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	<title>Revista Moviola - Revista de cinema e artes &#187; Documentário</title>
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	<description>Revista sobre cinema e artes</description>
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		<title>O Espelho de AnA</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Dec 2011 14:02:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanessa C. Rodrigues</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[Documentário]]></category>
		<category><![CDATA[Média-metragem]]></category>
		<category><![CDATA[O Espelho de AnA]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma crítica afetiva “O poeta fala das coisas que são suas e de seu mundo, mesmo quando nos fala de outros mundos: as imagens noturnas são compostas de fragmentos das diurnas, recriadas conforme outra lei. O poeta não escapa à história, inclusive quanto a nega ou a ignora. Suas experiências mais secretas ou pessoais se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Uma crítica afetiva</em></strong></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-5171" title="O Espelho de Ana" src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2011/12/espelho_ana.jpg" alt="" width="490" height="276" /></p>
<p>“O poeta fala das coisas que são suas e de seu mundo, mesmo quando nos fala de outros mundos: as imagens noturnas são compostas de fragmentos das diurnas, recriadas conforme outra lei. O poeta não escapa à história, inclusive quanto a nega ou a ignora. Suas experiências mais secretas ou pessoais se transformam em palavras sociais, históricas. Ao mesmo tempo, e com essas mesmas palavras, o poeta diz outra coisa: revela o homem.”  A citação é de <strong>Octavio Paz</strong>, vem de <strong><em>A consagração do instante</em></strong>, ensaio que integra o clássico <strong><em>Signos em rotação</em></strong>. Paz fala especificamente de literatura nesse ensaio, mas o trecho que destaquei me parece servir sem nenhum prejuízo ao gesto da cineasta <strong>Jessica Cadal</strong>, que lançou em Curitiba seu documentário em média-metragem<em> <a href="http://www.oespelhodeana.com.br">O espelho de AnA</a></em>.</p>
<p>Nos termos de<strong> Octavio Paz</strong>, estive diante do filme como se estivesse diante de um poema. Porque não se contou nele apenas uma história ou a história cotidiana e pessoal da própria Jessica. Antes, ela, Jessica, se apresentou diante de nós através de seu filme, fez-se imagem, montou um poema de si mesma, cerzindo a história única de sua intimidade à intimidade das mulheres com que convivera. E com isso, ao mesmo tempo em que nos convidou a assistir à história de sua casa, de sua família, portanto, de tudo aquilo que a estabelece num lugar e tempo específicos, Jessica tratou de temas largos, como a condição feminina, o relacionamento, a família, o amor. E é essa ambiguidade, ser “aquilo e isso”, estar no tempo e descolar-se dele simultaneamente, que aproximou, a meu ver, <strong><em>O espelho de AnA</em></strong> às construções poéticas.</p>
<p>O artista plástico francês <strong>Christian Boltanski</strong>,<a href="http://www.revistaenie.clarin.com/arte/christian-boltanski-artistas_0_590941108.html"> em entrevista ao periódico Clarín</a> , para justificar algumas escolhas estéticas que fez ao longo de sua carreira, disse que assim como para os santos, também para o artista a própria vida pode ser uma obra. Ele mesmo sempre usou sua vida, seus objetos e sua história como material para suas instalações. Mas ali, no espaço do museu, a vida reorganizada é ao mesmo tempo uma vida específica e reflexão da vida de quem a vê. No final, chega-se àquilo que é anterior à própria identidade, ao que<strong> Octavio Paz</strong> denomina, ao longo do livro citado, de “a condição humana”.</p>
<p>Da mesma forma, Jessica, pelo milagre do cinema, desmonta sua própria vida e a reorganiza. A câmera, que tem a acompanhado desde a adolescência — desde cedo se fez personagem, imagem — registra a repetição das tarefas domésticas, que se ressignificam, ou melhor, são atribuídas de significado no filme, através do filme. Sem precisar dizer (pois um poema é e não conta), concluímos que mais que o sobrenome, o que aproxima essa jovem cineasta, politizada, culta, à sua avó, duas gerações atrás e tudo aquilo que a impediu de construir uma vida só sua, é o papel que ocupam: o de mulher, palavra ambígua que denota sexo e maternidade, gênero e estado civil, que se confunde ainda nos nossos dias ao de esposa. A ambiguidade, sempre ela: a malícia de Eva, a inocência de Maria.</p>
<p>O parto do seu filho é similar em tudo a tantos outros partos.</p>
<p>Talvez pela minha idade, fertilíssima, pela constante notícia que tenho recebido de amigas que se casam, amigas que engravidam, amigas que me convidam para as festinhas de aniversário dos filhos. Talvez pela minha consciência em me reconhecer mulher adulta, que me tira dos movimentos contínuos enquanto dobro as camisetas que recolho do varal, enrolo as meias e cuecas do meu marido, em muita coisa eu me reconheci nesse excelente documentário de <strong>Jessica Candal</strong>.</p>
<p>Reconhecer-se na estranheza do espelho de outra, essa foi a experiência.</p>
<p style="text-align: center;"><p><a href="http://www.revistamoviola.com/2011/12/12/o-espelho-de-ana/"><em>Click here to view the embedded video.</em></a></p></p>
