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	<title>Revista Moviola - Revista de cinema e artes &#187; Daniela Thomas</title>
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	<description>Revista sobre cinema e artes</description>
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		<title>Insolação</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 22:52:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elis Galvão</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-2993" title="insolacao_festival do rio" src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2009/10/insolacao_festival-do-rio.jpg" alt="insolacao_festival do rio" width="490" height="276" /></p>
<p><strong><em>Insolação</em> </strong>é um filme para poucos. É pretensioso na sua experimentação. Os diálogos, as cenas, as conexões entre os protagonistas e as conversas são fragmentados. Tem-se a sensação de ter um clássico cubo mágico diante dos olhos e o desafio de juntar as peças, observar as cores e os encaixes para descobrir qual o fio condutor da história. Na sessão de estreia no Odeon, <strong>Daniela Thomas</strong>, que divide a direção com o diretor de teatro <strong>Felipe Hirsch</strong>, explica que o filme é um mistério e que ela precisa do espectador para desvendá-lo.</p>
<p>Creio que o longa não tem propriamente um fio condutor, mas cria climas, são situações de amor, o encantamento inicial, os encontros, os desencontros e a desilusão. Um jovem adolescente se apaixona por uma personagem mais velha, que por sua vez acaba tendo um envolvimento com o pai dele. Uma garota de 13 anos gosta de um homem, que se apaixona por uma jornalista, que por sua vez ama outro &#8211; exatamente como nos versos da <em><strong>Quadrilha</strong></em>, de <strong>Drummond</strong>. Outra personagem transa com muitos homens em busca de uma sensação especial.</p>
<p>Os atores <strong>Paulo José</strong>, <strong>Antonio Medeiros</strong>, <strong>Simone Spoladore</strong>, <strong>Leonardo Medeiros</strong>,  <strong>André Frateschi</strong>, <strong>Maria Luisa Mendonça</strong>, <strong>Leandra Leal</strong>, <strong>Jorge Emil</strong>, <strong>Daniela Piepszyk </strong>e <strong>Emilio di Biasi</strong> interpretam personagens que, para além da insoloção causada pelo desejo de&#8230;, carregam uma solidão que reflete na cidade vazia. Eles têm uma sintonia com o lugar onde vivem. Esse lugar é Brasília, uma locação certeira para revelar o vazio existencial e a singularidade de cada um. As referências de <em><strong>Insolação</strong></em>, segundo os realizadores, vêm de escritores russos e poloneses: <strong>Tchecov</strong>, <strong>Gombrowicz</strong>, <strong>Bunin</strong> e <strong>Schulz</strong>, entre outros.</p>
<p>O Andrei, interpretado por Paulo José, pode ser uma escolha para homenagear <strong>Andrei Tarkovski</strong>. Afinal, a referência russa é notável nos nomes dos personagens. Do início ao final de <em><strong>Insolação</strong></em> tem-se a sensação de que Andrei constrói e encena um monólogo, embora interaja com boa parte dos protagonistas. Sua fala é voltada para os outros, para o espectador e para si próprio.</p>
<p>Esse é um filme de símbolos, em muitos momentos inteligível, mas que tem uma estética desconcertante. As texturas, linhas, composições e as belíssimas figuras geométricas que aparecem na fotografia de <strong>Mauro Pinheiro Jr</strong>, sem dúvida, têm a marca e a sofisticação visual de Daniela. O roteiro é marcado pela síntese e valorização do texto. A literatura contemporânea está nele, o que é natural, pois, os roteiristas são jovens escritores, <span><strong>Will Eno</strong> ganhou o <strong>Pulitzer</strong> em 2005 pela peça <em><strong>Thom Pain</strong></em> e <strong>Sam Lipsyte</strong> é autor de três livros (<em><strong>Venus Drive</strong></em>, <em><strong>The Subject Steve</strong></em> e <em><strong>Home Land</strong></em>).</span></p>
<p>Ao final da sessão os espectadores podem ficar divididos entre dois extremos, ou acham o filme  <em>nonsense</em> ou bom porque tem um quê filosófico.</p>
<p><strong><span>Veja o trailer:</span></strong></p>
