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Maravilhoso Boccaccio


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Publicado em 13 de Fevereiro de 2016

maravilho boccaccio

A carreira dos irmãos Taviani fora mais uma vez alavancada depois do prêmio em Cannes por Cesar deve morrer; consequentemente a mídia voltou a ter curiosidade por seu próximo projeto. Não obstante, Maravilhoso Boccaccio. A interpretação do Decameron, de Boccaccio, pelos Taviani é reducionista, embora o longa tenha 121 minutos. Como adaptar 100 contos para o cinema? Eles escolheram apenas cinco. Ambientada no século XIV em Florença, durante a peste negra, as histórias contadas pelos jovens para passar o tempo continuam dentro do contexto clássico, sem adaptação para hoje. Com efeito, o peso da tradição italiana cai como um pêndulo sobre a criatividade dos artistas contemporâneos e é muito raro inovar sem ter de pagar tributo aos grandes do passado. Isso não se dá apenas no cinema – veja o diálogo entre Fellini e Sorrentino em A grande beleza -, mas também nas artes plásticas, na ópera e na música clássica.

Há um cuidado da figurinista com os detalhes nas roupas e aparência, como se vê, por exemplo, nas unhas sujas da maioria dos personagens, como se fossem representações vivas das criaturas de Caravaggio. Mas o cuidado nas cores e tecidos esta a serviço do peso do classicismo. Muito Pasolini aqui também.

Em Decameron, a comédia e escrachada, bufa, vulgar, como cabia aos escritores da época. Em Taviani, não. A tragédia marca mais e não se é capaz de rir solto.

Como então tornar maravilhoso o que e clássico? Como então tirar o peso do sagrado e trazer para hoje o culto renascentista? Zeffirelli foi um dos que tentou. Mas em Taviani parece que o tradição teatral acabou marcando esse filme. E o teatro clássico tem coreografias muito distintivas. Repare como se movimentam esses personagens e como se movimenta a câmera. Esta não é mais ampla do que o olhar de um espectador de teatro.

No entanto espero que este Boccaccio dos Taviani gere debates no Brasil, que anda um pouquinho necessitado de raízes clássicas.

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