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The Stone Roses: Made of Stone


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Publicado em 13 de Julho de 2013

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(Londres, Moviola) – Os grupos de rock começam. Os grupos de rock acabam. Os grupos de rock querem começar de novo. Há algo de errado nisso? Não, se para ressuscitar uma banda depois de 15 anos você organizar um megashow para 75 mil pessoas, na sua cidade natal, no caso Manchester, e contratar um diretor carismático a nível nacional para fazer um documentário. Pois bem: foi o que os Stone Roses fizeram.

A première de Made of Stone foi concomitante em 200 salas pela ilha, no final de maio deste ano, mas a sede do evento, transmitida via satélite, foi numa sala grande com acústica duvidosa, segundo o próprio Shane Meadows (This is England) admitiu. Vá lá, vá lá, os Roses só precisaram ficar três minutos no palco antes da exibição e o único que soltou a palavra foi Ian Brown. Ao final da projeção, com direito a microfone aberto para a plateia, apenas o diretor e o produtor, Mark Herbert, voltaram. Humm, as bandas querem começar de novo, mas daí à realidade são outros quinhentos.

Como documentário Made of Stone está na medida, enquadradinho no que o público fiel espera deles. Veja, você, que nem mesmo a luz do meu celular, eu podia deixar aparecer, porque o fã ao meu lado, de mochila e saco de dormir, reclamou. E não queira nem saber a cara que ele fez quando perguntei o nome de uma música! Enquadradinho, porque até um clímax Meadows conseguiu estabelecer. Vou voltar a ele na hora certa.

Meadows não é conhecido por fazer documentários. Ele teve de se adaptar às vicissitudes de registrar os ensaios e uma míniturnê europeia, sem muito esquema, sem saber o que iria acontecer quando 37 câmeras em Heaton Park estivessem ligadas. Sua equipe coletou algumas imagens de arquivo, dentre elas a do primeiro show, em 1984, e uma entrevista constrangedora, em que nem Ian Brown nem John Squire sabiam o que responder a pergunta: Como vocês reagem quando o público sai no meio do show? A resposta: “Depende da pessoa.”

Também mostra a entrevista coletiva em que eles anunciaram a volta: “Isso é uma ressurreição ao vivo. É melhor vocês terem cuidado”, disse Ian aos jornalistas, no Soho Hotel, em 2011. E jocosamente divide, em cartões-postais, as expectativas dos jovenzinhos do Norte da Inglaterra quando começaram a sair da garagem: “Ah, que legal! A gente vai tocar em Berlim, em Copenhague e na Holanda”. Meadows cita Hitchcock, em voice over, dizendo sobre o processo criativo, e cita também William Burroughs. Enquadradinho, indeed. No entanto, o diretor afirma: “A gente não conversou sobre o que aconteceu com a banda [quando se separaram].” Nem precisou: quase aconteceu de novo.

Por ironia, o clímax de Made of Stone foi em Amsterdã, na míniturnê antes do grande concerto renascentista em Manchester. Assim que o show acabou, o baterista Reni entrou na van, sem camisa, e puto da vida, aparentemente com a qualidade do som. Não voltou para o bis. A plateia, civilizadamente enfurecida (o que para os de Flandres significa fazer gestos obscenos à câmera, mas sem causar verdadeira arruaça), escutou uma desculpa sem graça do cantor: “Não tô brincando. Não vai dar para ter bis”. E neste momento, o diretor, tendo voltado ao hotel, rompe a quarta parede e conversa com o telespectador: “Não sei o que vai acontecer daqui para a frente. Se o filme acabar aqui, vai ser um final de merda”.

Mas bem, não acabou: teria uma catártica performance de Fools Gold diante de 75 mil pessoas. Inventiva, comovente, delirante catarse. The end.

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