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Em transe


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Publicado em 12 de Abril de 2013

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(Londres, Moviola) – Em transe é o mais novo projeto finalizado de Danny Boyle, famoso por Trainspotting e por organizar a cerimônia de abertura das Olimpíadas de 2012. A Moviola acompanhou o lançamento de Em transe (27/3), em Londres, uma sessão que contou com a simpática presença de Boyle.

Vincent Cassel, que acabou de se mudar para o Rio de Janeiro, é Franck, um cara barra pesada que planeja roubar um Goya durante um leilão em Londres. Ele mantém um infiltrado na equipe dos leiloeiros, Simon (James McAvoy, que não à toa lembra muito o Ewan McGregor jovenzinho em Trainspotting), que acaba pensando por conta própria (será mesmo? Preste atenção.) e inverte os planos de Franck. O resultado é que Simon sai ferido do assalto e acaba esquecendo onde escondeu o Goya. O modo para desvendar este mistério é submetê-lo a uma série de hipnoses, guiadas por Elizabeth (Rosario Dawson).

Boyle não amalucou como Herzog em Coração de cristal, de 1976, filme em que os atores recitam sob a influência da hipnose, mas quase. Boyle admite que, em sua obsessão, repete sempre o mesmo filme, mas acrescenta: “Dessa vez, quis que meu personagem feminino fosse realmente importante”. E por sua predileção pelas minorias, a escolha de uma atriz negra não é casual. “A gente sempre tenta recriar a inocência da primeira experiência, do primeiro filme. Aqui, eu quis que você entrasse em transe, com a voz de Elizabeth, com as imagens duplas de Simon. Ele frequentemente é visto como dois, e isso lhe deve sugerir que algo está errado. Quis te mesmerizar. […] Alguns atores, quando estão atuando, entram numa espécie de transe. Outros não, são muito lógicos”, explica o diretor. Durante as duas semanas de ensaio, os atores entraram em contato com a hipnose, através de um clínico que ajudou no roteiro.

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Boyle joga um pouco com o surrealismo, tempera seu “Transe” com torturas à la Laranja mecânica, de Kubrick, e descontinuidades narrativas à la Performance, de Nicolas Roeg, duas influências assumidíssimas, mas Em transe não vai entrar para o seu subconsciente como Kubrick e Roeg. Há coisas intuitivas no processo de criação de Boyle, sim, como a decisão de filmar Simon repetidamente batendo no vidro, que é uma dica para você percorrer os simulacros da trama. E como esperado, a trilha sonora está na medida. Grande renascimento ao Bowie neste ano, também em Boyle. — Tive um insight! Acabo de me lembrar que Bowie foi presa também de Roeg. Ah, talvez não existam mesmo coincidências.

Boyle gosta de pensar em bolhas. Diz: “Quando os atores chegam para as filmagens, ou os primeiros dias de ensaio, eles estão dentro de uma bolha, uma bolha dos outros trabalhos. Então, você tem de destruí-la e colocar outra bolha no lugar. Mas eu tento fazer isso com certa liberdade, porque o cinema é movimento”. Uma pena que “o aspecto líquido do celulóide”, como Boyle caracteriza o modo antigo de se fazer cinema, tenha se perdido, para o modo preciso, à laser, do digital. Nestas bolhas novas que Boyle está recriando os atores ainda não flutuam, sob água ou vácuo. Talvez falte um pouco mais de densidade e sobre sugestão. Continue tentando resgatar a inocência de Trainspotting. Uma hora acontece.



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