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Motus – Perpétuo


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Publicado em 15 de Dezembro de 2012

 

“Quando, porém, olhei para o espelho, emiti um grito e o coração deu-me um choque; porque não foi a mim que vi, mas a carranca zombeteira de um demônio”

F. Nietzsche

 

Ele tentou examinar-se diante do espelho. Seus olhos tiveram dificuldade em decifrar os traços do rosto. Não dava para reconhecer aquele que, de certa forma, lhe era íntimo. Apenas algumas linhas na projeção imagética lhe devolviam a lembrança do ser que através dos anos fora se organizando para deixar transparecer o rosto de um estranho. Não bastava fixar o olhar na imagem no espelho. Quanto mais ele se esforçava para receber a imagem de seu próprio rosto, mais ela lhe escapava. Via apenas os olhos refletidos no espelho olhando para os seus próprios olhos. Tratava de fechar e abrir rapidamente as pálpebras para, quem sabe, poder surpreender a imagem, sem que ela o antecipasse na captação de si mesmo. Estranha batalha já perdida previamente. A imagem não ia ao descompasso, mas, ela era sempre simultânea. Quem sabe ele inventaria um estratagema, colocaria sobre a boca a palma da mão espalmada, cobrindo a parte inferior de seu rosto. Teria que fazer isso rapidamente, disfarçando o gesto, olhando apenas de soslaio. Mas, o outro era rápido, astuto e zombeteiro.  Tinha um cinismo no olhar e na boca, com os dentes trincados e raivosos, e uma expressão de ódio que o assustou. Quis afastar-se daquela imagem. Recuou cautelosamente, medindo os passos para trás para não ser alcançado, olhando os seus pés que arrastavam os velhos chinelos, que estes, sim, lhe eram fiéis e sempre o acompanhavam nos momentos mais solitários.

Como era cômodo chegar em casa depois de um dia de trabalho, enfiar os pés no par de chinelos velhos já surrados, herdados do velho tio que tanto viajara pela Europa, mas que só conservara como lembrança as pantufas de flanela encardidas pelo tempo. Se o tio esquecera tudo, elas, sim, guardavam a memória de tantos quartos de hotéis baratos, mal aquecidos para os invernos rigorosos nos que, para dormir, era necessário envolver os pés em folhas de jornal, ajustá-los num par de meias de lã e só depois forçá-los a se acomodarem no aconchego dos chinelos.

Boris fora se habituando ao repetido ritual da chegada da noite, na qual, ele, extenuando pelas horas em que era obrigado a deambular pelas ruas, distribuindo intimações, voltava ao aconchego de seu apartamento. Os pobres coitados que recebiam as intimações o olhavam assustados, sentindo-se condenados por uma justiça invisível, mas implacável. Mal podiam adivinhar o quanto ele, esse aparente enviado do demônio, sofria com o peso do corpo sustentado sobre um par de sapatos negros, estruturados num couro mal curtido. Doíam-lhe os pés aprisionados durante horas naquelas armaduras que impediam a circulação do sangue. Tratava de movê-los, mas as costuras dos sapatos agarravam-se as meias gastas e esfiapadas, e estas se emaranhavam entre seus dedos produzindo verdadeiras chagas.  Mas ele sofria a dor sem reclamar, como um castigo merecido por alguma culpa que não conseguia desvendar entre tantas outras que se adjudicava. De uma coisa tinha a certeza: os males vêm sempre por alguma razão. Nada é gratuito nesse mundo, nem para o bem nem para o mal.

Boris gostava da sua vida bem organizada, na qual cada dia era previsto meticulosamente para evitar sobressaltos. O banho tomado na véspera para não ser surpreendido por qualquer incidente, falta d’ água, por exemplo, ou qualquer outra coisa que viesse a interferir no ajustado decorrer de sua rotina.  Nada que viesse a prejudicar a minuciosa articulação dos atos que praticava com rigor, seguindo os fios de uma teia que ele mesmo tecia.  Escolhia a camisa que iria usar no dia seguinte, nunca repetida, assim como a roupa interior, as meias e camiseta para proteger-se de alguma eventual mudança de temperatura que lhe pudesse causar um resfriado. Desde criança sua mãe o havia habituado a esse cuidado – é sempre bom ter o peito agasalhado – e isso lhe havia evitado os dissabores das gripes e resfriados que acometiam regularmente seus colegas de infância e, agora, os do trabalho. Desagradava-lhe, inclusive, estar perto daqueles que fungavam e tossiam. E, especialmente, sentia asco ao ver que os lenços, depois de servirem para recolher o moco dos narizes infectados, iam novamente para os bolsos dos respectivos usuários. Quer dizer, uma fonte de proliferação de bactérias que iriam certamente contaminar a atmosfera. Nada que o irritasse mais. E era ao mesmo tempo, essa esquisitice, o que o impedia de manter qualquer relação duradora com alguém.  Seria indispensável, para isso, abdicar de tantos princípios que desde muito tempo estavam entranhados em sua personalidade. Afinal, fora educado por uma mãe cuidadosa e exigente na educação de seu único filho. Aliás, ele era filho único por exclusiva determinação dela, contrariando os desejos do marido, que sempre desejara ter enorme descendência, filhos, netos e bisnetos que povoassem o mundo com a estirpe de sua família melhorando a humanidade.

