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Dancing Arabs


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Publicado em 15 de Outubro de 2014

Dancing Arabs, de Eran Riklis.

Após ser cancelada a apresentação ao ar livre no Festival de Jerusalém, devido às tensões atuais, Dancing Arabs aporta em território britânico. O árabe-israelense Eran Riklis (Lemon Tree, A Noiva Síria) adaptou a história autobiográfica de Sayed Kashua, cujas experiências são do ponto de vista de um árabe que vai estudar numa renomada escola judia.

O absurdo dos conflitos étnicos se mostra diluído na troca de identidade entre Eyad (Razi Gabareen, como menino, e Tawfeek Barhom, adolescente) e Jonathan (Michael Moshonov). Ao efetivamente se passarem um por outro, trocando documentos, os jovens revelam por metonímia a intrínseca dicotomia identitária presente no Estado de Israel. 1969, 1982, 2014 se transformam em reedições das hostilidades de dois povos que dividem o mesmo território, costumes parecidos, fés arraigadas e culinária afim.

Interessante que Eyad se apaixona por uma jovem judia, de classe social mais elevada que ele. Como num presságio metalinguístico, o diretor nos atenta para o que virá: a constatação do amor inatingível, impossível, ocorre pouco depois que o casal de namorados sai do cinema, ao ter visto Asas do Desejo, de Wenders, também uma história de amor impossível, entre um anjo e uma acrobata. Repare que, como em As mil e uma noites, a cena de Wenders não vem com imagens, mas apenas com os sons. A te hipnotizar para a moira árabe-israelense, ou em outras palavras, o destino, a separação, o êxodo.

Pontilhado de ícones que parecem estar fora de lugar – a máscara de gás, as músicas de Joy Division, a literatura de Amos Oz , Dancing Arabs não compõe melodia. A sua música atonal desemboca na imobilidade de Jonathan, que sofre de distrofia muscular. Não se trata de nenhuma narrativa gótica, ou seca, mas antes um modo lírico de reconhecimento da inabilidade de terminar essa música, e então a música acaba porque o refrão é repetido infinitamente: 1969, 1982, 2014…

Dancing Arabs, de Eran Riklis (Israel, 2014)

Veja a cobertura completa do London Film Festival 2014



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