<p><img src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/05/tracejado.jpg" alt="" width="500" height="5" /></p>
<p>&#8220;O Espelho de AnA&#8221;, dirigido por Jessica Candal, relata a investigação da diretora-personagem a respeito da sua condição enquanto mulher. Através do espelhamento em pessoas íntimas, como a avó, mãe, marido, amigas e a filha de uma delas, sua própria identidade é ao mesmo tempo forjada e revelada.</p>
<p>Documentário, 43 minutos, MiniDV, VHS e Super-8</p>
<p><img src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/05/tracejado.jpg" alt="" width="500" height="5" /></p>
<p>Vanessa C. Rodrigues é formada em letras pela UFPR e trabalha como editora, copidesque e revisora de livros. Também é escritora.</p>
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		<title>Rock Brasília – Era de ouro</title>
		<link>http://www.revistamoviola.com/2011/10/18/rock-brasilia-%e2%80%93-era-de-ouro/</link>
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		<pubDate>Tue, 18 Oct 2011 12:07:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Guilherme Mazzocato</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Rock Brasília – Era de ouro, Brasil, 2011, Vladimir Carvalho &#160; Eles nasceram já com uma benção.  Imaginem os filhos dos funcionários públicos mais influentes de um país latino-americano vivendo, desde a sua infância, em cidades como Londres, Paris, Berlim ou Nova York, devido aos cargos diplomáticos e financeiros de primeiro escalão que seus pais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><em><strong>Rock Brasília – Era de ouro, Brasil, 2011, Vladimir Carvalho<br />
<a href="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2011/10/renatorusso.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4974" title="renatorusso" src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2011/10/renatorusso.jpg" alt="" width="440" height="248" /></a><br />
</strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Eles nasceram já com uma benção.  Imaginem os filhos dos funcionários públicos mais influentes de um país latino-americano vivendo, desde a sua infância, em cidades como Londres, Paris, Berlim ou Nova York, devido aos cargos diplomáticos e financeiros de primeiro escalão que seus pais ocupam. Presidentes de bancos, secretários de embaixadores e generais criam seus filhos nestes grandes centros urbanos, onde tudo acontece, as ideias mais modernas da cultura se cristalizam ou são divulgadas antes do que em qualquer outro lugar.</p>
<p>Nos anos de 1970, muitos destes jovens latino-americanos foram irradiados pela nascente cultura <em>punk</em>, um movimento de cunho anarco-niilista que abrangiu diversas áreas da cultura humana, em especial a música. De volta a seus países de origem, muitos deles continuaram escutando e tocando <em>punk rock</em> nas garagens de suas casas e salões de festas de seus edifícios, também interagindo com os garotos locais, que nunca haviam saído do país, aliás, muitos desses garotos extremamente pobres, filhos de militares de escalões menores e também de operários que construíram a cidade. Mas que também já escutavam a nova música, trazida pelas ondas de rádio, que todo mundo tinha ou escutava na mercearia.</p>
<p>Imaginem agora que, muitos desses garotos, em um país específico chamado Brasil, não retornaram para as velhas cidades de seus pais, grandes centros urbanos como Rio de Janeiro e São Paulo, onde já havia toda uma cultura popular e nacional enraizada, muito distinta dessas novas influências musicais vindas do hemisfério norte.</p>
<p>No caso do Brasil, uma parte considerável desses filhos de diplomatas, militares e financistas voltaram e chegaram ao mesmo tempo. Voltaram para o Brasil, mas chegaram em Brasília, uma nova capital, com menos de 20 anos na época. Em suma, um novo começo.</p>
<p>Não suficiente, esses garotos tão europeizados, tão americanizados, se viram no meio de uma guerra civil, de uma ditadura, nos prédios modernos projetados por Niemeyer, cercados pelas favelas nascidas a partir das aldeias de operários da construção civil que os construíram.</p>
<p><a href="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2011/10/filmes_1517_Rock-Brasilia-6.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-4977" title="filmes_1517_Rock-Brasilia-6" src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2011/10/filmes_1517_Rock-Brasilia-6.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>Então esses garotos imbuídos de cultura <em>punk</em>, de não-conformismo, de rebeldia, se vêem agora envolvidos em uma realidade muito mais cruel, muito mais violenta que as de Londres ou Nova York, onde a repressão está comendo solta e onde, o pior de tudo, os seus próprios pais estão inseridos no sistema, não tanto como líderes políticos fascistas, mas como funcionários públicos que não queriam ver sua vida e a de suas famílias serem destruídas por causa de um confronto direto com o regime autoritário. Ainda que esse estado de espírito das famílias dos roqueiros não fique explícito em <strong><em>Rock Brasília</em></strong> (2011), dirigido por<strong> Vladimir Carvalho</strong>, ele é sugerido quando, no fim do filme, Briquet de Lemos, o pai de Fê e Flávio Lemos de <em><strong>Aborto Elétrico</strong></em> e <em><strong>Capital Inicial</strong></em>, diz para o entrevistador que ele acredita que, na vida deles, os filhos acabaram ensinando os pais.</p>