Orgulhoso de sua procedência, seu pai sonhava com o lugar de patriarca, tal como havia ocupado, no passado, seu próprio pai. Para isso lhe fora dado na crisma de batismo o nome preservado por várias gerações, Isaias, que evocava o profeta justiceiro do velho testamento.  Mas, tudo estava associado a sonhos de um passado remoto, quando a família vivia ainda no interior de São Paulo e seu pai era um dos únicos profissionais liberais da pequena cidade.

Filho de rico produtor de café pôde gozar de educação no exterior e voltara das europas com o título de doutor debaixo do braço.  Melhor partido, impossível.  E o casamento se fez, unindo duas famílias prósperas de localidade.  O doutor e a bela jovem cobiçada por muitos pretendentes casaram-se e, anos depois, vieram residir na então capital do país, onde Dália, pela primeira vez, veria o mar. Um filho, um filho era necessário para completar todas as expectativas que se ofereciam ao jovem casal: ele com seu título de advogado conquistado na universidade de Paris e ela educada para ocupar o lugar na sociedade digno de sua esmerada educação desde cedo iniciada nas aulas ministradas por uma governante alemã que, nunca se soube o porquê, fora parar naquela minúscula cidade interiorana.

O rigor germânico lhe impusera a disciplina necessária para enfrentar a vida em quaisquer circunstâncias.  Nada estava para sempre garantido.  Havia uma fatalidade trágica, submissa ao inexorável capricho do destino.  Estar preparada para os embates e dificuldades, investindo na execução de cada ato no presente, como se fora o último, o derradeiro embate com a morte.

Esta maneira de ver a vida fez sua mãe encarar a futura ruína econômica da família com bravura e determinação.  Ao contrário, seu pai, alienado de toda preocupação com os problemas materiais, sofreu o grande choque. Para ele, até então, era como se o mundo já estivesse ganho desde sempre, fruto de um merecimento abençoado.  Olhava para as estrelas sem dar-se conta que poderia cair no abismo.  Preocupava-se, isso sim, em manter uma aparência impecável, o colarinho da camisa alvo e engomado. O respeito por si mesmo e por tudo que o rodeava devolviam, a ele e as coisas, toda a dignidade. E tudo isso deveria ser revelado na pura presença.

Boris olhava as antigas fotografias de seus pais e aquelas de seus antepassados.  Fotografias que ele conservava envoltas em papel de seda e acomodadas na caixa de papelão, que, seguramente, anteriormente, havia servido para guardar alguns dos fantasiosos chapéus de sua mãe.  Gostava de recordar o pai caminhando todas as manhãs pelas calçadas das ruelas que o levavam até os escritórios do tribunal com a altivez de um vencedor.  A cabeça erguida, mas já preparada para inclinar-se e saudar um a um todos os que com ele cruzassem. Parecia amável e solicito, mas, ao mesmo tempo, distante. Sem dúvida, guardava uma reserva suficiente, um muro, que impedisse qualquer invasão à sua privacidade. Sob o braço direito, quase sempre, uma pasta de couro preto, bem conservada, mas, que não escondia o longo uso.  Tudo, na fotografia, indicava o cuidado meticuloso na aparência que, certamente, estava conectada com o bom exercício de sua função de doutor em leis. Mas, a foto que mais instigava a imaginação de Boris era aquela da cerimônia de casamento de seus pais. O que dela se desprendia, pouco, ou em quase nada, coincidia com o relato, tantas vezes escutado, de que seus pais se houvessem unido por amor.  Pareciam, pelas fotos, apenas duas pessoas que, por alguma casualidade, fossem flagrados, ao mesmo tempo, pela indiscreta lente de uma câmera fotográfica.

