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Philomena


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Publicado em 20 de Outubro de 2013

Philomena, de Stephen Frears.

(Londres, Moviola) – Atrasado por conta do voo, Stephen Frears se junta aos colegas Judi Dench, Steve Coogan e Jeff Pope (produtor) à mesa da coletiva, dizendo: “Em Veneza, ganhamos o prêmio de melhor filme católico. Nós também ganhamos o prêmio de melhor filme ateu”. Justamente, Frears, este é o ponto-chave de Philomena: querer agradar a gregos e troianos.

Baseado numa história real – a verdadeira Philomena está viva – o novo longa do diretor de Ligações Perigosas e A Rainha é muito bem estruturado pelo ator e roteirista Steve Coogan, que vive o jornalista contratado por Philomena para achar seu filho após décadas. Philomena, mãe solteira irlandesa, deixara-o num convento, mas por alguns anos ainda pôde conviver com ele, embora tivesse assinado um documento “liberando-se” dos encargos da maternidade. Descobre-se, então, que havia um verdadeiro negócio de venda de crianças entre a Igreja católica e pais, principalmente norte-americanos, que é onde o menino Anthony fora parar. Coogan (Martin Sixsmith), ateu convicto, a princípio está atrás de uma boa história que o redimirá do ostracismo da mídia, mas no decorrer dos 98 minutos engrandece-se como ser humano com a fé de Philomena.

Dame Judi Dench me diz: “O filme é sobre o poder do perdão. E o que é extraordinário é como duas pessoas bastante distintas lidam com isso. Ela perdera o filho, mas ganha algo valioso com a amizade de Martin”. E Coogan brinca: “Também pudera, como roteirista, dei todas as falas cômicas para você!”

Sim, em todos os momentos Philomena veste a sua experiência com tons de otimismo. No encontro entre Dench e a personagem-título, a atriz, cuja mãe era irlandesa (o sotaque, portanto, é de berço), percebera que Philomena era irresistível. “Não devemos vendê-la facilmente, porém. A minha responsabilidade era com a verdade e tratei de deixar claro no filme que em nenhum instante ela se esquecera do filho”. Sim, Dame, isso está claro em todas as nuanças da sua arte.

Sobretudo, afirma Pope: “Não podemos julgá-la com os padrões modernos”. Humm, aí é que são elas. A indignação e raiva de Martin diante da injustiça das freiras – não vou contar tudo para não perder a graça – é fichinha diante do que poderia ter sido feito judicialmente. O bom senso nos diz que a lógica (religiosa) vence a emoção (raiva do ateu), mas Frears e Coogan pegam leve na pena. Não há redenção enquanto não houver punição. Mas, enfim, o filme é sobre o perdão.

É muito provável que Philomena agracie Judi Dench com uma indicação ao Oscar e seria mesmo louvável esta escolha. Vamos acompanhar.

Philomena, de Stephen Frears (Philomena, 2013, Grã-Bretanha / Estados Unidos / França)

Trailer do Filme:

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Veja a cobertura completa do London Film Festival 2013



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