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Rio, Mais Cinema, Menos Cenário


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Publicado em 26 de Setembro de 2014

Rio Mais Cinema Menos Cenário

Antes dos filmes, a política, porque cinema não se faz sem política (ao contrário do que “Rio, Eu Te Amo” dá a entender). Não, nossa cidade não é apenas um cenário paradisíaco onde produtoras estrangeiras – e brasileiras, por suposto – se aproveitam da bonança da RioFilme para propagar clichês aviltantes que corariam de vergonha “Don’t Blame on Rio!”. No vale-tudo da propaganda, que transforma até a arara azul de Carlos Saldanha em mascote do Reiveillon, a culpa é do olhar caduco das secretarias de cultura do município e do estado (especialmente sob o prefeito Eduardo Paes e os governadores Sérgio Cabral Filho e Luiz Fernando Pezão), que dirigem em voo cego a produção audiovisual carioca e fluminense, as quais deveriam fomentar, mas que deixam morrer.

Felizmente, contra a inanição das esferas públicas – cujo estopim foi o cancelamento do edital não reembolsável da RioFilme, enquanto o “guichê do mercado” tinha o seu garantido –, pequenas produtoras, cineastas e profissionais do audiovisual carioca lançaram o movimento “Rio, Mais Cinema, Menos Cenário”, reivindicando mais diálogo e mais espaço nas políticas adotadas. O primeiro ato foi na abertura do Festival do Rio, no Teatro Oi Casa Grande, durante a exibição de “O Sal da Terra”, com panfletagem e a participação do Coletivo Projetação. As manifestações continuaram no Cinépolis Lagoon que, a despeito do nome, este ano recebe a Première Brasil: preenchendo sua cota de tela já em setembro, não precisará exibir filmes nacionais até o ano que vem.

Entre os organizadores e participantes do movimento (na página http://facebook.com/maiscinemamenoscenario e na hashtag #maiscinemamenoscenario), muitos têm filmes no Festival do Rio, em uma abertura admirável da curadoria. No entanto, depois do festival, são poucas as chances de entrarem no circuito comercial. Não há salas, as que existem são multiplexes voltadas para blockbusters (internacionais e nacionais), e as poucas alternativas mal sobrevivem, como o Estação – que quase faliu –, o Ponto Cine Guadalupe e o Cine Santa. E o que dizer do Odeon, glória do cinema de rua do Rio de Janeiro, que fechou as portas, talvez em definitivo? E do Leblon, que só continuará porque se permitiu a construção sobre ele de um prédio de cinco andares? E cadê o Paissandu?

Já sem lugar na exibição, o audiovisual carioca também foi desalojado da outra ponta, da produção. O movimento “Rio, Mais Cinema, Menos Cenário” reconhece e não nega a importância da indústria e do cinema comercial para o Rio de Janeiro. Mas a questão está errada, trata-se do inverso: a prefeitura e o estado é que desconhecem seu papel quanto ao cinema autoral, de inovação e de experimentação. Se aqueles que necessitam do apoio dos poderes públicos não os têm, para que diabos servem os poderes públicos? O Estado deve proteger os fracos, não servir os fortes. É preciso que os valores que fundamentam as secretarias municipal e estadual de cultura sejam revistos, porque elas não representam uma extensão do mercado, e sim os interesses da população da cidade e do estado do Rio de Janeiro.

Que se dê voz e lugar, em nossas políticas públicas e em nossas salas de exibição, às múltiplas expressões do audiovisual carioca e fluminense. A Revista Moviola apóia integralmente as reivindicações de “Rio, Mais Cinema, Menos Cenário”.

Veja a cobertura completa do Festival do Rio 2014



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