Era bom que fosse assim.  Em nada lhe agradaria pensar em seus pais expondo sem reservas uma intimidade que, segundo ele, devia ser resguardada de olhos alheios.  Não que ele fosse inocente ou ingênuo e desconhecesse as regras do comportamento íntimo da vida de um casal. Mas chocava-lhe enormemente assistir ao espetáculo dos que, em público, sem nenhum pudor, abandonavam-se aos apelos do corpo.  Quantas vezes, nos cafés ou restaurantes, ele, Boris, havia convocado o gerente do respectivo estabelecimento para denunciar estes abusivos que o perturbavam na hora de suas refeições.  Não se tratava para ele de uma questão moral, mas, sim, estética. Inclusive, uma falta de consideração com os demais. Verdade, que muitas vezes, do quarto de seus pais, chegavam, nas horas da madrugada, sussurros e pequenos gemidos, em ondas sonoras quase imperceptíveis que lhe transmitiam um sentimento de paz e segurança. – O mundo estava em ordem e as leis da natureza agiam sem sobressaltos!

No dia seguinte tudo estaria em ordem e seguiria na rotina normal.  O café da manhã, servido na copa, sobre a mesa coberta por uma toalha de linho de cor vibrante e alegre, a louça de fina porcelana decorada com pequenas flores e os talheres, com o peso suficiente, dispostos lado a lado dos pratos, anunciava a suave harmonia na qual só o forte aroma do café sobressaia. Essa era uma das poucas lembranças que ficaram a Boris daquela primeira infância passada no interior de São Paulo.  Ou, quem sabe, a visão de seu pai, através da porta entreaberta do banheiro, barbeando-se frente ao espelho com uma navalha ameaçadora na mão. O sangue, que brotava dos pequenos ferimentos no seu rosto, anunciava cataclismos.  Quem sabe, também seu pai, olhando-se no espelho, sentia a mesma angústia que ele diante da própria imagem.  Ou, é provável, essa fosse uma sensação comum a todos os humanos: não querer ver aquilo que se vê e não conseguir ver o que se deseja ver.

Há sempre certa traição no olhar desse outro que nos olha no espelho. Uma mentira programada, revelada e ao mesmo tempo já sabida. Melhor, a atitude de sua mãe que só se olhava nos vidros das janelas ou nos reflexos das vidraças esfumaçadas das vitrines.  Também, à mesa, dissimulando, levantava a faca e na lâmina polida da prata examinava o contorno do rosto. Dava pequenos sorrisos gratuitos, uma espécie de ensaio de expressões. Talvez, quisesse apenas assegurar-se de que sua beleza seguia intacta e os cabelos corretamente afivelados no alto da nuca. Aliás, assim ficou para Boris a sua imagem. Sempre que a recordava, o primeiro que lhe vinha era a lembrança de seus pequenos dedos no emaranhado dos cabelos dela tratando de desfazer a escultura do penteado instalado no topo da cabeça.  Fazia-se diminuto, aninhado no colo da mãe, o olhar fixo em seu rosto e as mãozinhas trabalhando travessas nos fios que aos poucos iam se desprendendo para pousarem suavemente sobre o alvo pescoço que subia de um corpo esguio, longilíneo na sua metade superior, mas, que da diminuta cintura para baixo se alargava mostrando a ampla e generosa bacia, sustentada por grossas pernas. Em tudo lembrava as pequenas estatuetas primitivas de uma ¨Deusa-mãe¨.  Guardava ainda como uma carícia a sensação que, vinda da ponta dos dedos, ia atravessar todo seu corpo. Talvez, desta época, lhe ficara entre os sentidos, o tato como o mais privilegiado. Deixar correr a areia da praia entre os dedos, apenas separados, para que o roçar na pele das pequenas fagulhas tivesse o tempo preguiçoso do gozo.  Um frenesi voltava-lhe, ainda agora, com a lembrança do prazer, pressentido então, e aquela do olhar severo de seu pai, que tratava de deixar bem claro a sua reprovação a essa intima e, para ele, seguramente, inadequada relação entre mãe e filho.

O fato era o seguinte: seu pai o hostilizara desde sempre, e isso tinha de ficar bem claro para Boris. Essa hostilidade tinha marcado o seu destino.  Havia tal perversidade em seu olhar, um julgamento tão severo em relação a ele, o filho que seguramente não correspondia às suas expectativas, que faziam daquele homem, tão admirado e respeitado, um verdadeiro algoz.  Nada do que fazia Boris tinha a aprovação de seu pai, que dissimulava os seus sentimentos diante dos estranhos tratando de tocar seus encaracolados cabelos castanhos, com a ponta dos dedos, num gesto aparentemente carinhoso, mas, que Boris decifrava como o esforço de ordenar o seu cabelo revolto e agressivo.