<p>Ensinando os pais porque, no fins de 1970, quando esses garotos atingiram a idade universitária, eles começaram a formar bandas de estilo <em>punk</em>, com letras altamente contestatórias para a época, e, não contentes com isso, começaram a tocar essas canções não só em garagens e salões de festas, mas por toda a cercania, inclusive em bairros e cidades empobrecidas, causando a fúria das autoridades. Após 10 anos, a música de protesto ressurgia no Brasil de uma forma inusitada. Através do <em>Rock</em>!</p>
<p>Ao longo do documentário, tanto os músicos como seus pais relatam os momentos em que os garotos foram apreendidos pelos policiais militares, que os autuavam e os intimidavam pelo simples fato de estarem cantando canções contrárias ao sistema. Nas kombis que os levavam aos <em>shows</em>, em pleno Sertão brasileiro, eles acordavam no meio da viagem com pistolas já apontadas para os seus rostos.</p>
<p>Os roqueiros de Brasília, no entanto, perseveraram. Até o ponto de, após as diretas de 1984, estourarem nas rádios nacionais com sua atitude altamente politizada e uma gana de artistas que não pertencem aos grandes centros urbanos, e que, portanto, precisam realmente batalhar por um lugar ao sol.</p>
<p><a href="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2011/10/Dinho-Ouro-Preto-Foto-Gabriela-Brasil.jpg"><img class="size-full wp-image-4979 alignright" title="Dinho-Ouro-Preto-Foto-Gabriela-Brasil" src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2011/10/Dinho-Ouro-Preto-Foto-Gabriela-Brasil.jpg" alt="" width="252" height="189" /></a></p>
<p>Muitas pessoas criticam o <em>rock</em> de Brasília por achá-lo chato, idílico em seu engajamento político. Em primeiro lugar, isso não é verdade, pois essas bandas não se limitaram a serem políticas e tampouco politicamente corretas. Mas também eu me pergunto, como é que eles não poderiam ser politizados no contexto em que viviam?</p>
<p>Para além da música, a direção de Vladimir Carvalho prova que é possível fazer um documentário com uma certa dose de arte. Nos diversos depoimentos dos músicos, ele “ressuscita” <strong>Renato Russo</strong>, organizando antigas entrevistas com o cantor falecido. Parece que ele dialoga com os depoimentos dos outros músicos, evitando assim um documentário que pudesse mitificar o Trovador Solitário, como Renato era chamado por seus amigos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Clique para ver o trailer:</strong></p>
<p><a href="http://www.revistamoviola.com/2011/10/18/rock-brasilia-%e2%80%93-era-de-ouro/"><em>Click here to view the embedded video.</em></a></p>
<p><img src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/05/tracejado.jpg" alt="" width="500" height="5" /></p>
<p><a href="http://www.revistamoviola.com/festival-do-rio-2011/">Veja a cobertura completa do Festival do Rio 2011</a></p>
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		<title>O detetive indiano</title>
		<link>http://www.revistamoviola.com/2011/10/12/o-detetive-indiano/</link>
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		<pubDate>Wed, 12 Oct 2011 17:54:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciane Quoos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O detetive indiano, USA, UK, Índia, 2011, Philipe Cox &#160; O documentário O detetive indiano (The bengali detective) do diretor Philipe Cox se passa em Calcutá, a quarta maior cidade da Índia, com pelo menos 18 milhões de habitantes &#8211; se considerada a região metropolitana. Para quem conhece os grotões de pobreza no Brasil, logo irá [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;"><em><strong>O detetive indiano, USA, UK, Índia, 2011, Philipe Cox</strong></em></div>
<div><a href="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2011/10/THE-BENGALI-DETECTIVE.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4866" title="THE-BENGALI-DETECTIVE" src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2011/10/THE-BENGALI-DETECTIVE.jpg" alt="" width="487" height="341" /></a></div>
<div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O documentário <em><strong>O detetive indiano</strong></em> (<em>The bengali detective</em>) do diretor <strong>Philipe Cox </strong>se passa em Calcutá, a quarta maior cidade da Índia, com pelo menos 18 milhões de habitantes &#8211; se considerada a região metropolitana. Para quem conhece os grotões de pobreza no Brasil, logo irá se identificar com aquele caos de pessoas, trânsito e barulho, casas e lojas mal ajambradas, ruas desorganizadas, num ambiente onde parece que não há sinalização para carros e pedestres, onde confundem-se trabalhadores em geral muito pobres com pedintes de rua.</p>
</div>
<div>
<p>Desperta a atenção na telona a alegria do colorido das ruas, muito laranja e cores vivas. É bonito e triste de se ver.  Nesse cenário vive e trabalha como detetive o anti-heroi Rajesh, que ingenuamente crê-se fazendo um bem para a sociedade perseguindo falsificadores de produtos de grandes corporações e, como em geral acontece nestes casos, quem paga o alto preço é um homem pobre e trabalhador dono de um minúsculo mercado. Ele e sua equipe de detetives também trabalham em mais dois casos durante o filme, um de assassinato e outro de infidelidade, num profissionalismo risível que nos conduz por vários lugares de Calcutá. Eis um personagem carismático e muito humano, que cuida de sua mulher doente e mantem um bom convívio com seus empregados, com os quais nas horas vagas dança (literalmente falando!) para desestressar do trabalho.</p>
