Revista Moviola – Revista de cinema e artes » The Grand Budapest Hotel

The Grand Budapest Hotel


Por

Publicado em 7 de Março de 2014

The Grand Budapest Hotel, de Wes Anderson.

(Londres, Moviola) – Para o lançamento de The Grand Budapest Hotel em Londres, Wes Anderson associou-se ao Secret Cinema e juntos reconstruíram a atmosfera dos anos 30 num set no centro de Londres. O Secret Cinema é uma boa ideia de Fabien Riggall, em que até o último minuto os espectadores não sabem que filme irão ver. Desta vez, foi diferente. Não divulgaram a locação.

O Secret Cinema construiu em duas semanas um cenário de hotel perto de uma estação de trem central em Londres. Os espectadores vão até um ponto-de-encontro, onde concierges, vestidos como o personagem de Zero (Tony Revolori), te levam até o cenário. À entrada, você precisa deixar seu celular para que se evitem fotos nas redes sociais e em troca recebe a “chave do quarto”. São quatro andares onde atores encenam performances que se relacionam ao filme e o espectador precisa percorrer o hotel, pois não se sabe o que está por vir. Se você entrar na brincadeira, como eu, que fui uma francesa bem blasé com enjoo por conta da viagem exaustiva de trem até Budapeste, vai receber códigos que te darão direito a drinques. Do contrário, terá de pagar pelo que comer e beber (há um restaurante no hotel. Prato principal: goulash).

Depois de duas horas de happenings e valsas, você é guiado para a sala de projeção. Você vai junto com os convidados do hotel, que podem ser da imprensa, do mercado cinematográfico, ou simplesmente vizinhos. O Secret Cinema convidou os locais como uma política de boa vizinhança para não haver reclamações contra o barulho. A festa pode então começar.

Wes Anderson é mestre em criar um “mundo estranho” e bem diverso das outras estruturas de filmagens. Certamente por isso, estabelece parcerias fieis, como Bill Murray, Edward Norton e Owen Wilson, e inicia novas colaborações com quem está em alta, como Jude Law, Ralph Fiennes e Tilda Swinton. Seu idealismo é ingênuo e obsessivo, ao repetir símbolos e estruturas narrativas. Recorrentes são os alçapões, as escadas, a família com crianças, as escapadas infantis, o detalhismo da fotografia de conto-de-fadas, o amor pueril. Aos 44, Wes ainda não matou a sua criança interna – ainda bem! –, é isso o que nos faz fruir seus filmes.

De certo modo, também em The Grand Budapest Hotel somos convidados para um Clube do Bolinha do diretor texano, onde miniaturas, maquetes, livros de histórias e plaquinhas de HQ enriquecem a fantasia e o humor. Este longa é muito semelhante ao seu anterior, Moonrise Kingdom, não sei se melhor ou não. Wes Anderson ainda está à procura de sua obsessão infantil. O notável dessa egotrip é que as generosas contribuições dos atores se harmonizam a esse mundo tão pessoal.

The Grand Budapest Hotel, de Wes Anderson (Idem, 2014, EUA)



Deixe um comentário

(obrigatório)

(obrigatório)


Dê a sua opinião. Mas lembre-se: os comentários serão moderados. Apenas após análise dos editores eles serão postados.



RSS feed para comentários deste artigo | TrackBack URL

 

Por Revista Moviola

19 de Abril de 2018

  A mostra Corpos da Terra, cujas produções selecionadas refletem sobre a resistência indígena no Brasil atual, tem sua segunda edição entre os dias 20 e 23 de abril. O evento é realizado em parceria com o CineMosca e, além da exibição de filmes, terá mesas de discussão sobre a diversidade de mundos indígenas em […]

Por Revista Moviola

17 de Abril de 2018

  A dica de um precioso acervo para entender a situação indígena no Brasil atual é da jornalista Raquel Baster, mineira que vive atualmente no estado da Paraíba e colaborada com algumas atividades do Movimento da Mulher Trabalhadora Rural do Nordeste (MMTN-NE), entre elas, a oficina de roteiro para o documentário Mulheres rurais em movimento (2016), filme […]

Por Revista Moviola

14 de Abril de 2018

O documentário O desmonte do Monte, dirigido por Sinal Sganzerla, aborda a história do Morro do Castelo, seu desmonte e arrastamento. O Morro do Castelo, conhecido como “Colina Sagrada”, foi escolhido pelos colonizadores portugueses para ser o local das primeiras moradias e fundação da cidade do Rio de Janeiro. Apesar de sua importância histórica e […]

Por Revista Moviola

12 de Abril de 2018

  O documentário Auto de Resistência, dirigido por Natasha Neri e Lula Carvalho,  aborda os homicídios praticados pela polícia contra civis no estado do Rio de Janeiro. As mortes e as violações dos direitos humanos acontecem em casos conhecidos como “autos de resistência” – classificação usada para evitar que os policiais sejam responsabilizados pelos homicídios, […]

Por Revista Moviola

11 de Abril de 2018

O filme Livre Pensar – cinebiografia Maria da Conceição Tavares homenageia uma das economistas mais importantes do Brasil e, particularmente, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A sessão de exibição do documentário ocorrerá dia 24 de abril, às 18h, no Salão Pedro Calmon da UFRJ (Av. Pasteur, 250, 2º andar / Urca). A […]

Anima Mundi Animação animações Brasil Cineclube Cinema cinema americano cinema brasileiro Cinema francês Crítica Crítica Cinematográfica crítico de cinema Curta Curta-metragem Curtas Documentário Entrevista Facha Festival Festival de Berlim Festival de Cannes Festival de Veneza Festival do Rio Festival do Rio 2009 Festival do Rio 2010 Festival do Rio 2011 Festival do Rio 2012 Festival do Rio 2013 festrio filme França Gay Literatura London Film Festival Luiz Rosemberg Filho Mix Brasil Mostra Mostra de Tiradentes Música Odeon Oscar Resenha Rio de Janeiro Versos É Tudo Verdade

WP Cumulus Flash tag cloud by Roy Tanck and Luke Morton requires Flash Player 9 or better.