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O Estranho que Nós Amamos: a beleza no horror da guerra


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Publicado em 28 de Fevereiro de 2018

o estranho que nos amamos

Um elemento estranho é inserido no grupo familiar até então harmônico, resta saber como esta presença pode influenciar as pessoas. Mais ainda, até onde a organização que funcionava perfeitamente pode suportar esse novo elemento sem ruir de vez? Essa é apenas a premissa inicial de O Estranho que Nós Amamos (2017), de Sofia Coppola. A diretora traz à tela os atores Nicole Kidman, Kirsten Dunst e Colin Farrel. O filme de Coppola é uma releitura de um romance que também já foi levado para as telas do cinema em 1970 por Don Siegel, tendo Clint Eastwood como protagonista. Diferente de Siegel, Coppola trabalha a ótica feminina da situação, já que o primeiro é contado do ponto de vista do personagem de Clint. E isso já torna o filme, no mínimo, interessante.

Ambientado no período da Guerra de Secessão (1861), o longa conta a história de algumas mulheres e meninas que viviam numa casa no Sul dos EUA. Enquanto a guerra ocorria, elas se protegiam dos invasores do Norte e procuravam sobreviver juntas aos horrores da guerra, cada mulher com sua particularidade e passado. Um dia um soldado inimigo cai, literalmente, de paraquedas nessa estrutura familiar e a chegada do estranho na casa altera o comportamento e a relação entre elas. O desejo de cada uma em conquistar o forasteiro, emerge. No entanto, não se trata de um filme sobre conquistas amorosas. Nicole Kidman, como a líder católica faz o possível para que as aparências sejam mantidas enquanto Alicia (Elle Fanning) faz o possível e o impossível para destoar daquele lar aparentemente perfeito.

Coppola constrói um filme primoroso no que se refere às atuações, a fotografia e a ambientação, nota 10 para esses pontos. Mas, por outro lado, faz falta um aprofundamento maior das personagens, pois nada se sabe além do nome de algumas que moram lá. As questões que o estranho traz ao lugar poderiam ter sido melhor trabalhadas pela ótica das outras meninas que habitavam a casa.

Apesar de o filme ser sobre mulheres e realizado por uma mulher, cremos que Coppola não teve a intenção de despertar nenhum tipo de ativismo feminista além do necessário (como já citado, a primeira versão do filme é contada pela ótica masculina e nesse caso se inverte, mas nada além disso). Não existe uma discussão mais conseqüente da guerra e de como ela pode afetar as mulheres. Chama atenção, também, a história se passar no Sul e não se ter a imagem de um único negro ou negra na tela, não se discute o contexto do que está acontecendo e, neste caso, falta profundidade para a trama.

Coppola, como em seus outros trabalhos, é primorosa na estética que é rica e bem cuidada. Os planos da natureza e os ambientes no interior da casa são maravilhosos, os diálogos em determinadas cenas são também um ponto forte no filme. A cena do jantar em que todas se arrumam numa competição silenciosa para agradar o soldado é, certamente, um dos grandes pontos altos da trama. Nos 30 minutos finais os espectadores são surpreendidos com uma série de acontecimentos que acabam transformando aquela – aparente e pacífica – convivência familiar. A “virada” na narrativa se dá quando Martha (Nicole Kidman) toma uma decisão que surpreende a todos.

O filme traz uma experiência visual inegavelmente de qualidade, mas não foi além do “quase lá” na história.

Por Bruna Soares

Aluna de cinema da FACHA



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