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	<title>Revista Moviola &#187; Iracema Macedo</title>
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	<description>Revista sobre cinema e artes</description>
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		<title>Canção para uma moça judia</title>
		<link>http://www.revistamoviola.com/2009/07/09/cancao-de-amor-para-uma-moca-judia/</link>
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		<pubDate>Thu, 09 Jul 2009 13:03:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Iracema Macedo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Versos]]></category>
		<category><![CDATA[Iracema Macedo]]></category>
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Rosinha Palatnik]]></category>

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		<description><![CDATA[Conheço Rosinha Palatnik por um único retrato de louça que vive no cemitério entre os túmulos judeus Morreu em 1936 aos vinte anos de idade e há sobre a lápide letras em hebraico que não decifro Talvez suicídio, talvez outra sorte De qual morte morreu essa moça judia que não morre? De qual vida ela [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-2608" title="piero-copy" src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2009/07/piero-copy.jpg" alt="piero-copy" width="490" height="276" /></p>
<p>Conheço Rosinha Palatnik<br />
por um único retrato de louça<br />
que vive no cemitério<br />
entre os túmulos judeus<br />
Morreu em 1936 aos vinte anos de idade<br />
e há sobre a lápide letras em hebraico<br />
que não decifro</p>
<p>Talvez suicídio, talvez outra sorte<br />
De qual morte morreu essa moça judia<br />
que não morre?<br />
De qual vida ela vive naquele retrato<br />
de louça que mais parece de carne<br />
E por que vem assim<br />
semear-me no meio da tarde?</p>
<p>O que te devo, mulher, o que queres?<br />
Viveste na minha cidade<br />
e queres ainda viver por mim, por meus olhos<br />
por minha carne de homem<br />
boca lábios ouvidos<br />
e queres ser uma música</p>
<p>Te vejo em muitos lugares<br />
sempre dentro do retrato<br />
presa e viva, branca e morta<br />
Que queres, mulher,<br />
tanto tempo depois do tempo<br />
em que houve calor para ti no mundo?<br />
Que queres da tua janela de vidro<br />
com o teu corpo de cinzas</p>
<p>Não me faças desejar-te assim<br />
Tu que não tens mais carne<br />
para o meu desejo<br />
nem sequer seda de vestido que eu toque<br />
nem um corpo nem seios<br />
só o retrato frio na lápide</p>
<p>Que amor terrível é este que me trazes?<br />
<strong>O teu demônio me segue</strong></p>
<p>O teu demônio me segue<br />
anos a fio<br />
ele tece flores para mim<br />
divide meu corpo em partes<br />
Ele me culpa<br />
acena feliz por trás das labaredas<br />
dança ao meu redor<br />
cresce como uma planta<br />
eu aparo suas bordas seu rabo seus chifres<br />
O teu demônio me encanta<br />
como um retrato antigo amarelado<br />
uma xícara de louça no mercado<br />
O teu demônio me espanta<br />
canta para mim todas as noites<br />
me arde me explora me atormenta<br />
O hálito quente sobre a minha boca<br />
a febre sempre<br />
O teu demônio vai embora hoje<br />
eu fujo dentro dele a galope<br />
eu vivo dentro dele feito um passarinho<br />
feito uma coisa miúda enorme pobre<br />
dilatada como um crucifixo<br />
dura como uma esmeralda<br />
Me esmero e espero<br />
um dia me chamo Laura<br />
tu me abocanhas os peitos<br />
eu te abocanho a alma</p>
<p><em><br />
</em></p>
<p><img src="http://www.revistamoviola.com/wp-content/uploads/2008/05/tracejado.jpg" alt="tracejado.jpg" /><em> </em></p>
<p><em>Iracema Macedo nasceu em Natal, cursou Filosofia com Doutorado na mesma área realizado na Unicamp. Atualmente é professora e pesquisadora no CEFET-CABO FRIO. Livros de poemas publicados: <strong>Lance de dardos</strong>. Rio de Janeiro: Studio 53, 2000; I<strong>nvenção de Eurídice</strong>. Rio de Janeiro: editora da palavra, 2004. Livro de filosofia: <strong>Nietzsche, Wagner e a época trágica dos gregos</strong>. São Paulo: editora Annablume, 2005.</em></p>
<p><em><br />
</em></p>
<p><em>*Pintura de Piero della Francesca</em></p>
]]></content:encoded>
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