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12 Anos de Escravidão


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Publicado em 24 de Outubro de 2013

12 Anos de Escravidão, de Steve McQueen.

(Londres, Moviola) – Aplaudidíssimo pelo público do London Film Festival, 12 Anos de Escravidão tem tudo para correr por fora e ser a grande surpresa do Oscar em 2014. Um prestigiado jovem diretor negro inglês, Steve McQueen (Hunger, Shame), se depara com um livro sobre a escravidão que aparentemente é desconhecido de todas as pessoas, pelo menos daquelas que fazem parte de seu círculo de amizade. The Narrative of Solomon Northup narra a saga de um músico educado e casado (Chiwetel Ejiofor) que vai para Washington atrás de uma proposta de emprego. Lá, acabou sendo enganado e levado como escravo para os campos do Sul, onde permanecerá até que seja ajudado por um abolicionista canadense (Brad Pitt), prestador de serviços ao carrasco fazendeiro (Michael Fassbender). Mas até isso acontecer, o público é submetido a torturas e torturas. Uma mistura de Escrava Isaura com A Cor Púrpura e A Outra História Americana.

Um pouquinho atrasado, depois dos mais recentes filmes sobre a escravidão nos Estados Unidos, ou seja, após Lincoln e Django Livre, 12 Anos de Escravidão se distingue por se tratar mais de um evento mundial e não exclusivamente norte-americano. McQueen não vai tão fundo nas especificidades características dos Estados Unidos. A insistência em incluir Fassbender no elenco – é já o terceiro filme em que dupla trabalha juntos – desta vez é questionável. Seu sotaque é qualquer nota, pelo menos em comparação com o de Sara Paulson (Mistress Epps). No entanto, McQueen afirma: “Eu o valorizo tremendamente, desde 2007, quando ele veio para o primeiro teste de Hunger. Ele é o tipo de pessoa que, ao deixar o set de filmagens, os colegas choram”. Não resta dúvida: um ator com carisma é capaz de ajudar na qualidade do filme.

Na entrevista coletiva, arrisco: “Como diretor negro, você teve dificuldades de angariar fundos da indústria norte-americana do cinema?”. McQueen: “Uau. Que pergunta interessante (e sorri entre dentes). Não. Não do jeito que talvez as pessoas possam imaginar. Tive o apoio de Brad Pitt (ator e produtor) e as pessoas na Fox acreditavam no tema”.

Como cidadã de país ainda marcado pelos terríveis anos de escravidão, posso entender o seu ponto de vista, a despeito de todo o talento e ajuda. O cinema ainda não é tão receptivo aos negros, como a música ou o esporte. Foram pouquíssimos os negros premiados pela Academia do Oscar.

Considerando isso, 12 Anos de Escravidão tem tudo para agraciar o desempenho de Ejiofor, que me diz: “É a história de um homem que passa por uma série de sofrimentos e mesmo assim é memorável a sua conduta na vida e com as outras pessoas. Ele continua como um sobrevivente do sistema porque ele navega ao longo do tempo, adaptando-se, sendo flexível”.

12 Anos de Escravidão, de Steve McQueen (12 Years a Slave, 2013, Estados Unidos / Grã-Bretanha)

Trailer do Filme:

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Veja a cobertura completa do London Film Festival 2013



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