A reprovação vinha desde sempre, manifestada já quando ele, pequeno ainda, se aninhava no colo de sua mãe e se prolongou anos a fio.  Mas, o que o irritava, sobretudo, e seu pai não conseguia controlar, era quando Boris, no meio da noite, sobressaltado com algum pesadelo, recorria à alcova dos pais e os despertava aos prantos. O esforço do pai em fazê-lo voltar ao seu próprio quarto e o pranto de Boris cada vez mais estrondoso, atordoavam Dália, a mãe, que, sem saber o que fazer, caia, ela também, em pranto. Um jogo demoníaco repetido muitas vezes em que ficava difícil decidir qual o vencedor o qual o perdedor.  Algo era certo, no entanto: o prazer de Boris ao vislumbrar os longos cabelos de sua mãe soltos sobre os alvos ombros que se liberavam da fina lingerie transparente, que levavam o decote da camisola a liberar o seu alvo seio, ofegante e sensual. A gratificação era tão grande que compensava, fossem quais fossem, as auguras da batalha. Vaticinava, de certo modo, que, pese as aparências, seria ele, sempre, o vencedor.   A secreta visão dos longos cabelos de sua mãe, reservada para a intimidade da alcova, era violada pelas astuciosas artimanhas de Boris. Depois do choro, insistente até ser acolhido no leito, entre os pais, ele se albergava nos braços da mãe e sua pequena mão iria repousar, até o amanhecer, espalmada sobre o seu macio seio.

Talvez, quem sabe, seu pai tivesse toda a razão ao antecipar as consequências, ou melhor, os males, que, aquela aparente inocência, pudesse acarretar. Nada, nenhum toque futuro, iria comparar-se àquela sensação primeira onde o misterioso contato levava ao sublime. Mas de nada servia estar rememorando cenas do passado, ainda que Boris, por mais que se esforçasse, parecia arrastado permanentemente por uma avalanche de recordações aprisionadas na memória.  O esforço por liberar-se das imagens persecutórias, em querer selecionar apenas as prazerosas e jogar todo o resto na lixeira, assim como o fazia ao eliminar a memória de seu computador, falhava inexoravelmente.  É que todo gozo, toda boa evocação do passado arrastava consigo outras tantas castigadoras e cruéis. Era como se caísse num túnel sem fim, ou melhor, como se fosse sugado para trás, para um atrás sempre mais longe, sem fim.

Difícil explicar, impossível mesmo, porque as sensações são inexplicáveis, propriedade privada, intransferíveis. Têm que ser vividas, atravessadas no corpo de cada um, como os livros, que foram escritos para serem lidos, não para serem contados.  Que irritantes aquelas pessoas que vivem pedindo para você contar o livro que está lendo, o filme que você viu.  Boris fustigava sua alma, flagelava seu espírito na leitura de cada parágrafo dos livros que escolhera como companheiros dos preciosos momentos de absoluta solidão.

Tinha poucos livros, apenas alguns, escolhidos como se escolhem os amigos, poucos, quem sabe, apenas um, um único, mas que se sabe que está aí, no mundo, e que em algum momento podes recorrer à sua companhia. E terás as mesmas conversas, as mesmas confissões, repetições, anátemas inconfessáveis, purgatórios de lembranças. E, muita vez, o desejo de que morra. Que desapareça com ele o segredo contado num momento de fragilidade, quando te sentias desamparado, abandonado no mundo, e proferistes a palavra que era para calar e que agora tem uma testemunha, está ali plantada no rosto do amigo, transferida do teu acervo pessoal para o dele. Uma parte tua ficou com ele, e não era para ser assim, era apenas para quebrar um pouco a rotina do dia, tentar alguma aproximação, mas, qualquer uma é perigosa, ardilosa. Se não te cuidas, cais na cilada: – Entregas-te!   Doravante, serás presa fácil no poder de outrem. É melhor ficar sozinho, não correr riscos desnecessários, oferecer-se ingenuamente aos apelos de algum impulso extemporâneo.  Com o livro, estás livre, releis, cada vez, os mesmos capítulos com acentos diferentes, haverá sempre um inédito atrás das mesmas palavras percorridas anteriormente. Havia parágrafos que ele conhecia de memória, havia lido e relido várias vezes, nos quais encontrava novos sentidos. Não que fossem complicados, difíceis, mas, ao contrário, bem diretos, concisos, onde, aparentemente, não havia nenhum mistério. Mas, era aí, justamente que nascia a dúvida.  Nada pode ser tão simples assim, algo, ou muita coisa fica escondida atrás do dito, ou não teria porque ser dito. Como explicar, por exemplo, o princípio de O Estrangeiro, de Camus?  A primeira frase, diz, se não me engano – Hoje a mãe morreu.  Ou talvez ontem, não sei bem…   Recebi um telegrama: – Sua mãe morreu!  – Está tudo dito, mas fica tudo por dizer, uma quantidade de palavras, todo um livro decorrente desta simples notícia.  Quantidades de perguntas nascem daí. O que irá fazer Meursault a partir desta comunicação?  Não há dúvida que o telegrama recebido vai interferir na programação usual do protagonista.  Não se sabe ainda quais os afetos que o ligam à mãe. Mas, uma coisa é certa, todos os acontecimentos irão se encadeando até a catástrofe final.  Alias, dá no mesmo, se não fosse assim seria de outra maneira, qualquer uma, sem nenhuma lógica, transgressora de qualquer ordenamento racional. O importante é produzir palavras, deixar que elas se liguem umas as outras, formem frases, sentenças, simulacros de verdades. Tem-se a impressão que se está chegando lá, que uma luz vai elucidar o texto, que de repente tudo vai ficar claro, as coisas casarão umas com as outras.  E aí, poder-se-á continuar caminhando com passo seguro para algum destino, que não se conhece, mas, já está no texto, trapaceando para deixar-nos arrastar num mar de palavras que só confundirão.

