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Mommy


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Publicado em 22 de Outubro de 2014

Mommy, de Xavier Dolan.

Depois da curiosidade despertada por Tom na Fazenda, Mommy foi para mim o filme mais esperado desta edição do London Film Festival. Não apenas porque eu indiscretamente apostara todas as fichas em Xavier Dolan no último Cannes (aposta parcialmente vencida, pois o prêmio do júri fora dividido com Godard), mas também porque é absolutamente raro na indústria cinematográfica surgir um jovem com tamanha sensibilidade e maturidade precoce.

O efeito antecipado da troca de razão na tela – o filme foi filmado com uma proporção menor que a tela cheia e em um certo momento, ela se expande, enriquecendo as experiências dos personagens -, não é mero conhecimento de técnica. Não é apenas uma questão de ângulo, digo, parodiando um de seus personagens. Dentro do enredo, provoca epifanias, como se o espectador dissesse para si: “Agora vai dar certo! Vou crescer, ser feliz!”. E pouco depois tudo volta à proporção reduzida.

Consegui me aproximar dele no tapete vermelho. Eis o que conversamos:

Moviola: “Oi, Xavier. Eu preciso confessar que este era o filme mais esperado no festival.”

Dolan: “Obrigado. É a história deste garoto charmoso de 15 anos, com uma doença comportamental, certas vezes violento, que acaba confundindo sua mãe. Às vezes, ela não sabe o que fazer. Num momento em que eles se mudam e ela resolve investir num bom ambiente familiar, ela acaba encontrando uma vizinha, que é muda. A vizinha acaba lhes oferecendo ajuda e juntos eles vão construindo uma amizade, tentando ficar melhor juntos.”

Moviola: “Quando assisti à Tom na Fazenda percebi que você não apenas dirige, mas é responsável por várias outras funções, como figurino, atuação, roteiro. Neste novo filme, você não é o roteirista. Como foi delegar essa tarefa?”

Dolan: “A verdade é que eu tento fazer o que adoro e eu amo cuidar do figurino, da edição. Não se trata de delegar, sabe, há tantos departamentos numa produção cinematográfica. Eu estou cercado de muitas pessoas talentosas, a quem admiro e com quem aprendi nos últimos cinco anos. Há coisas que eu sinto que eu talvez não seja a melhor pessoa do mundo para fazer, mas ainda assim eu sou o melhor para aquele filme, para os meus filmes. Quando escrevo, eu já o vejo editado. E ao meu redor tem dezenas de pessoas que têm ideias diferentes das minhas, que me dizem que aquilo está errado, que eu deveria fazer assim, assado. Então, eu sou muito sortudo por ter essas pessoas do meu lado, que estão dando forma ao trabalho e me fazendo crescer.”

Moviola: “E quantas mais histórias você tem na cabeça?”

Dolan: “Muitas. E já tô preocupado que não vai dar tempo de contá-las todas. Não é que eu planeje que vou fazer um filme por ano, não é uma meta, não quero trabalhar na pressão, rápido. Agora, por exemplo, eu não tô filmando. Eu tento criar no meu próprio ritmo e toda vez que eu me sinto inspirado, eu tenho a sorte de contar com pessoas que colaboram comigo no meu jeito de expressar. Também preciso dizer que eu paguei do meu bolso a maioria dos meus filmes. Tudo começa com uma ideia, e não dá para eu forçar uma barra, tipo ‘agora preciso escrever, tenho de ter uma ideia’.”

Moviola: “Muito obrigada.”

Mommy, de Xavier Dolan (Canadá, 2014)

Veja a cobertura completa do Festival do Rio 2014

Veja a cobertura completa do London Film Festival 2014



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