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Uma Cilada para Roger Rabbit


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Publicado em 11 de Março de 2019

jessica

O filme Cilada Para Roger Rabbit (1988) se passa em Hollywood nos anos 40, um mundo em que seres humanos e personagens de desenho animado vivem como vizinhos e amigos. O coelho Roger Rabbit se encontra acusado de um crime que não cometeu e junto ao detetive Eddie Valiant tenta limpar seu nome e provar sua inocência.

A narrativa combina elementos da Disney e da Warner, o personagem Eddie, por exemplo, trata de temas voltados para o universo adulto, lá estão figuras gananciosos, cheias de luxúria que cometem assassinatos. Já os elementos animados, servem para dar um alívio ao peso noir do filme.

Levando em consideração que animações devem antes ser imaginadas e criadas, é possível afirmar que os Cartoons, em sua grande maioria, neste tipo de relação humano/Cartoons fazem suas carreiras como “atores” especificamente em desenhos e/ou filmes animados ou em pequenas pontas como cantor/comediantes, com a rara exceção daqueles que trabalham servindo humanos, como garçons e/ou atendentes.

Se algum destes personagens decide trabalhar em funções mundanas (longe do estrelato) tais como, gerentes de banco, guardas, etc. A eles são oferecidos empregos apenas em Toon Town cidade completamente animada, onde poucos humanos visitam. Neste caso são segregados indivíduos “reais” de carne e osso.

Em certo momento o espectador é apresentado à mulher de Roger, Jessica Rabbit, uma personagem sexualizada, que por mais que não tenha sido criada para o filme noir, certamente se encaixa nele. Jessica trabalha se apresentando em um bar, onde clientes são exclusivamente humanos. Toons são permitidos somente como trabalhadores, apresentando nitidamente a segregação e desdém para com eles.

O jeito que Roger e Jessica se comportam durante a aventura, nos leva a pensar que Toons são criados de tal modo que se tornam incapazes de serem ou agirem de outra forma, ou pelo menos, e mais provável, que nunca serão vistos pelos humanos sob outra perspectiva.

Roger reage estranhamente quando ingere álcool, sua ação explosiva é diretamente associada ao que se espera de um Cartoon, e também a cena que antecede a bebedeira, onde Eddie, de forma bem “cartoonesca”, incentiva Roger a beber algo que, se estivesse lúcido, certamente ele não beberia. Seria isso uma forma de manipulação humana inserida diretamente no DNA de Roger? E se for, são todos os Toons criados dessa forma, incapazes de mudar? Neste caso estão bem mais próximos das humanidades/desumanidades dos humanos.

Uma Cilada Para Roger Rabbit trás à tela uma cidade feia, violenta e cruel, seres conscientes e com emoções reais são tratados como seres inferiores aos humanos, como se suas vidas significassem menos ( por serem diferentes), até mesmo os humanos que se incomodam com esse tipo de tratamento, nunca levantam a voz para defender os Toons.

Cilada Para Roger Rabbit não só leva o espectador ao riso como á reflexão: não é preciso muita análise para entender a correlação do filme com a realidade de uma época sombria na história da humanidade que se perpetua.

Por Matheus Luguinho

Aluno de Cinema da FACHA



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