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Homenagem a Terence Stamp


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Publicado em 20 de Maio de 2013

Terence_Stamp

 

(Londres, Moviola) – Dificilmente, encontra-se hoje em dia um ator com tamanha presença e distinção como Terence Stamp, homenageado pelo British Film Institute (BFI). Ele não apenas se sente à vontade no palco, emanando na aura um certo fascínio retrô que nos impede de olhar alhures, mas o palco é verdadeiramente a sua casa. Uma prova? Stamp chega à homenagem a si, para apresentar um filme que lhe é muito caro, de chinelos. E, ao tropeçar nas escadas, simplesmente tira os chinelos e recebe os aplausos descalço.

O filme que lhe marcou, que reviu três vezes entre os quatro e 18 anos, é O fio da navalha, de 1946, com Tyrone Power e Gene Tierney. Não que à época Stamp tivesse consciência de todos os dramas existenciais do enredo baseado no livro de Somerset Maugham, um dos grandes escritores do entre-guerras, mas como ele próprio salientou: “ O fio da navalha’mudou a minha vida de um jeito que eu não percebi bem. Durante a minha infância e adolescência, eu fiquei viciado em cinema. Quem me levava às salas de Plaistow, hoje uma “Little Mumbay”, era meu tio. Eu queria ser o Tyrone Power, eu queria ser o Gary Cooper, e quando vi O fio da navalha não sabia muito o que perguntar a meu tio Harry. Ver o filme era como vislumbrar um gato e depois correr assustado”.

Na série de filmes protagonizados por Terence Stamp, a qual o BFI irá apresentar este mês de maio, a gente pode acompanhar essa lição de influência, de aura das divindades hollywoodianas. Stamp fez coisas tão diversas quanto Teorema, Superman, Priscila: a rainha do deserto, Electra e O estranho. Como ele mesmo diz: “Eu acho que o que ficou comigo deste filme, por mais estranho que pareça, foi que eu sabia que havia algo não dito, que também não estava escrito no livro de Maugham”. E sugere, com as suas pausas significativas, que o que não está dito não é necessário dizer, porque a sua compreensão prescinde do verbal.

Perguntado sobre esse efeito entre intimidade e distância, evidente em O fio da navalha, o premiado ator relata: “O que aconteceu comigo, com respeito a atuar em filmes, foi uma bênção. O primeiro homem que vi em cena foi Cooper. Eu tinha quatro anos. Nele, havia algo sobre o Outro. Alguns atores parecem incorporar algo além da ação, o que causa um certo estranhamento para a plateia. Não se pode desviar o olhar de Montgomery Cliff, de Marlon Brando, de James Dean. Eu não sabia como eles faziam isso. Conversei com Olivier sobre isso, mas ele apenas tinha esse dom quando interpretava Shakespeare. E, de certo modo, isso ainda é um mistério para mim”.



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