Boris estava acostumado às armadilhas da vida e as sabia mais perigosas que as dos livros.  Era melhor evitá-las, ir desviando, contornando os caminhos para não cair nelas. Gostava da solução de Bartelemy, o anti-herói do romance de Melville.  Para tudo, uma mesma resposta: – Preferiria que não fosse assim!  Mas, na vida a coisa é diferente, não adianta apelar, você não tem escolha.  Mentira, essa coisa de livre arbítrio, o perigo está sempre aí e, seja o que for, você estará sempre errado; escolheu  uma coisa, mas, deixou todas as outras de fora, quem sabe, as melhores, uma talvez, aquela definitiva que te salvasse da culpa de existir, pior ainda, de insistir na espera de um nada que te levará a nenhuma parte, apenas a continuar esperando.  Passa-se o tempo todo fugindo, escapando, até que, de repente, sem dar-se conta, tudo termina.  No livro existe um deus, o autor, que determina como e quando será o desfecho do destino de seus personagens. Na vida, a morte vem assim, de supetão, um escândalo, interrompe tudo sem pedir licença.  Passa-se a ser apenas contado na memória de outro, sem recursos, sem prazo, como diz Sartre.

Não dá para mudar nada.  As coisas ficam aí paradas, petrificadas, vazias, como o olhar do boi indo ao abate.  Igual no filme, a última imagem é a última imagem. De nada serve especular, tudo já está definido, com começo, meio e fim, sem disfarce.  Pode-se ler a última página, o final está aí, ou começar a assistir um filme a partir de qualquer sequência, a ordem não altera, talvez, o resultado.  A vida também se pode contá-la partindo de qualquer episódio, dá igual.  Mas, vivê-la, só tem um jeito, é ir vivendo-a, passo a passo, ela mesma, aquela que está sendo vivida, sem retificações.  Não se pode apagar, substituir, subtrair. E, à medida que o tempo passa, vai-se carregando aquele peso, cada vez mais pesado, e não adianta querer se enganar, tratar de esquecer e tudo mais, é tudo mentira, a bagagem vai aumentando, ainda que as lembranças pareçam se embaralhar numa espécie de paisagem crepuscular, sem contornos definidos, mas que estão aí e em qualquer momento sobem à tona, e vais ser tão somente matéria porosa, contaminada, avassaladora.  Quando foi que se escolheu aquilo que se escolheu, onde começou o gesto, o som que saiu do interior, lá do fundo, e se transformou num sim ou num não, e não vale arrepender-se, o dito está dito, é sim ou não, não podem ser simultâneos.

A vida é assim, uma ratoeira: qualquer gesto, qualquer palavra, é sempre o gesto errado, a palavra errada, um equívoco sem fim levando ao desenlace fatal. Boris estava a par das vicissitudes e se entregava sem resistência aos eventos presentes, passados ou futuros.  Não alimentava ilusões, já que sua própria vida era prova cabal de um inexorável acontecer. As coisas iam se dando sem muita previsão.  Bem ao contrário, aquelas que pareciam programadas eram justamente as que não se realizavam.  De nada servira todo o esforço de seu pai para que ele ingressasse na Faculdade de Direito.

