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Elena


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Publicado em 13 de Setembro de 2018

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Elena (2012) tem um tom extremamente pessoal por narrar a triste história da irmã mais velha da diretora que dá nome ao filme. O documentário aborda a forte relação entre a personagem e Petra Costa, mostrando a depressão e as fraquezas vividas por Elena (sua irmã mais nova), pelo desejo de ser atriz.

O filme traz à tela imagens de arquivo e planos fechados das ruas de New York (onde Elena passou uma parte de sua vida sozinha e depois com a mãe e a irmã, para estudar teatro), também planos de Petra, como rosto e partes de seu corpo, além de vários planos abstratos, de luzes numa cuidadosa plasticidade em que e Petra flutua com um vestido que lembra o mar. O filme, narrado em voz off pela diretora, conta os momentos felizes vividos pelas irmãs e os mais difíceis que a família pôde viver ao lado de um ente querido depressivo.

Petra Costa foi de muita coragem ao reviver na tela momentos difíceis de sua vida familiar, observando e comentando detalhes de como tudo ocorreu ouvindo amigos que testemunharam o drama do suicídio de Elena. Petra percorre com a câmera todos os cômodos da casa, incluindo o que Elena foi encontrada desacordada em Nova York. A história e suas dores são publicamente reveladas.

Baseada no drama e registros de Elena, vale ressaltar os acontecimentos familiares que ocorreram a volta das irmãs. O ponto inicial é marcado pela separação dos pais de Elena e Petra , momento em que Elena decide seguir com a carreira de teatro profissional. Em seguida, encontramos Elena solitária em New York, quando foi aceita na Universidade  Columbia, o retorno desta vez à cidade americana é com sua mãe e irmã. É retratada a vida de Petra nos EUA, em que a própria admite em off, detalhadamente que não gostava de estar ali.

O processo da depressão e do suicídio da personagem é narrado dolorosamente pelos pais e irmã de Elena. Do pai se tem somente a imagem acompanhada  de um off, no qual se ouve  a diretora dizer  que ele não gosta de tocar no assunto. Já a mãe faz confissões extremamente íntimas e tocantes de como era o comportamento de Elena em seus últimos momentos de vida e como a própria mãe se esgotava ao ver a filha morrendo aos poucos, admitindo não saber lidar com a situação. Isso é confirmado quando a mãe conta que ao sair do quarto da filha a ouviu chorando, mas não conseguiu voltar lá. Da mãe, também há confissões após a morte de Elena, que pensou também em cometer suicídio. Os relatos expõem a família de modo contundente, provocando sensações diversas no público.

Após a apresentação do atestado de óbito de Elena, surgem imagens que evidenciam que as escolhas e a personalidade de Petra se assemelham as de Elena, reafirmadas com a voz da diretora e de outras pessoas em off dizendo o quão as duas são parecidas. Isso remete a outro assunto dentro do filme que seria o fato de Petra ter sofrido crises depressivas ao longo da vida, por conta da morte de Elena. Ao final do filme, de modo esteticamente delicado, transparece a decisão da diretora de seguir em frente com sua vida, contrária a decisão de Elena.

Por Letícia do Valle

Aluna de Cinema da FACHA



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