<p><span><p><a href="http://www.revistamoviola.com/2009/10/06/insolacao/"><em>Click here to view the embedded video.</em></a></p></span></p>
<p><span><br />
</span></p>
<p><strong><em>Insolação, Daniela Thomas e Felipe Hirsch, 2009.</em></strong></p>
<p><img src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/05/tracejado.jpg" alt="" width="500" height="5" /></p>
<p><a href="http://www.revistamoviola.com/festival-do-rio-2009/">Veja a cobertura completa do Festival do Rio 2009.</a></p>
<p><a href="http://www.revistamoviola.com/13-mostra-de-cinema-de-tiradentes/">Veja a cobertura completa da 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes.</a></p>
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		<title>Linha de Passe</title>
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		<comments>http://www.revistamoviola.com/2008/09/13/linha-de-passe/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 13 Sep 2008 15:21:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aristeu Araújo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Longas]]></category>
		<category><![CDATA[Daniela Thomas]]></category>
		<category><![CDATA[Linha de Passe]]></category>
		<category><![CDATA[Walter Salles]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>No jogo de futebol, linha de passe é a troca de bola entre os jogadores de um mesmo time. É um conceito que está em seu cerne, arraigado no ideal de cooperação mútua em prol da vitória do grupo. A linha de passe é o momento em que o jogador olha para o outro, em que abdica da posse da bola imbuído pelo ideal da coletividade.</p>
<p><a href="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/09/linhadepasse_g.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-734" title="linhadepasse" src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/09/linhadepasse.jpg" alt="Linha de Passe, de Walter Salles e Daniela Thomas" /></a></p>
<p>No novo filme de <strong>Walter Salles</strong> e <strong>Daniela Thomas</strong>, o jargão futebolístico é título e metáfora para o olhar que o longa-metragem faz acerca da periferia paulistana. <strong><em>Linha de Passe</em></strong> trata exatamente da relação entre anonimato, identidade e cooperação que permeia seus personagens.</p>
<p>É assim que o filme vai narrar a história de uma família que vive em Cidade Líder, periferia de São Paulo. Cleusa tem quatro filhos e está grávida do quinto. Interpretada por <strong>Sandra Corveloni</strong> &#8211; ganhadora, com este papel, do prêmio de melhor atriz no <strong>Festival de Cannes</strong> -, a personagem trabalha como doméstica e é apaixonada por futebol.</p>
<p>Seus filhos são a essência do filme. São os quatro fragmentos que pulverizam e unificam a trama. Um deles é Dario (<strong>Vinícius de Oliveira</strong>, a criança de <strong><em>Central do Brasil</em></strong>), que assim como a mãe tem predileção pelo futebol. Ele quer se tornar jogador profissional, mas, prestes a completar 18 anos, sabe que suas chances serão soterradas com a idade adulta. &#8220;O tempo é duro com o atleta&#8221;, ratifica um potencial empregador.</p>
<p>Dinho (<strong>José Geraldo Rodrigues</strong>) é frentista de um posto de gasolina. Hoje evangélico fervoroso, deixou para trás um passado obscuro. Dedica-se a sua fé com exemplar zelo e ajuda o pastor nos afazeres cotidianos da igreja.</p>
<p>Dênis é o irmão mais velho. Trabalha como <em>motoboy</em>, tem um filho e luta para poder conquistar algo nas ruas de São Paulo.</p>
<p>Reginaldo (<strong>Kaique Jesus Santos</strong>) é o caçula. Meio-irmão dos outros, não conheceu o pai. Negro em uma família de brancos, sente-se distante deles. Cleusa esconde a identidade do pai, mas Reginaldo o procura entre os ônibus da metrópole. A única informação que tem sobre o genitor é sua profissão: motorista de ônibus. Reginaldo passa horas do dia viajando dentro da cidade, observando os condutores, procurando alguma identificação.</p>
<p>Com <strong><em>Linha de Passe</em></strong>, Walter Salles e Daniela Thomas voltam a olhar o Brasil, a tentar &#8211; assim como fizeram em <strong><em>Terra Estrangeira</em></strong> e no <strong><em>O Primeiro Dia</em></strong> &#8211; traçar um entendimento sobre o país. Mas se em Terra Estrangeira havia a noção de repulsa pela terra natal, de busca da felicidade em outro lugar (numa terra distante), neste <strong><em>Linha de Passe</em></strong> o que há é a tentativa de reinvenção, de auto-resignificação. Transformação.</p>