<p>Um roteiro cambaleante indeciso entre os gêneros de humor, drama e mistério, mas que vale a pena ser conferido, nem que seja para conhecer mais de perto esse povo tão distante e tão igual a gente.</p>
<p>&nbsp;</p>
</div>
<div><strong>Assista o trailer:</strong></div>
<p><a href="http://www.revistamoviola.com/2011/10/12/o-detetive-indiano/"><em>Click here to view the embedded video.</em></a></p>
<p><img src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/05/tracejado.jpg" alt="" width="500" height="5" /></p>
<p><a href="http://www.revistamoviola.com/festival-do-rio-2011/">Veja a cobertura completa do Festival do Rio 2011</a></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Academia de Boxe</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Apr 2011 19:11:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo de Almeida</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Frederick Wiseman necessita de apenas três planos para situar a ação: o céu da manhã, as folhas das árvores e a escultura do lutador de boxe. Estamos em algum lugar do Texas (certamente, não em Houston). Mas a localização exata não importa &#8211; o dono não faz propaganda da academia, e seus clientes têm dificuldades [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="size-full wp-image-4432 alignnone" title="Academia de Boxe, de Frederick Wiseman." src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2011/04/boxinggym2.jpg" alt="" width="502" height="376" /></p>
<p>Frederick Wiseman necessita de apenas três planos para situar a ação: o céu da manhã, as folhas das árvores e a escultura do lutador de boxe. Estamos em algum lugar do Texas (certamente, não em Houston). Mas a localização exata não importa &#8211; o dono não faz propaganda da academia, e seus clientes têm dificuldades para encontrá-la -, pois o cineasta mergulha no universo mais íntimo do boxe, que se treina na Lord&#8217;s Gym (trocadilho com o romance Lord Jim, de Joseph Conrad).</p>
<p>Após os planos iniciais, Wiseman entra na academia e a destrincha. Embora filme ao longo de semanas, a montagem cria a ilusão de que tudo se passa em único dia, da manhã à noite. Lord&#8217;s Gym está aberta a qualquer hora do dia e, salvo a taxa de admissão de 50 dólares, não há fichas, crachás ou outras burocracias. Mulheres e homens; jovens, adultos, idosos e crianças; brancos, negros e hispânicos; amadores e profissionais treinam juntos, compartilham dicas e experiências e recebem tratamentos idênticos. É o máximo da democracia liberal: serviços iguais pelo mesmo preço.</p>
<p>A câmera de Wiseman perscruta  os espaços da academia. Vemos o ringue de boxe, os sacos de areia remendados com fita, o escritório de Lord, o pneu em frente ao espelho, os cartazes de lutas célebres e de <strong>O Touro Indomável</strong> que cobrem as paredes. Através do incrível trabalho com o som, ouvimos o bailar dos pés sobre o tablado, os socos que cortam o ar, os golpes que acertam os oponentes e, sobretudo, o relógio que marca o tempo de cada período de exercício.</p>
<p>O mais importante, segundo um dos lutadores, é o ritmo &#8211; depois se adquire a velocidade. Ambos, ritmo e velocidade, decorrem da conjunção entre espaço e tempo (no boxe, por exemplo, entre o ringue e os três minutos de cada round). Wiseman explora os limites da academia e o toque incessante do relógio de treino que, ao funcionar como metrônomo, orquestra ruídos, coreografa movimentos e ritualiza a violência.</p>
<p>Os tempos do boxe e do mundo, que aparentemente correm em paralelo (pois Wiseman se restringe à academia), encontram-se na discussão sobre o massacre na universidade de Virginia Tech, quando mais de vinte alunos foram mortos. De um lado, a catarse regrada do esporte, que o aproxima do balé. Do outro, a violência bárbara e inexplicável que consome vidas.</p>
<p>As personagens da Lord&#8217;s Gym condenam, com veemência, os assassinatos em Virginia Tech, enquanto destacam as relações fraternais que há entre os lutadores da academia. Mas eles não sublimariam, através do boxe, os próprios instintos violentos? Todos não seriam capazes de atos extremos, de acordo com o contexto?</p>
<p><small><em><strong>Academia de Boxe, 2010, de Frederick Wiseman.</strong></em></small></p>
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		<title>Uma Odisseia Iraniana</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Apr 2011 10:27:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo de Almeida</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Uma Odisseia Iraniana narra, didaticamente e em capítulos, os acontecimentos que levaram à queda do primeiro-ministro do Irã, Mohammad Mossadegh, em 1953: a nacionalização do petróleo, que desagradou o governo britânico e a Anglo-Iranian Oil Company; os conflitos internos entre comunistas do Partido Tudeh, nacionalistas seculares e clérigos xiitas; a força política do Aiatolá Abol-Ghasem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-4423" title="Mohammad Mossadegh." src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2011/04/mossadegh1.jpg" alt="" width="216" height="323" /></p>
