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Diego Star


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Publicado em 30 de Setembro de 2013

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Traoré é um marinheiro costa-marfinense veterano que trabalha como segundo-engenheiro de um navio russo, o Diego Star, que dá nome ao filme, uma co-produção belgo-canadense dirigida por Frédéric Pelletier. Traoré é o único negro da tripulação, composta na sua maioria de maquinistas de países islâmicos e oficiais russos. Por isso, quando há uma avaria técnica no motor do Diego Star, forçando a tripulação a se abrigar num pequeno porto do Canadá, Traoré é pressionado por seu comandante a assumir a culpa.

Porém, no inquérito levado a cabo pela capitania dos portos canadense, o marinheiro africano revela às autoridades que a falha no navio não foi por conta de um erro humano, mas sim pelo estado de deterioração das válvulas do navio, que não são substituídas há tempos, devido ao descaso dos armadores russos. Quando o comandante e seu imediato percebem que Traoré os denunciou, seu pagamento atrasado é cancelado, e há uma forte pressão para que toda a tripulação se vire contra o africano.

Paralelo a seus problemas no navio, o filme segue a rotina de Traoré em terra firme. Todos os tripulantes do Diego Star são hospedados, com as despesas devidamente pagas pelo seu contratador, em casas de funcionários do porto de Lévis, pequena cidade-satélite de Québec onde o navio ancorou.

Traoré é realocado para a casa de Fanny, uma jovem e bela garçonete da cafeteria do porto. Fanny é uma mãe solteira com problemas em conciliar o emprego e seu filho Jérémie, um bebê de colo. Como Traoré tem muita empatia com crianças, dada a enorme saudade que sente de seus filhos crescendo na Costa do Marfim, ele logo começa ajudar Fanny com o filho e nas tarefas domésticas, estabelecendo um sutil elo emocional entre os dois.

No meio da neve do norte do Canadá, Traoré se envolve em uma espécie de “lugar nenhum”, onde ele é um estranho em todos os sentidos: um africano em terras frias, um marinheiro em terra firme e, quando sua atitude rebelde frente aos seus chefes no Diego Star se torna insustentável, também sem navio.

Com sua demissão, Traoré é impedido até mesmo de entrar no porto, ao mesmo tempo em que não tem documentos para estar um país estrangeiro. Para piorar mais, a empresa cancela o pagamento de hospedagem de Traoré a Fanny, que descobre da pior maneira que o africano foi demitido da empresa. Depois de uma pesada discussão com o marinheiro, Fanny o expulsa de casa, forçando Traoré a ir se refugiar na igreja da cidadezinha, onde ele já passava os dias de trabalho, logo após sua demissão.

Talvez a cena mais impressionante do filme seja a de seu clímax, quando Traoré tenta desesperadamente furar a guarda do porto e voltar para dentro de seu navio. Racionalmente ele sabe que não há sentido nenhum nessa ação, mas Diego Star representa para ele o único lar possível, uma vez que é também a única maneira de ele ter alguma legitimidade naquele “lugar nenhum”. A mensagem mais subliminar do filme parece ser a de que um ser humano só existe quando ele trabalha, quando ele paga, quando ele mora.

 

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