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Sobre nós, bobos da corte


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Publicado em 5 de Dezembro de 2018

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Moviola – O que te levou a filmar um monólogo, em longa, sobre o Bobo da Corte?

Luiz Rosemberg Filho - Bem o nosso BOBO foi escrito em 2007 para quem o representou em 2018, a partir de uma vaga ideia de Artaud, achado num velho pedaço de papel, onde ele dizia: “…os mistérios medievais eram tormentos transes dramáticos de uma provação que tomavam a alma como uma doença.” Onze anos depois, mergulhamos num humor Brechtiano de um Brasil piorado. É um longa de ideias sobre a melancolia do poder, o humor obrigatório forçado e a vida, sem vida de um ser humano como muitos nos dias de hoje. O BOBO é um pobre diabo que se descobre envelhecendo, triste e inútil. Numa determinada noite de sua vida pensa em voz alta, na verdade, para se ouvir e se sentir verdadeiramente vivo, mas sem conseguir romper com nada. Talvez seja o frágil ofício dos que trabalham por obrigação com a criação, claro, sem um humor natural. Muito comum na televisão. Os programas de humor são grossos e patéticos. Não é humor, mas aberrações ideológicas representada para os donos e filhos da Casa Grande.

Moviola – Mas só para o público da Casa Grande, um monólogo?

Rosemberg - Penso que, no Brasil de hoje, é para todos! Um Brasil vazio de expressão aberto ao nada, a oferecer dores, traições, violências, medos, tristezas, desencantos… O Brasil que se negou a dar e certo com a sua política ocupada por uma colocação vulgar e baixa da brutalidade e do HORROR! E o que se pode esperar do enraizamento ampliado da destruição da sua DEMOCRACIA? Não foi eleito um presidente da República mal formado defensor da tortura e eleito pelo voto? Como se pode ainda defender a tortura nesse novo século? Mas, mudou mesmo o século ou continuamos nas aberrações de 64? E não tem essa de querer melhorar as imagens do passado! O passado é sim uma cicatriz da barbárie no Estado Militarista. Cada sobrevivente é uma cicatriz na história, né?

Moviola – E qual a origem do texto do monólogo?

Rosemberg - É uma tentativa de pensar o continente hoje, usando uma delicada introdução à Comedia Dell‘Arte como efeito ideocômico. Quero trabalhar melhor isso, se for ainda possível. Não se está tentando andar para trás com jumentos, religiosos, “quase/quase” tudo, mídias e idiotas? Os fundamentos medievais se tornaram atuais e políticos, sem discussão crítica alguma. Em outras palavras: é nas trevas que passamos a viver com medo do pensar e da vida! Do ponto de vista afetivo tenho o Rubens Correa em dois belos monólogos como exemplo: o Diário de um louco do Gogol, e o seu genial Artaud. A semente foi plantada ali. Sempre quis filmar um monólogo! E vi um grande ator que foi o Rubens representar o inferno! Alexandre Dacosta vai nesse sentido, se dando ao personagem de maneira distanciada, mas levemente bem humorado. Não é o BOBO retardado sem críticas, dúvidas ou contradições. Ele pensa e faz pensar. E fazer pensar hoje é revolucionário! E com algum humor distanciado, melhor ainda, né?

Moviola – E se o público não gostar, pois não anda suportando verdades?

Rosemberg – É um direito! A questão do público é complexa. O que vem a ser ele? Quem pode falar por ele? Verdadeiramente só me preocupo com o público depois do filme pronto. Até chegar lá, me deixo levar pelo vento poético das idéias proibidas. São construções de expressões nem sempre muito claras, mesmo para mim. Amo o que nem sempre consigo explicar a mim mesmo. Também não me preocupo em ser claro para ser fácil. Rejeito as obviedades e certezas. Quero sim um acesso aos demônios da criação sem explicitar nada. Quero que pensem! É pedir muito? Penso que não. O não-pensar faz a política que estamos vivendo com o senhor Temer e com a ajuda dos meios de comunicação. Querem sim um país abestalhado e abrutalhado só pensando em impor, matar e rezar! E só tende a piorar!

Moviola – Mas sendo um monólogo filmado, não pode lembrar muito o teatro?