<p><strong>Uma Odisseia Iraniana</strong> narra, didaticamente e em capítulos, os acontecimentos que levaram à queda do primeiro-ministro do Irã, Mohammad Mossadegh, em 1953: a nacionalização do petróleo, que desagradou o governo britânico e a Anglo-Iranian Oil Company; os conflitos internos entre comunistas do Partido Tudeh, nacionalistas seculares e clérigos xiitas; a força política do Aiatolá Abol-Ghasem Kashani; a tibieza pró-Ocidente do Xá Reza Pahlavi; a preocupação norte-americana com a influência soviética; e o golpe de Estado patrocinado pela CIA e por Dwight D. Eisenhower.</p>
<p>Através de filmes e de imagens de arquivo, explicadas nos mínimos detalhes pela onipresente narração em off, Maziar Bahari realiza documentário bastante tradicional, que entrevista figuras-chave na deposição do primeiro-ministro, como o embaixador britânico em Teerã. A intenção de Bahari é clara: resgatar Mossadegh, verdadeiro artífice do Irã moderno (banido no pós-Revolução Islâmica em favor de Kashani, ele se tornou ícone do protesto contra a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad, a Onda Verde), que enfrentou as potências imperiais pelo controle do petróleo, mas sucumbiu por não compreender as raízes profundas do xiismo no Irã e por apostar, erradamente, que a paranoia anti-comunista o manteria no poder.</p>
<p>Maziar Bahari sugere, mas não desenvolve, o papel que a derrubada de Mossadegh representou para a ascensão do Aiatolá Khomeini em 1979. Os eventos de 1953, na verdade, geraram o ódio e a desconfiança, não apenas do Irã, como também de todo o Oriente Médio, contra os EUA. Ao não apoiarem as reformas seculares e democráticas do então primeiro-ministro, os norte-americanos garantiram a vitória no curto prazo &#8211; sobre a URSS, durante a Guerra Fria, e a favor das políticas coloniais -, porém se viram, já no século XXI, presos no atoleiro sem fim do extremismo islâmico, dos grupos terroristas, das guerras no Afeganistão e no Iraque, do conflito entre Israel e palestinos.</p>
<p>Mais do que o próprio Mossadegh, chama a atenção, em <strong>Uma Odisseia Iraniana</strong>, a cegueira dos EUA, que repete os mesmos erros, desde os anos 50 até hoje.</p>
<p><small><em><strong>Uma Odisseia Iraniana, 2010, de Maziar Bahari.</strong></em></small></p>
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		<title>É Tudo Verdade 2011</title>
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		<pubDate>Sat, 02 Apr 2011 08:28:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo de Almeida</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Começou dia 31 de março, e prossegue até 10 de abril, o 16° É Tudo Verdade &#8211; Festival Internacional de Documentários, no Rio de Janeiro e em São Paulo. São 92 filmes de 29 países, que se dividem pela Mostra Competitiva Brasileira de Curtas-Metragens, Mostra Competitiva Brasileira de Longas e Médias-Metragens, Foco Latino-Americano, O Estado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-4403" title="Academia de Boxe, de Frederick Wiseman." src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2011/04/boxinggym.jpg" alt="" width="506" height="304" /></p>
<p>Começou dia 31 de março, e prossegue até 10 de abril, o <strong>16° É Tudo Verdade &#8211; Festival Internacional de Documentários</strong>, no Rio de Janeiro e em São Paulo. São 92 filmes de 29 países, que se dividem pela Mostra Competitiva Brasileira de Curtas-Metragens, Mostra Competitiva Brasileira de Longas e Médias-Metragens, Foco Latino-Americano, O Estado das Coisas, Programas Especiais e Mostra Competitiva Internacional de Longas e Médias-Metragens, além das retrospectivas dedicadas à russa Marina Goldovskaya (que registrou o fim do império soviético)  e aos documentários nacionais sobre grandes poetas (&#8220;Poesia É Verdade&#8221;).</p>
<p><strong>Academia de Boxe</strong>, do mestre Frederick Wiseman e que passou no último Festival de Cannes, é o destaque absoluto do <strong>16° É Tudo Verdade</strong>. <strong>Cliente 9 – A Ascensão e Queda de Eliot Spitzer</strong>, de Alex Gibney (que venceu o Oscar por Táxi na Escuridão), <strong>O Sicário – Quarto 164</strong>, de Gianfranco Rosi, <strong>A Vida em um Dia</strong>, de Kevin MacDonald (outro que ganhou o Oscar, por <strong>Um Dia em Setembro</strong>),<strong> Homem Erótico</strong>, de Jørgen Leth (de <strong>As Cinco Obstruções</strong>), <strong>e Reagan</strong>, de Eugene Jarecki também merecem a olhada.</p>
<p>Em meio às revoluções que agitam os países árabes e muçulmanos do norte da África e do Oriente Médio, <strong>A Queda de um Xá</strong> e <strong>Uma Odisseia Iraniana</strong>, do cineasta iraniano Maziar Bahari, e <strong>A Onda Verde</strong>, de Ali Samadi Ahadi, despertam interesse.</p>
<p>Entre os brasileiros, atenção para <strong>Santos Dumont: Pré-Cineasta?</strong>, de Carlos Adriano, muitíssimo bem recebido na Mostra de Tiradentes, e <strong>Os Cavalos de Goethe</strong>, de Arthur Omar. Na retrospectiva poética, são imperdíveis <strong>Castro Alves (1847-1871)</strong>, de Humberto Mauro, <strong>Hi-Fi</strong>, de Ivan Cardoso, <strong>O Fazendeiro do Ar</strong>, de Fernando Sabino e David Neves e <strong>O Poeta do Castelo</strong>, de Joaquim Pedro de Andrade.</p>
