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Wild


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Publicado em 22 de Outubro de 2014

Wild, de Jean-Marc Vallée.

Com uma atuação que certamente vai lhe render uma indicação à premiação do Oscar, Reese Witherspoon encabeça o longa Wild, baseado numa autobiografia. Constitui-se a trama de uma história de superação e sabemos que isso é tudo de que a Academia gosta. Por isso, minhas apostas no prêmio de melhor atriz.

Na apresentação em West End, Reese declara: “eu li o livro em dois dias. Adorei. Mas perguntei a Hornsby (produtor) por que ele queria que eu fizesse este papel. E ele me respondeu: ‘Você não sabe, mas é engraçada!”.

Para escapar do divórcio traumático, Cheryl Strayed resolve partir para uma trilha de mil milhas pelo parque Pacific Crest Trail. Pelo tamanho e peso da mochila, percebemos que o intento não é só uma viagem para principiante, mas uma perigosa tarefa para uma mimada filhinha de mamãe. Sua mãe é interpretada por Laura Dern, sempre correta e humilde em sua atuação. A direção é de Jean-Marc Vallée, o mesmo de Clube de Compras Dallas. Assim se explicam os holofotes sob eles em West End esta semana.

A narrativa corre solta por flashbacks e flashforwards, sem sobreaviso. E é com esse ir-e-vir no tempo que vamos decifrando a complexa personalidade de Cheryl, uma mulher que vive a sua sexualidade livremente, apesar do casamento, e às voltas com a heroína. Aqui talvez um furo do roteiro, pois definitivamente não sei o quanto seu desempenho como trekker poderia ser afetado pela droga.

O que interessa é que neste percurso, enfrentando altitudes elevadas e neve, do México ao Canadá, Cheryl não se coloca na posição de permitir-se a autopiedade. Sem deixar de encontrar outros trekkers pelo caminho, em sua maioria marmanjos, a caminhada é na verdade uma viagem solo. Não em direção à sacralidade, como seria um Caminho de Santiago, mas ao estabelecimento de seus próprios limites e superações. Nesse sentido, vai de encontro ao American way of life. É uma viagem para o reencontro com o ego. Ao centramento dos seus desejos como mulher.

À parte as citações de Emily Dickinson, Flannery O’Connor e Walt Whitman que Cheryl vai deixando escritas pela trilha, para serem encontradas por outros companheiros, estas anotações cíclicas dia após dia no fundo são um resgate da saudade que Cheryl sente de sua mãe, vítima de câncer. A auto-imposta tarefa hercúlea é em última análise uma limpeza espiritual.

Wild, de Jean-Marc Vallée (EUA, 2014)

Veja a cobertura completa do London Film Festival 2014



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