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Irmã Dulce: O anjo bom da Bahia


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Publicado em 14 de Março de 2018

irmadulcecinevitor

Dirigido por Vicente Amorim, “Irmã Dulce” é uma história real e encantadora, que narra a vida desta freira desde a infância até sua morte e conta como sua trajetória tornou-se importante no meio religioso.

Destaco como uma grande cena o que ajudou a compor a decisão de Dulce se tornar freira, quando no início do filme a protagonista leva alimentos aos mais necessitados e se depara com aquela completa pobreza da localidade. Fundamento esta ideia a partir da fotografia que expressa uma sensação de vazio e de falta, na qual o tom quente da imagem se aproxima da cor de pele das pessoas, com o figurino e o cenário em tons pastéis. Em conjunto, a expressão da atriz que interpreta Dulce quando criança deixa nítida a insatisfação com coisas do mundo e nasce a vontade de fazer diferente.

O filme dá um salto no tempo e mostra Dulce depois de se consagrar como Beata. Sequencialmente, o expectador assiste os inúmeros gestos que deram a ela o famoso apelido de “O Anjo Bom da Bahia”, quando não media esforços para ajudar quem precisava. Ela sofria de uma doença pulmonar, mas nem isso foi suficiente para afastá-la de sua trajetória na ajuda aos necessitados.

Bianca Comparato é a atriz que interpreta Irmã Dulce na fase jovem e na fase adulta a interpretação cabe a atriz Regina Braga. Ambas conseguem mostrar a beleza e serenidade da protagonista. A passagem de tempo que faz a troca das atrizes é bela e simples. Não se sente esta passagem de maneira brusca e o filme flui em todos os sentidos.

Dulce foi responsável pela construção e funcionamento do hospital que surgiu primeiramente em um galinheiro no convento de Santo Antônio (Convento onde a personagem mora no filme). E depois, se tornou um dos maiores hospitais de todo Estado baiano.

Um ponto importante do filme é que não direciona o assunto a religião católica, mais sim a história de Irmã Dulce, uma mulher que sabia lidar e dialogar com os demais de forma que nem a igreja compreendia.

Por fim, o filme mostra a trajetória de vida de uma mulher que lutou intensamente pelo bem do próximo, mostra a luta da freira em prol da humanidade, como os mandamentos dados pela Bíblia. A fotografia é um dos pontos fortes do filme, pois traz uma Salvador dos anos 40 até os 80, tempo de vida da protagonista no filme.

Por Cristina Neves

Aluna de cinema da FACHA



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