Rosemberg - Ótimo! Vejo, hoje, muito mais valor no teatro que no cinema. Penso que, do casamento dos dois, nasce a nova inventividade no saber, pois Moliérè, Goldoni, Martins Pena, Tchekov, Qorpo-Santo… são ótimas referências a serem pensadas. Portanto, sou pela explicitação do gozo desse casamento criativo. E, quando há gozo, o acesso ao saber é bem mais profundo. Abrem-se múltiplos horizontes com a presença da criatividade, das dúvidas e do humano. É um casamento sem distorções relevantes, muito comuns nas novelinhas da TV. Quero a presença do humor, das dúvidas e do conhecimento. Nosso BOBO DA CORTE é muitas coisas, indo do teatro ao cinema, passando pela poesia de imagens complexas com o ex-soldado Alê dando um show à parte, como um Bobo melancólico e ao mesmo tempo raivoso. É um bom texto para um grande ator! Mas, corremos todos o risco de ousar, e até mesmo de errar! Faz parte dos poucos que ainda arriscam. Ousar com muitos milhões é fácil. Com nada é que são elas, pois o medo sombreia tudo e todos!

Moviola – É um avanço ou um recuo em relação aos três últimos longas?

Rosemberg - Me permito achar que é um avanço! Um rico estímulo em direção ao proibido pelo mercado. Não é um monólogo histérico ou chato meloso, mas uma retomada de uma certa purificação da presença do ator. Alexandre Dacosta dá um show de expressões distintas e ousadas como se estivesse se olhando representar na frente de um espelho subjetivo. Só um grande ator poderia representar bem esse seu delicado personagem. E se tem algumas pequenas falhas na construção da linguagem, são sim minhas! Amei a potência da sua entrega ao risco, o lindo figurino e cenografia da minha queridíssima Márcia Pitanga, a fotografia de meu irmão Renaud Leenhard, ajudado pelos câmeras Eduardo Mariz e Maurício Wanderley, a direção de produção de Mana Pontez, a Cinediário como co-produtores e a produção de João Lanari com a equipe toda. Agora vamos para a rica e ousada montagem de Lupercio Bogea. Impossível uma equipe melhor e mais criativa, sem egos inflados, com um puxando o tapete do outro. Desde o A$$untina das Amérikas e do Crônica não trabalhava com uma equipe assim: LINDOS, PROFUNDOS e CRIATIVOS. E mais que tudo OUSADOS! Me ajudaram a perder o medo de filmar monólogos até mais delicados. Amaria filmar A mais forte do Strindberg. Se estiver vivo, quem sabe depois da era Bolsonaro?

Moviola – Mas onde existem hoje BOBOS DA CORTE?

Rosemberg - Claro, que com destaque para o Brasil! Estamos dentro de uma ordem absurda militarizada. A truculência do passado volta piorada e podre. A obediência a ordem é primária e perigosa, pois não forma seres humanos, mas fanáticos religiosos! Ser humano não é mais estar junto do outro criando, mas só e infeliz confundindo a presença da dor como o único caminho a ser seguido. E onde o acessível ao outro é ser covarde, egoico, traíra, prostituído, vulgar pelo desejo de ter a quantidade dos mil filminhos idiotas ou pela retenção anal do capital. E muitos são os BOBOS DA CORTE! E todos se achando a última Coca-Cola gelada do deserto. Triste!

Moviola – E quais são as referências teóricas desse filme ousado para o mercado?

Rosemberg - Muitas. De Artaud a Shakespeare. Brecht, Martins Pena, Qorpo-Santo, Oswald de Andrade, Zé Celso, Moliérè, Goldoni, Eugenio Barba, o Buster Keaton… Fora do filme, Sergio Santeiro, Renato Coelho, a Chanchada e o humor corrosivo de Ana Abbott, que vi em seu primeiro texto teatral lido no Teatro Municipal. Mas, não me preocupo muito com isso, pois amo muitas pessoas e caminhos. E é por aí que eu vou “sem lenço, nem documentos” uma vez mais e não sei mais quantas vezes, mais ousando, sempre que possível!

Moviola – Não é um desafio à paciência dos críticos e festivais?