Tudo havia sido planejado com minúcias para que seguisse a trajetória de seu pai e se tornasse um advogado, senão brilhante, ao menos com um título universitário que dignificasse sua opaca existência.  Estava embutida nessa decisão a falta de apreço que seu pai mantinha em relação aos seus dotes intelectuais.  Quanto à necessidade de que Boris algum dia tivesse que trabalhar para manter-se era hipótese fora de cogitação.  Aliás, qualquer eventual discussão sobre problemas econômicos era afastada com repulsa no seio da família.  A suposta grande fortuna dos avós parecia garantir o bem estar das famílias por várias gerações.

O mundo estava consolidado, eterno, plantado naquelas terras vermelhas de onde se depreendiam dos ramos das árvores eretas com folhas onduladas, frutos ovóides, de casca lisa e brilhante, com uma coloração que transitava do verde acinzentado ao negro. O contraste entre os verdes, o vermelho, o negro, e o branco das flores perfumadas que ornavam magicamente aquela realidade, onde as relações ainda, aparentemente, poéticas, deixavam apenas transparecer pequenas rusgas familiares que não interferiam nos afetos, mas, também elas, matizavam os ânimos.  Nunca uma discussão aberta, nunca sonoridades ofensivas, apenas olhares de censura, oblíquos, ou palavras pronunciadas a esmo, aparentemente inocentes, que se deixavam flutuar numa agressividade não confessa.

Diminutas fagulhas que escapavam de um nada onde se ocultavam ódios, frustrações e ressentimentos inconfessáveis. Tudo parecia construído sobre alicerces sólidos, plantados fundo, como raízes dos velhos carvalhos desafiadores do tempo. Mas, também, como nos velhos carvalhos, nada impedia que pequenos vermes fossem devorando pouco a pouco a madeira já contaminada pelo câncer.

Boris sofria em silêncio. De nada serviria alardear a sua dor.  Um grito agônico estava permanentemente paralisado em sua garganta. Tinha dificuldade em respirar. Acordava todas as manhãs com uma forte opressão no peito, perdido, sem saber quem era. Os restos dos sonhos que povoavam suas noites pouca relação tinham com os acontecimentos da vigília.  Antes, ao contrário, pareciam surgir de camadas ocultas, de zonas imersas em profundos mares. Personagens assustadores surgiam das sombras, ameaçadores.

Gerda levava sempre as chaves da casa presas ao forte cinturão de couro que lhe rodeava a cintura cada vez mais volumosa.  Era uma espécie de guardiã de todos os segredos da antiga casa.  Mas, sem duvida, seu maior segredo era sua própria vida. Não se conseguia penetrar nos mistérios de sua intimidade. Uma alemã, surgida, quem sabe de onde, despertava a curiosidade de todos, mas ninguém ousava perpetrar um interrogatório sobre sua origem.  Sua presença impunha tal distância, a cabeça sempre erguida e as narinas dilatadas, como para detectar qualquer ameaça, afastavam qualquer tentativa de aproximação. Ela foi ficando ali, fazendo parte da casa, confundindo-se com ela. Qualquer tentativa de enfrentá-la despertava imediatamente a reação violenta da avó que ameaçava filhos, noras e netos:

– “Quem não estiver contente procure uma solução. De Gerda não me afasto. Ela me acompanha há muitos anos. Igual Carmem, a cozinheira e José, o motorista. Vocês verão o que fazem, podem ir e vir – eles ficam comigo”.

Boris passou os primeiros anos de sua vida escutando em diferentes ocasiões as declarações da avó.  Quem sabe, isso o tenha advertido de quanto são vulneráveis os laços familiares e que, muitas vezes, vínculos aparentemente supérfluos são os mais fortes. Mesmo aqueles que parecem descartáveis reaparecem no presente, emergidos das sombras para a superfície.  Tinha saudades de Gerda, confessava a si mesmo. Afinal, ela acompanhara durante anos a trajetória de sua família e era, inclusive, testemunha da sua derrocada econômica. Todas as ilusões em relação à fortuna dos avós vieram abaixo com a crise do café. Esperanças destruídas de todos os herdeiros que, confiantes, esperavam ansiosos apoderar-se do quinhão, aparentemente, inesgotável do legado. Incrível a sabedoria socrática que bem previne que nenhum homem pode se dizer feliz até o fim de seus dias. Um castelo derruído. Em cada canto do país algum descendente dos Miranda sofria o desengano de suas aspirações.  De nada servia o fato de que a crise atingira centenas de outras famílias. O castigo caía como um raio sobre cada cabeça e não foram poucos os que chegaram ao suicídio, incapazes de suportar o peso da enorme desventura.

