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Abuso de Vulnerável: Entrevista com Isabelle Huppert


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Publicado em 16 de Outubro de 2013

Abuso de Vulnerável, de Catherine Breillat.

Abuso de Vulnerável, de Catherine Breillat (Abus de Faiblesse, 2013, França / Alemanha / Bélgica)

(Londres, Moviola) – Isabelle Huppert nutre uma amizade de 20 anos com a diretora Catherine Breillat e foi por conta disso que Huppert aceitou interpretá-la em Abuso de Vulnerável. “Só você pode fazer este filme e tem de ser logo, antes que eu morra”, brincou Breillat. Inebriada com um gole de prosecco e, obviamente, com a diva intelectual do cinema francês, depois da projeção, conversei um pouco com Huppert e Breillat sobre “as fraquezas humanas”.

Huppert interpreta Maud, uma diretora que sofre um derrame e que, mesmo com seu corpo parcialmente paralisado, contrata um protagonista canastrão como estrela de seu próximo filme. A partir daí, começa-se a estabelecer uma relação de extorsão e masoquismo, um verdadeiro jogo de poder entre os dois, que culminará obviamente na falência concreta e emocional de Maud.

Huppert me diz: “Eu não pensei muito antes de aceitar o papel, pois a minha relação com Breillat foi quem me guiou. Não foi difícil interpretá-la. Este filme não é apenas autobiográfico, mas é sobre as fraquezas, sobre o jogo de poder entre um homem e uma mulher, sobre quem é mais forte e quem é mais fraco”. E, claro, não resisto: “E qual a sua fraqueza, Huppert?” “Ah, boeuf, são tantas, não posso escolher apenas uma.”

Um gole de prosecco.

A Breillat, questiono se com este filme ela fechou um ciclo. “Não. O ciclo jamais se fecha; do contrário seria a morte”, e me olha de um modo bem agudo, vivo. Nas filmagens, ela não deu muito espaço para a improvisação, ou melhor, não deu nenhum, mas quis que os atores a surpreendessem. Parece-me, de sua expressão, que eles realizaram o feito. Sobre o colega Kool Shane (codinome para Bruno Lopes), Huppert elogia o seu ritmo e instinto natural para interpretar – o ator é cantor e compositor também. Diz que ele trabalhou duro na construção do papel e nas filmagens.

Pessoalmente, o filme cai num tom de mesmice e repetição (da extorsão e do sofrimento físico) que me aborreceu um pouco. Sim, Maud, no início, quer a todo custo reaprender a rir e Huppert mesmo diz-me: “O filme é engraçado”. Entretanto, o senso de humor do filme é uma dolorida ironia, muito à francesa, e longe do riso solto, rejuvenescedor.

Desculpe se lhe estrago este prazer, caro espectador e leitor, mas Maud recita, ad nausea, este sintagma, “era eu e não era eu”, para esquivar-se de uma condenação familiar. Huppert, então, concorda comigo que a arte de interpretar é esse sintagma acima: sou eu e não sou eu.

Os próximos projetos de Huppert incluem o teatro em Paris. Vai fazer Malraux. “Ah!”, solto. E Huppert me pergunta, curiosa, se tem tradução em português. “Sim, claro!”. S’il vous plait, amigos tradutores, cubram esta lacuna por mim, caso eu tenha sido leviana na afirmação. Não poderia desapontar Huppert no primeiro encontro!

Trailer do Filme:

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