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Girl rising


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Publicado em 20 de Setembro de 2013

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(Londres, Moviola) – Fui convidada para uma sessão especial de um documentário sobre meninas desassistidas pelo mundo afora, Girl Rising (ainda sem tradução em português). Mesmo considerando que o evento recebera o apoio da Intel, para uma segunda-feira de noitinha, pareceu-me uma ótima pedida.

Girl Rising é uma espécie de interstício entre um falso documentário, onde a vozes narrantes têm muito mais poder sobre o telespectador do que as personagens em si, e uma propaganda de organização humanitária. Como sabemos, o legado de séculos de imperialismo britânico em nações pobres deixou certo sentimento de culpa nos abastados da Ilha e, por conta disso, os britânicos se envolvem bastante em questões humanitárias para “salvar a humanidade” e contribuir com umas libras esterlinas adotando crianças e animais à distância. Daí, o apelo a essa plateia; trata-se de um assistencialismo que chegou às telas grandes. No caso deste filme, o premiado diretor Richard Robbins, documentarista da TV americana, se valeu da narração de atores do calibre de Meryl Streep, Cate Blanchett, Liam Neeson, Anne Hathaway e Selma Hayek para contar a história de nove garotas em diferentes partes do mundo, que sofreram de abusos, escravidão infantil ou injustiças melodramáticas, e salientar que investir na educação de meninas é a solução para erradicar uma série de problemas.

O tom do documentário é  para que você se engaje numa campanha social e educacional. É sem sombra de dúvida um documentário engajado e, portanto, muito menos aberto à espontaneidade de se filmar um ‘doc’, já que nitidamente sabe-se que há um roteiro pré-elaborado. Os gráficos e estatísticas sobre o investimento na educação de garotas são o argumento principal para te convencer de que o feminismo ainda é uma causa pela qual vale a pena lutar. Sim, considere, por exemplo, uma menina que nasce no Afeganistão e que já desde o nascimento é rejeitada pelos pais pelo simples fato de ter genótipo XX. As chances de ela se casar aos 12, 13 e permanecer analfabeta são altas.

A questão é que esse tipo de filme transforma-se em algo datado e comprometido com causas, o que impede que o elemento artístico prevaleça. É um filme de alerta, em que a estética não é algo considerado primordial; não é um filme para emocionar gerações futuras; é uma obra que requer uma resposta ativista no momento presente. Dito isso, serve para que nós saiamos do nosso mundinho confortável – lembre-se, você é um(a) privilegiado(a), porque tem acesso a uma sala de cinema – e comparemos a realidade da mulher brasileira com a de uma de Serra Leoa ou Peru. Porém, é também uma realidade presente em localidades no Brasil, em que a educação é uma bandeira para relatórios da ONU, mas ainda não uma prática capaz de criar um diferencial.

 

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