Todos os dias, pouco antes das seis da tarde – hora do ângelus -, Gerda percorria os longos corredores da casa fazendo ecoar o som do velho sino de bronze que convocava todos os serviçais para a prece diante do pequeno altar instalado no nicho do enorme vestíbulo.  De todos os lados surgiam não apenas os empregados da casa, mas, também, desde a porta da entrada, aqueles que labutavam nos afazeres externos, jardineiro, motoristas, trabalhadores do campo etc. que acresciam, muitas vezes, com seus familiares, o aglomerado dos fervorosos crentes. As Ave-Marias e os Pais-Nossos repetidos em uníssono faziam tremer o coração de Boris a quem, não sabia por que, aparecia a imagem do pai sempre com expressão severa e ameaçadora.  Isso o levava a acompanhar baixinho as rezas e, quando em coro todos repetiam o mea culpa, ele também, com suas pequenas mãos, golpeava no próprio peito juntando-se fervorosamente ao pranto dos demais.  – É um santo, um menino santo, repetiam todos, fazendo de Boris o centro da reunião. Talvez este fato tenha ocorrido apenas uma vez, talvez apareça exacerbado na lembrança de Boris, mas, uma coisa era certa, recordava com clareza que sua mãe o havia salvado, uma vez, daquela situação, retirando-o com inesperada violência do ritual e, inusitadamente, enfrentara-se a Gerda numa discussão em que saiu vitoriosa, levando sua contundente as lágrimas. Esta, nunca mais foi a mesma.  Continuou desempenhando seu trabalho com a mesma eficácia, mas, uma tristeza profunda acompanhou seus passos a partir daquele dia deixando-a taciturna e pesada. Deixou de ensinar a Boris as belas canções infantis alemãs e privou a todos de suas belas gargalhadas vindas da cozinha quando, nas horas de folga, se reunia com Carmem e, ao mesmo tempo em que organizavam a distribuição dos afazeres da semana, intercambiavam estórias e comentários jocosos.

O sino continuava a ecoar todas as tardes, mas Boris só de longe podia ficar espiando sem permissão de participar do evento.  Uma sensação lhe ficou desde essa época de estar dentro e ao mesmo tempo fora, proibido de participar da vida mesma em qualquer situação.  Um espectador que vê a vida passar, simples transeunte, testemunha do começo e fim do mundo.   Boris passeava pela vida sem deixar-se contaminar pelo fluxo de emoções que flutuavam em qualquer ambiente. Defendia-se mesmo de qualquer sentimento que o pudesse aprisionar ou apenas criar algum laço permanente com o outro.  Bastavam-lhe as lembranças da infância, a ternura que se desprendia da simples evocação do afago sentido no regaço da mãe e do olhar severo e acusador de seu pai para cortar qualquer possibilidade de maior intimidade.

Fossem quais fossem as explicações, Boris se descobria cada vez mais parecido ao pai que tanto censurava.  Inclusive, fisicamente iam se desenhando nele traços fisionômicos por muito tempo encobertos.  Examinava as mãos do pai, seus longos dedos finos e aristocráticos, o gestual elegante e contido, a maneira como manipulava os talheres na hora das refeições e equilibrava com destreza o alimento no garfo, o guardanapo arrumado sobre o peito da camisa imaculada. Especialmente, o pequeno pigarro que discretamente disfarçava elevando o copo e sorvendo o gole de água. Um leve rubor, quase imperceptível, incendiava seu rosto. Boris,   acostumado a ler os signos no rosto do pai, dava-se conta do quanto aquele pequeno incidente abalava sua aparente segurança.  Especialmente, porque o pigarro comparecia sempre, traiçoeiro, em qualquer momento da refeição. Boris o esperava com maldosa ansiedade. De certa forma, era confirmar que o pai não era tão onipotente quanto pretendia.  Aliás, nem seu pai nem ninguém.

Há muito perdera a fé. Aquele Deus todo poderoso que tanto o atormentou durante a infância, não era mais que uma mentira, um enorme embuste.  Como Jó, Boris sentia-se abandonado e blasfemava contra o vazio dos céus onde apenas encontrava consolo nas tardes em que ao voltar para casa ia sentar-se num dos bancos frente à praia e contemplava o escurecer, à noite deitando-se sobre a cidade e as pequenas faíscas de luz aparecendo como pirilampagos.

