detalhes (a única exceção à isso é a da terceira casa mostrada, sobre a qual falarei mais a frente).</p>
<p>Essa sensação de distanciamento não é meramente intuitiva. <strong><em>Histórias de Morar e Demolições </em></strong>comete, de início, um erro fundamental: ao colocar nas mãos dos moradores uma câmera digital e, ao longo de todo o filme, se recusar a utilizar essas imagens (até mesmo proibindo as pessoas de as fazerem, pedindo que gravem apenas sons), <strong>Andre Costa</strong> acaba por propor um dispositivo-engodo. Tenta registrar memórias muito pessoais, mas ao fazer suas próprias imagens (mesmo que guiadas pelo olhar dos moradores), nega completamente a capacidade delas mesmas de expressar esses sentimentos aparentemente tão caros ao filme. É como se ele se dissesse mais capaz de fazê-lo do que suas personagens, como se as considerasse menos aptas.</p>
<p>Isso não só parece ultrajante como relação pessoal, mas como percepção do próprio momento cinematográfico em que o filme é lançado: algo como a década do filme caseiro. Os melhores momentos do filme, talvez os únicos nos quais exista alguma relação realmente afetuosa e humana nos 60 minutos de projeção, são quando os habitantes da terceira casa mostrada abrem seu arquivo de fotos P&amp;B e filmes Super8. Eis os únicos momentos do filme onde os registros imagéticos caseiros e pessoais são respeitados.</p>
<p>Andre Costa parece não entender suas personagens, parece não compreender a profundidade possível do filme que tem (ou tinha) em mãos. Em outro momento, essa falha de percepção se mostra bastante evidente também: a única cena de demolição presente no filme (um rapaz derrubando uma parede e comemorando sua vitória) é exibida apenas após os créditos, cercada de imagens de cobertura completamente vazias e aleatórias. Talvez o mais belo e forte plano do filme é jogado despretensiosamente, talvez ingenuamente, no momento menos oportuno e menos evidente. Falta sutileza e sofisticação que, se transparece na fotografia, na edição de som e na irritante e pseudo-emotiva música de piano que fica tilintando durante quase todos os minutos do filme, transparece ainda na falta de tato e humanidade que são quase o resumo do filme.</p>
<p>PS: <em>É provável que tudo isso tenha me afetado mais ainda devido à minha forte relação com o ambiente (nasci e vivi 14 anos em Campo Belo, bairro de São Paulo citado no filme), os temas de urbanização, reorganização urbana e memória afetiva urbana são muito caros a mim. Penso que fico mais afetado, ou chateado, pelo fato de </em><em><strong>Histórias de Morar e Demolições</strong> ter todas as características de um filme que eu faria, mas que atinge tudo o que eu não gostaria de atingir. É quase um motivo para que eu reveja e repense, talvez de maneira grave, todo cinema que proponho, como realizador.</em></p>
<h4><img class="alignnone" src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/05/tracejado.jpg" alt="" width="500" height="5" /><a href="../12-mostra-de-cinema-de-tiradentes/">Veja a cobertura completa da 12ª Mostra de Cinema de Tiradentes</a></h4>
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		<title>Mar de Dentro</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Jan 2009 00:20:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo de Almeida</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Mar de Dentro, 2008, de Paschoal Samora. Velhos pescadores de Santa Catarina relatam suas experiências no mar: amores, aventuras, emoções. Como no belo plano inicial das vagas do oceano, multiformes, as lembranças fluem para que a câmera as apreenda. Paschoal Seabra ainda crê (felizmente!) no cinema enquanto testemunha de histórias, que se voltam contra a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Mar de Dentro, 2008, de Paschoal Samora.</strong></em></p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-1407" title="Cinema como testemunha de sentimentos." src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2009/01/mardedentro.jpg" alt="Mar de Dentro: Cinema como testemunha de sentimentos." width="499" height="281" /></p>
<p>Velhos pescadores de Santa Catarina relatam suas experiências no mar: amores, aventuras, emoções. Como no belo plano inicial das vagas do oceano, multiformes, as lembranças fluem para que a câmera as apreenda. Paschoal Seabra ainda crê (felizmente!) no cinema enquanto testemunha de histórias, que se voltam contra a passagem implacável do tempo.</p>
<p>O cineasta deve ouvir e coletar todas as narrativas, e com elas tecer o filme, da mesma forma que o pescador fabrica a rede enquanto fala sobre a esposa morta aos 26 anos. Ou guardar quaisquer informações, por mais prosaicas que lhe soem, com absoluto respeito, como a personagem que forra o teto com os papéis de suas viagens de barco.</p>
<p><strong><em>Mar de Dentro</em></strong>, filme de afetos, que luta &#8211; tal qual o extraordinário último plano &#8211; para que as memórias dos pescadores e da comunidade que representam não se transformem em areia dispersa pelo vento.</p>