<p>Para baixar a programação carioca do <strong>É Tudo Verdade</strong> e as sinopses dos filmes, em Word e em PDF, clique nos links abaixo:</p>
<p><a href="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2011/04/Sinopses-e-Programação-RJ.doc">Sinopses e Programação 16° É Tudo Verdade &#8211; Rio de Janeiro (.DOC)</a></p>
<p><a href="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2011/04/Sinopses-e-Programação-RJ.pdf">Sinopses e Programação 16° É Tudo Verdade &#8211; Rio de Janeiro (.PDF)</a></p>
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		<title>O cinema do real de Consuelo Lins</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Dec 2010 18:04:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ariane Mondo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ao se discutir a produção contemporânea de documentários no Brasil, o nome de Consuelo Lins certamente será citado, tanto se observarmos o aspecto autoral, quanto se falarmos das pesquisas sobre esse gênero cinematográfico. Além de ter dirigido documentários premiados nos últimos anos, como Lectures (2005) e Leituras Cariocas (2009), Consuelo também é professora e pesquisadora [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2010/12/Babá-na-praia_consuelo.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4192" title="Babá na praia_consuelo" src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2010/12/Babá-na-praia_consuelo.jpg" alt="" width="490" height="276" /></a></p>
<p>Ao se discutir a produção contemporânea de documentários no Brasil, o nome de <strong>Consuelo Lins</strong> certamente será citado, tanto se observarmos o aspecto autoral, quanto se falarmos das pesquisas sobre esse gênero cinematográfico.</p>
<p>Além de ter dirigido documentários premiados nos últimos anos, como <strong><em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=3WuZzFlWVU8" target="_blank">Lectures</a></em></strong> (2005) e <em><strong>Leituras Cariocas</strong></em> (2009), Consuelo também é professora e pesquisadora da Escola de Comunicação da UFRJ.</p>
<p>Um de seus livros mais conhecidos discorre sobre a vasta obra de um ícone da história do cinema documental brasileiro. <em>O Documentário de Eduardo Coutinho &#8211; Televisão, cinema e vídeo</em> foi lançado em 2004 pela Editora Zahar. A autora concedeu entrevista para a <strong><em>Moviola </em></strong>em Leipzig (Alemanha). Entre outros temas, Consuelo Lins fala sobre seus filmes, abordando especialmente o curta-metragem <strong><em><a href="http://babasdoc.blogspot.com/" target="_blank">Babás</a></em></strong> (2010), analisa suas buscas como diretora e opina sobre a produção atual de documentários no Brasil.</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p style="text-align: center;"><p><a href="http://www.revistamoviola.com/2010/12/02/o-cinema-do-real-de-consuelo-lins/"><em>Click here to view the embedded video.</em></a></p><br class="spacer_" /></p>
<p><strong><em>Babás</em></strong> é o seu trabalho mais recente e tem circulado em festivais nacionais e internacionais de documentários e ganhou prêmios no Festival de Cinema de Gramado, assim como no Festival Internacional de Cinema de Arquivo (Recine), realizado no Rio de Janeiro. O curta foi exibido no programa internacional do festival de documentários <a href="http://www.revistamoviola.com/2010/11/01/dok-leipzig-multiplos-caminhos-na-arte-de-fazer-documentarios/"><strong>Dok Leipzig</strong> </a>em outubro deste ano, ocasião em que gravamos a entrevista.</p>
<p><strong>Créditos:<br />
</strong>Entrevista: <a href="http://twitter.com/arianemondo" target="_blank">Ariane Mondo<br />
</a>Fotografia: Lars dos Santos Drawert<br />
Edição do vídeo: Ariane &amp; Lars<br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
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		<title>Dok Leipzig: Múltiplos caminhos na arte de fazer documentários</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Nov 2010 15:02:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ariane Mondo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[De 18 a 24 de outubro cerca de 35 mil pessoas se dividiram em vários cinemas de Leipzig (cidade da antiga Alemanha Oriental) para assistir a 346 filmes de 58 países. Números suntuosos que fazem parte dofestival de documentários mais antigo do mundo e o segundo mais importante da Europa: o Dok Leipzig 2010. No último dia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2010/11/dokleipzig2010.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4162" title="dokleipzig2010" src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2010/11/dokleipzig2010.jpg" alt="" width="490" height="276" /></a></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>De 18 a 24 de outubro cerca de 35 mil pessoas se dividiram em vários cinemas de Leipzig (cidade da antiga Alemanha Oriental) para assistir a 346 filmes de 58 países. Números suntuosos que fazem parte dofestival de documentários mais antigo do mundo e o segundo mais importante da Europa: o <a href="http://www.dokfestival-leipzig.de/v2/cms/en/home/index.html" target="_blank"><strong>Dok Leipzig</strong></a><strong> </strong>2010. No último dia do evento, tive a oportunidade de conversar com o diretor do<strong> </strong>festival, o documentarista <strong>Claas Danielsen</strong>. Entre outros assuntos, ele fala sobre a tradição da mostra e opina sobre a árdua profissão de documentarista. Danielsen adiantou que, em 2011, o evento dedicará um foco especial a documentários da Índia. E, em 2012, será a vez de lançar um olhar mais atento à produção da América Latina.</p>