<p>E a transformação para eles está coadunada com a noção de identidade, visibilidade. Em outra palavra, talvez, dignidade. Seja a de Reginaldo que necessita ser reconhecido e reconhecer o pai (negro como ele); seja a de Dinho, que se entrega na religião para ser visto por Deus, que se dedica a cada culto a testemunhar um milagre que nunca chega; seja a de Dênis, que anônimo como todos os milhares de <em>motoboys </em>de São Paulo, cruza a cidade em busca de uma sustentabilidade que não alcança e, pior, sabe que não alcançará; seja a de Dario, que almeja vestir a camisa de um time de segunda divisão, fazer gols, ouvir seu nome na boca dos torcedores.</p>
<p>O filme constrói, assim, o dia-a-dia dessa família na tentativa de quebrar com uma barreira que a deixa à margem. Pontua e sinaliza as poucas esperanças que pessoas como eles têm em alcançar algum status além daquele que lhes foi dado ao nascer.</p>
<p>Dentro desse viés, o longa-metragem apresenta um roteiro sem o maniqueísmo pungente de produções nacionais contemporâneas. Sua periferia é formada por pessoas que carregam suas belezas, suas amarguras, seus defeitos, seus crimes. Enfim, seus personagens nos são apresentados como pessoas com carne e sangue, algo bem distante dos estereótipos pós <strong><em>Cidade de Deus</em></strong>. Se alguém ainda não entende o porquê das críticas dirigidas contra o filme <a href="http://www.revistamoviola.com/2007/10/01/tropa-de-elite/"><em>Tropa de Elite</em></a>, basta assistir a esse <strong><em>Linha de Passe</em></strong> para perceber que o ser humano tem mais facetas do que <strong>José Padilha</strong> (diretor do <strong><em>Tropa</em></strong>) poderia imaginar.</p>
<p>Mas o cinema de <strong>Walter Salles</strong> é redentor. Sempre foi. Mesmo em situações limites, seus filmes sempre apontam para uma saída ou, como já sinalizado aqui, para uma transformação. Em <strong><em>Terra Estrangeira</em></strong>, <strong><em>Central do Brasil</em></strong>, <strong><em>Abril Despedaçado</em></strong>, <strong><em>O Primeiro Dia</em></strong> ou <strong><em>Diários de Motocicleta</em></strong>, há sempre uma conclusão que aponta para alguma esperança, para algum outro patamar. É por isso que na resolução de <strong><em>Linha de Passe</em></strong> seus personagens alcançam, cada um a sua maneira (cada um na sua história), um novo paradigma.</p>
<p>Eles não rompem com seu status social, mas alcançam alguma plenitude que justifica o título, porque é no olhar do outro e só apenas após o reconhecimento do outro, que podem ser encarados como um indivíduo.</p>
<p style="text-align: center;"><p><a href="http://www.revistamoviola.com/2008/09/13/linha-de-passe/"><em>Click here to view the embedded video.</em></a></p></p>
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		<title>Linha de Passe em Cannes</title>
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		<pubDate>Sat, 17 May 2008 13:05:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Revista Moviola</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Linha de Passe, de Walter Salles e Daniela Thomas, estréia em Cannes sob aplausos. É a primeira exibição do longa-metragem, que conta a história de personagens da periferia de São Paulo que sonham por uma ascenção social. A dupla já dirigiu filmes como Terra Estrangeira e O Primeiro Dia. Abaixo, reportagem do Jornal da Globo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Linha de Passe</em></strong>, de <strong>Walter Salles</strong> e <strong>Daniela Thomas</strong>, estréia em <strong>Cannes </strong>sob aplausos. É a primeira exibição do longa-metragem, que conta a história de personagens da periferia de São Paulo que sonham por uma ascenção social. A dupla já dirigiu filmes como <em><strong>Terra Estrangeira</strong></em> e <em><strong>O Primeiro Dia</strong></em>. Abaixo, reportagem do Jornal da Globo exibida na sexta-feira, dia 16 de maio.</p>
<p align="left">&nbsp;</p>
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