<p><img class="alignnone" src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/05/tracejado.jpg" alt="" width="500" height="5" /></p>
<p><a href="http://www.revistamoviola.com/12-mostra-de-cinema-de-tiradentes/">Veja a cobertura completa da 12ª Mostra de Cinema de Tiradentes</a></p>
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		<title>Sobre o Tempo e a Cidade</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Sep 2008 13:41:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo de Almeida</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Of Time and the City, de Terence Davies, 2008, Reino Unido. Liverpool, capital européia da cultura em 2008, escolheu apenas três projetos &#8211; em meio a 156 concorrentes &#8211; para representá-la no cinema, entre os quais Sobre o Tempo e a Cidade, documentário que marca o retorno de Terence Davies após o hiato que se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Of Time and the City, de Terence Davies, 2008, Reino Unido.</em></strong></p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-1047" title="Memória cinematográfica de Terence Davies." src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/09/oftimeandthecity1.jpg" alt="" /></p>
<p>Liverpool, capital européia da cultura em 2008, escolheu apenas três projetos &#8211; em meio a 156 concorrentes &#8211; para representá-la no cinema, entre os quais <strong><em>Sobre o Tempo e a Cidade</em></strong>, documentário que marca o retorno de Terence Davies após o hiato que se inicia com <strong><em>A Essência da Paixão</em></strong> (2000). Com orçamento minguado (250 mil libras), Davies trabalha com imagens de arquivo a fim de criar eu-lírico cinematográfico que não apenas reflete acerca dos fatos que observa, como também se produz afetivamente a partir deles. A tela que se ergue no meio do palco, inconsciente fílmico do cineasta, aponta para o único espaço de representação possível em <strong><em>Sobre o Tempo e a Cidade</em></strong>, uma vez que todas as imagens se projetam e ganham sentido nos quadros emotivos que o diretor desvenda e manipula (pois a janela 1.37:1 dos enquadramentos originais se transforma em 1.85:1).</p>
<p>Embora Terence Davies blasfeme contra Deus e o catolicismo &#8211; o eu-lírico se declara ateu -, <strong><em>Sobre o Tempo e a Cidade</em></strong> se estrutura, paradoxalmente, a partir da missa latina e, de forma mais específica, do réquiem (canção para a entrada dos mortos no Paraíso). Ao se basear em imagens que datam de 1945 a 1973 &#8211; sobretudo de acontecimentos banais e corriqueiros, tais quais encontros de família, jogos de futebol, dia-a-dia do comércio, viagens de férias na praia -, o cineasta  chora pelo desaparecimento da Liverpool que conheceu na infância e na juventude, engolida pelo tempo. Assim, deve-se notar que as projeções que iniciam o filme (na tela ainda em pleno <strong><em>tableaux</em></strong> da abertura) emulam as sinfonias urbanas comuns à década de 20 do século passado, resquícios da vida moderna de que o próprio diretor não participou e que o passado já soterrara.</p>
<p>No entanto, ao inverso do culto exacerbado da memória e do temor constante do esquecimento, com os quais o filósofo Andreas Huyssen identifica o pós-modernismo (em função do descarte imediato das mercadorias para consumo), Terence Davies não faz de <strong><em>Sobre o Tempo e a Cidade</em></strong> mero produto nostálgico, visto que não apenas reconhece a própria incapacidade de acompanhar as transformações de Liverpool &#8211; o tempo congela os sentimentos, não permite que entrem em verdadeira comunhão com o Outro -, como também aspira a que a metrópole e o eu-lírico se unam outra vez, tornem-se indivisíveis, mas sob os auspícios que a chegada de novas gerações sempre acarretam. Pontuando o filme, crianças: mensageiras do evangelho, da boa nova que o cineasta divulga com <strong><em>Sobre e o Tempo e a Cidade</em></strong>.</p>
<p>Do preto e branco às cores (na belíssima elipse em que os passageiros embarcam em p&amp;b e desembarcam coloridos), da terra ao céu (diversos planos ascendentes que tomam a narrativa), do passado ao futuro, o eu-lírico sonha com o instante em que a memória não será mais empecilho para a fruição do tempo, em que a percepção pura dos sentidos colocará o homem em contato com a exterioriadade que o circunda, não com as lembranças mortas que se estendem e que ocupam todo o espaço sensível. Antes de elegia à morte, <strong><em>Sobre o Tempo e a Cidade</em></strong> realiza ode ao presente &#8211; quando encerra o filme com a reinterpretação de Gustav Mahler para o hino católico <strong><em>Veni, Creator Spiritus</em></strong> (&#8220;Vem, Espírito Criador&#8221;), Terence Davies deseja concretamente abandonar o isolamento das recordações e se abrir para as exeperiências novas e desconhecidas do real.</p>
<p><img class="alignnone" src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/05/tracejado.jpg" alt="" width="500" height="5" /></p>
<p><a href="http://www.revistamoviola.com/festival-do-rio-2008/">Veja a cobertura completa do Festival do Rio 2008</a></p>
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