<p>A mostra acontece há 55 anos. Nesse tempo, estabeleceu sua importância como plataforma de exibição e, sobretudo, discussão de documentários. Desde a época em que as Alemanhas ainda eram divididas, esse sempre foi um evento simbólico de reunião de diversos cineastas e documentaristas do mundo inteiro (veja aqui o <a href="http://www.dokfestival-leipzig.de/v2/cms/en/about-dok-leipzig/page1073.html" target="_blank">trailer </a> sobre a trajetória do festival – legendas em inglês).</p>
<p>O <strong>Dok Leipzig</strong> vem se firmando como espaço híbrido, tanto porque exibe documentários e animações, mas também porque promove eventos paralelos como debates, fóruns e espaços dedicados à indústria. Tais iniciativas trazem à tona as questões que marcam a produção e a difusão dessas duas categorias de filmes em tempos de mudanças significativas na maneira de fazê-los.</p>
<p>Apesar de ser um festival consolidado e tradicional, o <strong>Dok Le</strong>i<strong>pzig</strong> faz questão de não se manter impessoal. E isso se reflete na maneira como é conduzido. O lema atual do evento já diz muito: <em>The (he)art of documentary</em>, um jogo de palavras que traduzido do inglês seria “O coração e a arte do documentário”.</p>
<p><strong>Veja a entrevista exclusiva para a <em>Revista Moviola</em>:</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><iframe src="http://player.vimeo.com/video/16307545?title=0&amp;byline=0&amp;portrait=0" width="490" height="392" frameborder="0"></iframe><br />
</strong></p>
<p><strong>Docs brasileiros no Dok Leipzig<br />
</strong><br />
O longa-metragem <strong><em>Terra Deu, Terra Come</em></strong>, de <strong>Rodrigo Siqueira</strong>, levou o prêmio principal na categoria “jovens talentos” e o curta <strong><em>Babás</em></strong>, de <strong><a href="http://www.revistamoviola.com/2010/12/02/o-cinema-do-real-de-consuelo-lins/">Consuelo Lins</a></strong>, foi exibido fora de competição na mostra internacional. Além disso, o clássico <strong><em>Ilha das Flores</em></strong>, de <strong>Jorge Furtado</strong>, integrou uma mostra paralela dedicada a colocar em reflexão o papel da economia e do dinheiro na vida contemporânea. Detalhes da programação no <a href="http://www.dok-leipzig.de/" target="_blank">site do Festival</a>.</p>
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		<title>A Autobiografia de Nicolae Ceaucescu</title>
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		<pubDate>Sat, 09 Oct 2010 18:23:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo de Almeida</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Fantástica reconstituição histórica dos anos de Nicolae Ceaucescu na Romênia, desde que tomou o poder, após a morte de Gheorghe Gheorghiu-Dej, como secretário-geral do partido comunista em 1965, até sua derrubada e execução em 1989. Documentário que utiliza apenas imagens de arquivo &#8211; não há entrevistas ou narração em off para sustentar a narrativa -, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-4140" title="A Autobiografia de Nicolae Ceaucescu, de Andrei Ujica." src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2010/10/autobiografialuinicolaeceausescu2.jpg" alt="" width="505" height="284" /></p>
<p>Fantástica reconstituição histórica dos anos de Nicolae Ceaucescu na Romênia, desde que tomou o poder, após a morte de Gheorghe Gheorghiu-Dej, como secretário-geral do partido comunista em 1965, até sua derrubada e execução em 1989.</p>
<p>Documentário que utiliza apenas imagens de arquivo &#8211; não há entrevistas ou narração em off para sustentar a narrativa -, A <strong>Autobiografia de Nicolae Ceaucescu</strong> resume, em três horas, a ditadura socialista que levou o país à beira do caos. Assistimos aos congressos do PCR e do Pacto de Varsóvia, aos aniversários da derrota fascista na II Guerra Mundial, às construções das grandiloquentes Avenida Socialista e Casa da República em Bucareste, às visitas do presidente aos mercados populares, às viagens internacionais e aos encontros de Ceaucescu com Richard Nixon, Jimmy Carter, Rainha Elizabeth II, Kim Il-Sung e Mao Tsé-Tung, ao apoio maciço que recebe onde vai.</p>
<p>A Romênia, único país que se relaciona com todo o bloco socialista e com as nações capitalistas, condena a Primavera de Praga. Nicolae Ceaucescu desponta como líder de idéias arejadas, popular, carismático, que negocia com o Ocidente e não se intimida com a URSS. Qual o motivo, pois, de sua queda, se há aplausos em toda parte?</p>
<p>O próprio título do filme já traz a resposta: <strong>A &#8220;Autobiografia&#8221; de Nicolae Ceaucescu</strong>. Andrei Ujica recorre somente a imagens e a discursos oficiais do ditador, a pegas de propaganda. Logo depois que abraça camponês, Ceaucescu olha para a câmera, em busca de aprovação. Antes de visitar padaria, a equipe do presidente arruma o local e instrui os comerciantes. O regime, que sobreviveu por quase 25 anos, ergueu-se sobre a farsa e a manipulação.</p>