Na imaginação, pintava a linha do horizonte onde céu e mar copulavam. Desamarrava os cordões dos sapatos e liberava os pés da prisão, os dedos, um a um, se descolando do tecido das meias, produzindo uma sensação de alivio que lhe subia por todo o corpo. Era quase a felicidade, e Deus nada tinha a ver com isso. Aliás, qualquer fé que houvesse tido no passado se esvaziara desde o dia em que morrera sua mãe. Que Deus permitisse que aquela mulher devota tivesse um fim tão doloroso era insustentável. Surpreendida por uma súbita sensação de cansaço e um pequeno gânglio que lhe crescia na virilha, tão pequeno como uma ervilha, provocando uma alfinetada só de roçar com o tecido da roupa interior, até o advento de sua morte, foram apenas duas semanas. Mas, duas semanas infernais. Com uma leucemia aguda resistente a qualquer tratamento, ela sofreu o martírio de um tratamento desventurado. O câncer invadiu todo o seu corpo e ela, já cega, incubada, ou melhor, selada, como um cavalo, servia-se apenas das mãos para comunicar-se. Na folha de papel presa na prancheta de metal, ela rabiscava alguns garranchos em que Boris decifrava seus desejos, água… dor… fim.

Seu pai permanecera em pé, todo o tempo, quase no meio do quarto, mais perto da porta que do leito da esposa.  Incapaz de deixar transparecer nenhuma emoção ficava ali, imóvel, com o olhar parado, olhando para dentro de si mesmo.  As pernas tremiam de cansaço e era fácil constatar o desgaste de seu corpo. Em quinze dias, sua musculatura cedera e os cabelos minguavam embranquecidos.  Dir-se-ia que era ele o moribundo. E, na verdade, assim foi, em menos de seis meses, depois de um forte resfriado, morreu de uma embolia pulmonar.  Só e silencioso com o cenho apertado entre os olhos, nenhuma queixa, nenhum gemido. Se a mãe, durante todo o tempo segurara a mão de Boris, o pai ignorou sua presença. Antes, ao contrário, parecia preferir estar completamente só. Apenas, já nos momentos finais, pediu cerimoniosamente a enfermeira que trocasse seu pijama antes de sua morte. Deus esteve ausente o tempo inteiro.

Pela primeira vez, Boris pode examinar detidamente o rosto do pai. Morto, não haveria a possibilidade de que reagisse.  Assim mesmo, inerte, o cenho permanecia apertado no alto do nariz, marcando o mesmo gesto de censura que tivera em vida.  Ou, quem sabe, era tão somente a expressão de uma dor aguda antes da morte já que a boca permaneceu aberta para algum grito afogado no silêncio. Boris permanecia atônico diante do cadáver do pai. Não podia evitar reconhecer-se naquele homem quase belo, o nariz reto e arrogante e o queixo quadrado e firme segurando com firmeza a escultura do rosto. Não pôde deixar de imaginar-se ali, quando chegasse sua hora, no lugar do pai, e perguntar-se quem estaria ali, no seu lugar, junto ao seu leito, olhando para ele?  Ou, talvez, não teria porque preocupar-se já que estava fora de cogitação estabelecer qualquer vínculo permanente e muito menos vir a ter filhos.  Mas, ao mesmo tempo, não pode evitar um sentimento de profundo abandono, uma solidão que lhe rasgava a alma.  Quase chorou, não pelo pai, mas, por si mesmo.

A partir daquele dia, as coisas foram perdendo todo o sentido. Boris continuou repetindo mecanicamente o ritual cotidiano, cumprindo com rigor o horário de seus afazeres.  Inclusive, duas vezes na semana, sentar-se, ao final da tarde, no banco do calçadão, frente ao mar, e deixar-se invadir pelo aroma salitre que lhe colava na pele.  Mas já não lhe serviam o mar, a paisagem, a silhueta amorenada dos corpos das mulheres, o sol desaparecendo à esquerda e a lua já surgindo do outro lado, todo o esplendoroso espetáculo da natureza que o faziam de poeta anônimo em participante do mundo. Seus olhos já não viam nada: estavam como os do pai, voltados para dentro de si.  Apenas um desfiar lento da memória o habitava. Imagens desordenadas ocupavam todos os espaços, impedindo-o de viver qualquer experiência no presente.  Perdera-se completamente de si mesmo. As imagens refletidas no espelho desapareceram.  Boris se fundira completamente com elas.

 

* Pintura de George Grosz (1893-1959)



1 Commentário sobre 'Motus – Perpétuo'

  1.  
    Jaqueline Sperandio

    22 Março, 2013| 7:56 pm


     

    Dina, minha querida, amei!!!!!!!!!!!

    É quase triste por alguém viver toda uma vida e ainda assim não conseguir encontrar
    a alegria e o prazer de viver sua jornada nesta vida…
    beijos

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