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Argo leva mais dois prêmios no BAFTA 2013


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Publicado em 27 de Fevereiro de 2013

Argo
(Londres, Moviola) – Todo mundo sabe que premiações como o BAFTA e o Oscar são movidas por um interesse da indústria do cinema para incentivar quem pode render mais no futuro e homenagear os injustiçados do passado. Não obstante, a gente fica torcendo pelos nossos “queridinhos” e esperando que um dircurso arrebate a noite com emoção. A cerimônia do BAFTA, na noite chuvosa de 10 de fevereiro, no Royal Opera House, em Covent Garden, não foi exceção. A diferença é que o cinema britânico vive um raro momento bom hoje.

O mestre de cerimônias da noite foi Stephen Fry, um ator querido pelos seus pares e respeitado do público britânico. Ele desfilou seus jogos de palavras de humor contumaz – “Recebi um convite para me juntar a ‘Lincoln’, mas depois me dei conta de que era o ‘LinkedIn’ – e foi preciso no timing. Uma escolha acertada da Academia.

Argo, de Ben Affleck, levou o prêmio de melhor direção, melhor edição e melhor filme. A película estreou junto com o London Film Festival, em outubro de 2012, e juntou os esforços de Ben, de George Clooney e de um ex-companheiro de teatro de George, Grant Heslov, no roteiro. É uma trama criativa sobre um episódio real diplomático entre os Estados Unidos e o Irã, em 1979. Uma surpresa para quem desdenhava da popularidade melosa e descomprometida de Affleck, que se mostrou mais do que capaz e carismático.
Skyfall, melhor bilheteria por aqui em anos, foi contemplado como melhor trilha sonora (era previsível) e melhor filme de destaque britânico. Está até de bom tamanho para uma aventura. Palmas para Sam Mendes!

Esperava-se que Os miseráveis fossem agraciados com um record de estatuetas, mas, creio, a Academia foi justa ao premiar a Anne Hathaway como melhor atriz principal, a equipe de maquiagem, de design de produção e de som. Duvido um pouco que Victor Hugo se revire da tumba por conta do discurso emocionado de Hathaway. A premiação deve estar relacionada ao inquestionável sucesso do musical em West End e ao carisma do diretor Tom Hooper, que insistiu em que Russel Crowe pudesse cantar.

Cristoph Waltz levou para casa a estatueta por melhor ator coadjuvante, derrotando os magníficos atores Philip Seymour Hoffman, Tommy Lee Jones e Javier Bardem. Dajngo livre também saiu bem na categoria de melhor roteiro original (o filme é indescritivelmente tarantiniano; cujo tema principal é a vingança).

Ficou meio chato que Michael Haneke não mandou nenhum representante para recolher os prêmios de melhor atriz, para Emmanuelle Riva, e de melhor filme em língua não-inglesa. Está certo que há certa rivalidade franco-britânica, mas não precisava acirrar. Mais “Amour”!

Juno Temple levou o BAFTA de estrela novata e Anna Karenina levou o BAFTA de melhor figurino. A Academia deu um grande incentivo ao premiar o documentário Procurando por Sugar Man. No discurso de agradecimento, Simon Chinn e Malik Bendjelloul lembraram que o músico Rodríguez agora saiu do ostracismo. Não percam, vocês aí no Brasil!

A vida de Pi arrebatou o prêmio de efeitos especiais, afinal o filme é só isso mesmo, e o de cinematógrafo. (Que raio será isso?) Não apostei emValente para melhor animação, pensei que Tim Burton seria agraciado mais uma vez, e espero que The imposter (destaque de novato para a indústria britânica) e The swimmer (melhor curta) tenham espaço de exibição em terras tupiniquins.

Mas, com certeza, os três melhores momentos da noite, em gradação, foram: 1) a surpresa de Bradley Cooper ao saber que O lado bom da vida ganhara a estatueta por melhor roteiro adaptado. O filme fora uma obsessão pessoal do diretor David O. Russell, que, na verdade, é representado por Robert de Niro. David teve que fazer outras coisas antes de poder embarcar nesta história sobre seu filho que sofre de síndrome bipolar; 2) a homenagem a Alan Parker, introduzida por um de seus pupilos, Kevin Spacey. Se você se esqueceu de quem se trata, a gente lembra: Birdy: asas da liberdade, Fama, Evita, A vida de David Gale, Commitments, Coração satânico, entre outros. Alan disse que é um privilégio ser diretor e que essa chance não deve ser disperdiçada; e 3) Daniel Day-Lewis, agradecendo seu prêmio por melhor ator em Lincoln. Foi uma honra para Spielberg ele ter aceitado esse papel, e um deleite para nós que podemos assisti-lo.



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