Rosemberg - Não tenho, nem nunca tive compromisso com nenhum deles. Gosto, com muito esforço, de um ou outro, sem muito entusiasmo, mas sempre de muito poucos. Nunca esperei nada de nenhum deles, mesmo tendo trabalhado com muitos. Se me preocupo com a crítica, não faço filmes. E nunca quis fazer os filmes que eles gostam e defendem. Verdadeiramente, prefiro a opinião dos cineastas e dos jovens. Ainda aprendo com eles! A velha crítica caiu de pau no Terra em transe, e sigo o achando genial. Gostar de uma obra de arte complexa é mais difícil que bolinhas, estrelinhas e bonequinhos. Não seria isso uma infantilização do cinema? Ocupo-me do pensar e do fazer, e não do que acham na verdade de mim e não do meu cinema! Nunca tive a mínima ilusão ou ressentimento com relação a crítica. Os conheci bem e por dentro!

Moviola – Você diria que esse seu BOBO DA CORTE é um filme de vanguarda?

Rosemberg - Também nunca estive preocupado com isso. Já disse que não gostar é um direito inquestionável e sagrado para mim. A expressão vanguarda, em si, é tosca e limita o filme a um pequeno espaço de egos. Existe o bom e o mal cinema. Bergman é, para mim, tão importante como Godard. Wellestão, fundamental como Antonioni. Escolho, como exemplo do saber, o conhecimento amoroso, e que todos podem vivê-lo de algum modo sem a determinação do domínio sobre o outro. É o que importa na doce singularidade dos afetos. Quanto aos festivais, são mais festas que pensamentos sobre o cinema. O que os festivais ajudam os filmes a serem lançados? O nosso Os príncipes ganhou seis prêmios em Pernambuco e foi recusado em duas Mostras na minha cidade. Por fim, entendo porquê se está votando na volta ao Estado militarista!

Moviola – Pode-se dizer que O BOBO DA CORTE é uma comédia?

Rosemberg - Comédia é Moliérè, Goldoni, Martins Pena, Oswald de Andrade… Tô indo no caminho dela, mas só chego perto, pois a nossa política é mais engraçada e constrangedora que uma boa comédia. O BOBO é um ser melancólico que, para fugir da miséria e da solidão, se refugia nos humores do rei ausente, mas representado pela presença do trono intocável, que escolhe ser Bobo para não ir para guerra ou morrer na miséria. Se esforça para ser engraçado no uso intenso do humor, só que sem humor na história triste e violenta em que vivemos. Soa ao longe ser sério, mas não é nada. É, também, um pouco como os governante e políticos nas relações com o povo. Só discursos, ameaças e trampas!

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Moviola – O terceiro filme seguido com o mesmo ator! Tem alguma explicação mais profunda?

Rosemberg - O Alexandre Dacosta é mais que um simples ator, mas um delicado artista-plástico, músico, realizador, amigo, cômico de primeira e um ator Brechtiano. Evidencia seus personagens, numa soma infinita de contradições e pequenas e grandes experiências na arte do ator. No filme do BOBO, seu esforço é dar credibilidade crítica/política ao que está fazendo e dizendo. E o faz bem feito. E o roteiro foi mesmo escrito para ele em 2007! Mais que merecido, pois leva tudo muito a sério, mas com bom humor e afeto. Gosto muito de trabalhar com ele! Me lembra muito o Nelson Dantas, o Luthero Luis, o Tonico Pereira, o Wilson Grey… mas, mantendo o seu próprio estilo anti-cômico à la Brecht, vivendo e apresentando o seu personagem!

Moviola – Mas é teatro ou cinema?

Rosemberg - Como sempre fui crítico e nunca babei no saco da burocracia, nem do pouco ou muito capital, fizemos o BOBO com o esforço hercúleo de todos! Todos se empenharam para que o filme que fosse realizado custasse o que custasse. Foi feito e bem feito! É cinema, introduzindo o bom teatro como recurso narrativo, como foi o Dois casamento$. O BOBO é tudo muito esses nossos tristes tempos. Odeiam que o povo tenha seus direitos respeitados e sejamos todos felizes. Que representatividade baixa é essa do poder? É preciso poder? Faz algum sentido? O BOBO pode ser tudo!

Moviola – Então tem no BOBO alguma crítica ao país?

Rosemberg - É difícil falar num país levado por uma soma infinita de pequenos ditadores histéricos diretos e indiretos vindos da religião e da própria política. Segue não se querendo um país solar, potente e criativo, mas submisso e acovardado frente a ordem e a religião. É sim esdrúxula, nossa atual classe política, tornando-se assim reduzida a interpretações rasteiras, sem originalidade alguma. Um parlamentar ostentar uma camiseta suja com a imagem de um velho torturador é o quê? Precisa de tradução? E o pai só falando, como sempre muito mal, em armar, matar e também defendendo tortura é o quê? Vivemos no tempo da animalização coletiva do mal! E num país precioso que convida ao prazer e a vida! Pena.

