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A guerra do Paraguay


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Publicado em 13 de Fevereiro de 2016

guerra do paraguay

 

 

“A morte se torna absurda/ Transformando em iguais/ Os desiguais/ A descontinuidade/ Em continuidade/ E a vida/ Em absurdo maior.”

Ainda combatem o erotismo criativo de Sindoval Aguiar.

 

“O Paraquay é aqui.”

Uma volta aos valores criativos da nossa juventude, repensando hoje O Jardim das Espumas, num novo longa com a Cavídeo. Com A Guerra do Paraguay, não fizemos um filme para a TV oficial, mas para uma TV que faz pensar. Existem diferenças, né? Queremos, sim, um desaparecer de explicações, espetáculos e certezas duvidosas. Nos doamos aos encontros, movimentos, passagens e paisagens. Humildemente confrontamos afetos, requintes e encantamentos. Entre rupturas e avanços, uma nova história na vida de todos nós. Inútil, portanto, falar do meu encantamento por Alexandre Dacosta, Patrícia Nidermeier, Ana Abbott, Cavi Borges, Chico Dias, Renaud Leenardt, Vinicius Brum, Camille Louise Girouard, Marcelo Reis, Arthur Frazão, Márcia Pitanga, Vinicius Charret, Rodrigo Marçal… Quero aqui agradecer a todos que comigo se serviram de ultrapassagens poéticas delicadas e difíceis. Fomos para muitos tempos distintos, sem a preocupação de uma identidade histórica precisa ou mentirosa, pois uma vez mais, demos um registro critico-poético ilimitado, as imagens e a política de um patriotismo ainda hoje caduco e conservador, representado no filme pelo soldadinho ALÊ!

Tentamos subverter a ordem das explicações fáceis e diluidoras. Fomos dialogar com a ousadia das diferenças. A história chula nunca nos interessou. E como bem dizia Adam Smith: “A riqueza das nações é a cultura dos seus povos.” E foi exatamente isso que fomos matar ferozmente, lá no Paraguay, sendo manipulados por interesses externos. Aspirando, claro, a doença e a morte como traumatismo e uma não essência política nas explicações oficiais. Como bem diria o poema de Elizabeth Hazin: “Viver é grande demais imensa/ dor”. Ou seja, um filme de começos poéticos diferentes; apesar do risco da paixão pela originalidade num país e num tempo que tenta ressuscitar o fascismo idiota do passado recente.

E se o “nosso coração é uma seda” como dizia Leminski, fizemos avançar uma outra história além espetáculo para a TV, do choro e da dor dialogando com liberdade com Brecht, Artaud, Molière, Nietzsche…, numa espécie de saudade de um cinema melhor e emoções irônicas fecundas. Falamos do passado rumo ao futuro assumidamente teatral vivo! E por que não? As guerras não são também um teatrão? Um filme na embriaguez de sonhos mais elevados, ainda que doídos. As duas personagens femininas atravessam uma história de perdas e pobrezas desumanas. Mas, não é essa a história trágica da criação no nosso Continente? A carroça é o país imobilizado de todos nós de ontem e de hoje. Não fomos amenizar nossos tantos crimes políticos, mas nosso desejo de crescer melhor como seres humano. De não ser um bem sucedido na mediocridade reinante de um País propositalmente dividido e que vai sendo empobrecido culturalmente e politicamente.

Claro está que não nos interessa as certezas duvidosas do fanatismo fardado. Afinal, o que fomos fazer ontem no Paraguay, a não ser criminosamente matar e destruir? Para mim a história, o pensamento e o afeto deveriam ser melhor trabalhados em todas as gerações e fundamentalmente nas relações políticas entre as nações. E como resultado uma outra história alinhada a grandeza dos prazeres proibidos, e não a morte como espetáculo de um cinema também empobrecido. Reconquistando assim, o sentido ainda nebuloso das interrogações históricas ainda possíveis. Mexer em noites sem sonho algum. Sentir em nós a rejeição pelo diferente da nação Guarani! E repetindo uma vez mais: “o que foi que os Paraguayos nos fizeram?” O império mergulhado na loucura, afundou nossa história e a deles no mal e no sangue! Como bem dizia Oswald de Andrade: “… fomos descobrir as coisas que nunca vimos.”

 

Veja o trailer aqui:



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