<p>Ujica desmonta a mentira Ceaucescu na primeira e na última sequência do filme, que mostram o julgamento do ex-presidente (que nada tem a ver com justiça, mas com política). Quando finalmente não controla as imagens e se vê defronte ao massacre de Timisoara &#8211; bem como à acusação de que ordenou disparos contra mulheres e crianças em frente ao palácio presidencial -, Ceaucescu prefere o silêncio dos que consentem. Ele clama pela Assembléia Geral, que sempre esteve a seu lado. Os tempos, no entanto, mudaram.</p>
<p><em><strong><small>A Autobiografia de Nicolae Ceaucescu, de Andrei Ujica, 2010.</small></strong></em></p>
<p><img class="alignnone" src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/05/tracejado.jpg" alt="" width="500" height="5" /></p>
<p><a href="http://www.revistamoviola.com/festival-do-rio-2010/">Veja a cobertura completa do Festival do Rio 2010.</a></p>
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		<title>Nostalgia da Luz</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Oct 2010 13:19:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Monike Mar</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A narração monocórdica de Patrício Guzmán apresenta o Deserto do Atacama, no Chile, como importante região de pesquisas astronômicas e arqueológicas. A disposição das imagens é objetiva: compara o hermetismo das galáxias à poeira desértica. “Tudo o que vemos está no passado. O presente não existe”, afirma o pesquisador ao explicar a visão humana anacrônica [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-4107" title="Nostalgia da Luz, de Patricio Guzmán." src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2010/10/nostalgiadelaluz.jpg" alt="" width="504" height="283" /></p>
<p>A narração monocórdica de Patrício Guzmán apresenta o Deserto do Atacama, no Chile, como importante região de pesquisas astronômicas e arqueológicas. A disposição das imagens é objetiva: compara o hermetismo das galáxias à poeira desértica. “Tudo o que vemos está no passado. O presente não existe”, afirma o pesquisador ao explicar a visão humana anacrônica quanto aos reflexos da luz nos objetos e a absorção desses sinais ópticos pelo cérebro. É com o depoimento de um “arqueólogo do espaço” que <strong>Nostalgia da Luz</strong> justifica sua conexão entre a busca por milhares de chilenos mortos e desaparecidos ao longo do regime de Augusto Pinochet e a incansável procura dos cientistas para a resposta sobre a origem do universo.</p>
<p>Sob o olhar assumido de um chileno — o voice over em primeira pessoa não esconde nenhum ressentimento —, <strong>Nostalgia da Luz</strong> aproveita as condições geográficas para ilustrar o inóspito, o ermo, o olhar vago de cada parente dos presos políticos desaparecidos. O tempo todo, o deserto é colocado como manancial de revelações acerca do passado. Outrora local de trânsito dos povos nômades e de escravidão dos mineiros no século XIX, o Atacama esconde hoje milhares de corpos de vitimas do regime ditatorial na década de 70. Simbolicamente, Guzmán concebe o paralelo entre fragmentos cósmicos e vestígios ósseos, petrificação natural e mumificação, e evolui para a associação maior entre vida e morte.</p>
<p>O documentário metaforiza as cicatrizes chilenas da pós-ditadura no casal de idosos Miguel e sua esposa (que observamos na tranqüilidade de um passeio). “Ele é a recordação, enquanto ela é o esquecimento, por conta de seu Alzheimer”, conta Guzmán. O diretor já resgatara o passado de seu país em outros documentários (<strong>Chile, la Memoria Obstinada</strong>, <strong>Salvador Allende</strong>, <strong>Caso Pinochet</strong>) mas, nesta redescoberta moral que é <strong>Nostalgia da Luz</strong>, aprofunda a abordagem da memória individual como elemento indissociável da construção da História coletiva.</p>
<p>Patrício Guzmán assina trabalho de imersão política com a propriedade de sua nacionalidade, do mesma forma que o israelense Dan Geva, em <strong>Descrição de Uma Memória</strong>, percorreu a atual Israel, atrás de resquícios que revelassem a permanência do estado de guerra no país, refazendo o trajeto de Chris Marker em <strong>Descrição de Um Combate</strong>. Os contextos, embora diferentes, convergem: trazem à tona os estigmas de uma população que vivenciou situações de risco, de caos.</p>
<p><strong>Nostalgia da Luz</strong>, com título inspirado na obra do poeta e astrônomo Michel Cassé, une esperança e desespero. Seus planos estáticos encaram as pessoas (sejam simplesmente as personagens dos depoimentos ou todos os desaparecidos aos quais se refere) penetrando-lhes os olhares. Tudo para acalorar a querela de milhares de chilenos — pais, filhos, esposas, maridos. Dessa forma, Guzmán se dedica, por fim, a investigar a função de rememoração dos museus. O principal não é questionar sua utilidade, tampouco sugerir novos preceitos. Guzmán apenas clama que da barbárie ninguém se esqueça.</p>
<p><em><strong><small>Nostalgia da Luz, de Patricio Guzmán 2010.</small></strong></em></p>
<p><img class="alignnone" src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/05/tracejado.jpg" alt="" width="500" height="5" /></p>
<p><a href="http://www.revistamoviola.com/festival-do-rio-2010/">Veja a cobertura completa do Festival do Rio 2010.</a></p>
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