Moviola – Você fala que o BOBO abre o filme com o personagem dando um depoimento para uma equipe de cinema ao vivo e real. E depois muda tudo e entra na ficção. Isso já estava no roteiro?

Rosemberg - O roteiro foi sendo criado com a própria filmagem. Tínhamos um texto e um espaço cênico conseguido pela Marcinha Pitanga. E fomos filmando a partir do que tínhamos. Me permito achar que, com o BOBO, fomos mais longe que com Dois casamento$. Mais longe, em termos de ousadia e de análise política do nosso tempo, sem planfetarismos! Não fizemos um filminho comum, ou só para nos divertirmos. Mas, para ser pensado como múltiplos conceitos diretos e indiretos da vida do país. Afinal, somos sim todos Bobos da nossa porca classe política. Como nos falta representatividade, racionalidade e saber, só podemos ser isso: BOBOS DA CORTE!

Moviola – Essa conceituação não complica, de certa forma, o entendimento do público?

Rosemberg - Ótimo, pois o quero pensando e não passivo e comportado. Não é um filme idiota para o Oscar ou para a Turma do Didi , sugados pelo não-pensamento televisivo. O nosso BOBO reivindica sim o exercício do pensamento onde tudo é importante, da linguagem estranha à poesia dos sentimentos. Como diria o saudoso Mario Carneiro, com seu bom humor: “é um filme cabeça!” Ou seja, sem a preocupação com o culto do idiotismo dominante nas relações entre o ser e a política/mercado. Mergulhamos fundo nos múltiplos instrumentais do pensamento. Mas, com algum humor e leveza. Mesmo por que o Brasil não é mesmo para amadores!

Moviola – O mundo circundante do personagem é todo preto, como se fosse uma caixinha de música pintada por dentro. Esse espaço cênico, todo escuro, quer dizer alguma coisa?

Rosemberg - Na verdade, tudo no caso desse filme é sim personagem! O tom escuro da cenografia é esse nosso tempo de descrença no país, na política e na história. Como acreditar num país onde a presença da morte vale mais que a da vida? Em que se defende a volta à ditadura, censuras e torturas? Vivemos entre seres humanos ou monstros? O país anda para frente ou para trás? Quem ganha com essa regressão à barbárie? Empresários, a religião e o capital financeiro? É justo?

Moviola – Como foi a relação com a equipe?

Rosemberg - Foi tão boa e criativa como a vivida no A$$untina das Amérikas e no Crônica de um industrial. Trabalhei com amigos talentosos e criativos. Já não vivia isso nos longas com docilidade, respeito, afeto e educação desde o Crônica de um industrial, que deu tudo certo, feito também do nada, em 35mm e com PAIXÃO intensa vivida por todos! O BOBO é continuação dessa estranheza, hoje chamada de afeto e respeito! Singularidade dos que foram bem educados, amados, não paridos pelo rabo ou não analisados, como fala Marcinha Pitanga. Estava com saudades desse tipo de relação, em que todos lutavam pelo filme e não pelo ego ou o sucesso pessoal. Saí dos Príncipes com uma vivência muito porca do cinema.

Moviola – É essa tua orientação, de dar ao espaço uma totalidade de símbolos a serem pensados, como o próprio BOBO, a caveira, o trono intocável, o urubu, o espelho…?

Rosemberg - Sim, tudo faz parte de uma grande representação das velharias do poder. São singularidades poéticas no tempo/espaço, numa busca do não-tempo lógico. Traduzir essa estranheza não explica o filme, mas faz pensar. Repetindo: isso significa dizer que eu quero que o espectador pense! Que se permita ser intenso nas sua dúvidas. E pode não gostar, mas vai ter de pensar!

Moviola – Como você explica o teu filme anterior Os Príncipes ter ganho 6 prêmios importantes no Festival de Pernambuco, e ser recusado no Rio e em São Paulo?

Rosemberg - Essa coisa do politicamente correto nos dias de hoje é, sim, um atraso e uma censura sim ao saber e a criação. Sade hoje seria proibido! E o Império dos Sentidos? Bem, O Jardim das Espumas e mesmo o Imagens demoraram décadas para serem descobertos e defendidos. Mas é simples, a resposta vai além: o júri de seleção preferiu dar a vitória ao fantasma do senhor Bolsonaro! Claro que são todos contra a mídia, mas no fundo se revelaram coniventes, pois o filme critica essa geração perdida que vota nesse tipo de postura: matar por matar e fazer da morte um espetáculo! Ou então a morte como diversão. E, basta ver os filmes escolhidos; e o Rio de Janeiro votou em peso nesse senhor. O Estado Militarista volta ao poder pelo voto popular! Agora é agüentar né? Precisa falar mais?

Moviola – Você trabalhou e assinou como assistente de direção da jovem cineasta Ana Paula Nogueira, depois de ter feito muitos longas e curtas. Como e por que isso?

Rosemberg - O Nelson Pereira, ainda vivo, me fez a mesma pergunta. Quando viu quem era, nos nossos muitos encontros na Cobal, calou, riu e achou-a forte como presença. Ana, não só é um doce como ser humano, como jornalista, cineasta e uma bonita mulher. Sabe falar e sabe ouvir. Tem HISTÓRIA, e ninguém empurrando-a por trás para ser atriz ou diretora! Dócil, travessa, intensa, iluminada, preciosa, singular, expressiva, extraordinária e uma pérola negra – ou seja, rara! Ela sempre me pareceu muito um pensamento de São João, que diz: “Aquele que come da minha carne e bebe do meu sangue habita em mim, e eu habito nele.” Ana tem lá as suas questões sobre o universo de homens e mulheres, mas quem não as tem? O produtor, que era um equívoco como ser humano, vivia dizendo que ela não sabia o que queria, e sabia muito bem! Aliás, ele também fala mal de todo mundo. Até mesmo dos mais próximos e amigos. Ana fez cinco capítulos com pouco dinheiro e os fez bem vivos e solares. É uma série para o Canal Brasil sobre o Topless e o corpo/pensado das mulheres. Amei ter trabalhado com ela e com o querido Toca Seabra na fotografia, que é um velho companheiro. Ousaria dizer que Ana é um doce de nuvens em forma de mulher. Aliás, são as quatro mulheres mais interessantes que conheci nos últimos anos nessa nossa cidade: Ana Paula, Ana Abbott (que se afastou. Pena!), Luciana Froes e Priscyla Bettim que é de Sampa mas do Rio de coração! Como diria o mestre Artaud: “…nem polícia, nem exército, nem governo a anarquia no coração.” Tá dito tudo!

Moviola – E agora, o que fazer?

Rosemberg - Antes de tudo, eu e Renaud Leenhard queremos acabar a série que estamos fazendo sobre as mulheres que trabalham com o processo de criação. Temos que montar o feito com a forte Beatriz Carneiro, preciosa artista plástica com um trabalho muito próprio e original, fazendo do observador um ser atuante e de modo algum passivo frente ao que vai ver. O ver para ser pensado! E do pensamento a algum tipo de ação ou reflexão. Depois, montar também o filme que também fizemos sobre a atriz e educadora Helena Varwaki. Mais que uma simples atriz, uma pensadora profunda sobre a importância e a arte do Ator! Não o ator papagaio ou marionete, muito comum na TV. Mas o Ator/História, que marca fundo e fica como referência a ser estudada. Como exemplo, a genial atriz Glauce Rocha. Quero fazer um curta/colagem sobre Van Gogh… Também preciso, com certa urgência, de um tempo para mim. Estou cansado, exausto, doente e precisando relaxar. Fiquei muito assustado com a morte do Geraldo Veloso. Tínhamos pensado em fazer algo juntos com A Filosofia da Alcova do mestre Sade. Mas, agora, só na nossa volta. Sei que não vai ser possível. Mas preciso continuar sonhando! Preciso voltar a ler, a criar novas ideias e mesmo a amar. O cinema seca tudo por onde vai passando. Preciso pensar e escutar música, pois me alimento muito dela. Sem ela não sou nada! Uso-a como instrumento reflexivo e afetivo. Amo ouvir Satie, Mozart, Bach… A partir daí, voltar a normalidade dos encontros, das conversas e de uma ocupação maior com poucos amigos queridos. Depois, a vida, os sonhos e por fim o THE END!



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