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Festival de Cinema 4+1


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Publicado em 13 de Novembro de 2012

O Festival de Cinema 4+1 acontecerá no Rio pela primeira. O evento, realizado pela Fundación Mapfre, acontece on-line e em cinco cidades simultaneamente: Bogotá, Buenos Aires, Cidade do México, Madri e Rio de Janeiro, de 21 a 25 de novembro. E uma das melhores supresas do Festival será a vinda do documentarista alemão Werner Herzog, convidado de honra, que dará uma aula magna e terá mostra dedicada a sua produção.  A “sede online”, nesta terceira edição, será o Filmin, portal de cinema promovido por um grupo de distribuidoras espanholas de cinema independente (incluindo a El Deseo, de Pedro Amodóvar). As sessões são gratuitas e ocorrerão no CCBB Rio.

Conhecido como “o festival dos festivais”, o Festival de Cinema 4+1 se caracteriza pela seleção de longas-metragens premiados em festivais ao redor do mundo, mas que não contaram com distribuição comercial nos países onde o 4+1 acontece. Para esta edição, 14 títulos foram selecionados e concorrem ao Prêmio 4+1, escolhido pelo público, que dará ao filme mais votado nas cinco cidades 20.000 euros e um troféu criado pelo artista Alfredo García Revuelta. Entre os títulos da mostra estão os últimos filmes de reconhecidos cineastas, como Abel Ferrara, Frederick Wiseman e Johnnie To; e uma seleção de cineastas que estão despontando no cinema independente internacional, como Marie Losier, Rodrigo Plá, Mohammad Rasoulof e Evan Glodell. Fora da competição, será exibido 3.11 A Sense of Home (2011), produzido por Naomi Kawase; e o documentário Hollywood Talkies (2011), dirigido por Óscar Pérez e Mia de Ribot.

Todos os filmes da mostra principal podem ser vistos também online, em computadores, celulares e tablets, no formato video on demand (VOD) com qualidade HD. O site oficial do evento www.festival4mas1.com/pt direcionará o espectador para o Filmin, portal de cinema VOD pioneiro na Espanha, que oferece mais de três mil títulos do cinema de autor, comercial, séries de televisão, documentários e anime, do qual fazem parte a Alta Films, Avalon Distribucion, Cameo, El Deseo, Golem, Tornasol, Vértigo Films, Versus Entertainment e Wanda Films. Offline, além do CCBB, participam a sala Leopoldo Lugones, em Buenos Aires; a Cinemateca Distrital e Cinema Paríso, em Bogotá; os Cines Golem, em Madri; e a Cineteca Nacional, na Cidade do México.

Pablo Jiménez Burillo, diretor geral do Instituto de Cultura da Fundación Mapfre, considera que “os novos canais para a distribuição do cinema conviverão com os canais tradicionais ao mesmo ritmo com que irão mudando nossos hábitos de ócio. O público está desejando ver outro tipo de cinema, mais arrojado do que aquele que chega às salas comerciais de cinema, e a oferta online resolve uma demanda que não estava sendo bem atendida”.

As questões de Werner Herzog

“O século XX foi um erro? Como é o clima de entusiasmo que torna um filme possível? Como foram levantados os pré-históricos e colossais menires da Bretanha? Como você moveria um barco a vapor para que ele subisse uma montanha? Por que o turismo é pecado? Por que viajar a pé é uma virtude?”. São esses os questionamentos que o lendário cineasta alemão Werner Herzog propôs para a aula magna que fará no CCBB, no dia 22 de novembro. A palestra é gratuita e será transmitida em tempo real para todo o mundo em streaming. Werner Herzog vai apresentar, ainda, The Wild Blue Yonder (2005), uma crônica sobre um grupo de astronautas que permanecem num limbo espacial, impedidos de regressar a um inabitado planeta Terra. Além disso, haverá uma mostra dedicada ao grande realizador do Novo Cinema Alemão, com títulos como Hércules, Lições da escuridão, Nosferatu: o vampiro da noite, entre outros.

Festival Scope

O Festival de Cinema 4+1 e o Festival Scope também fecharam um acordo para que o 4+1 seja o mais novo integrante do portal. O Festival Scope é uma plataforma on-line, exclusiva para profissionais do mercado de cinema, onde é possível assistir a filmes, ter acesso a contatos e conteúdo exclusivo a respeito dos cerca de 70 eventos participantes. Funciona, assim, como um lugar de referência para descobrir novos talentos e promover cineastas e suas obras. Entre os eventos que fazem parte do Festival Scope estão: Berlinale (Alemanha), Quinzena de Realizadores e Semana da Crítica de Cannes (França), Festival de Sundance (EUA), Festival Internacional de Toronto (Canadá) e Festival Internacional de Cinema de Veneza (Itália). Seleção Oficial

Programação

4:44 LAST DAY ON EARTH: (Abel Ferrara, 2011). O lendário diretor de “Bad Lieutenant” conta através de imagens sua angústia gerada pelas crises econômica e de valores, numa fábula apocalíptica em que um casal de artistas nova-iorquinos, brilhantemente interpretados por Willem Dafoe e Shanyn Leigh, encara seu último dia na terra trancados em seu loft. Este filme concorreu na Seção Oficial do Festival de Veneza e foi exibido nos Festivais de Nova York, Rio de Janeiro e Paris.

BELLFLOWER: (Evan Glodell, 2011). O diretor de cinema, produtor, ator e roteirista não deixou ninguém indiferente com seu filme de estreia, que passou por diversos festivais como Sundance, Sitges e Pusan. Com elementos heterogêneos que combinam uma história de amor, uma fuga desesperada, uma ambientação pós-apocalíptica etc. “Bellflower” se destaca pela sua ousada estética fotográfica, resultado da utilização da câmera construída pelo próprio Glodell com peças de câmeras e lentes velhas. Essa curiosidade, associada ao seu baixo orçamento de filmagem, fizeram com que “Bellflower” tenha se tornado um filme de culto.

CRAZY HORSE: (Frederick Wiseman, 2011). Reconhecido pelo seu estilo direto, paciente, minucioso e observador, sua vasta filmografia gira em torno de instituições estadunidenses. Suas incursões a universos proibidos renderam-lhe a categoria de mestre do documentário. Recentemente analisou o fértil ambiente da boemia parisiense com “Crazy Horse”, no qual adentra no célebre cabaré parisiense para nos mostrar um retrato consciencioso dos personagens que nele habitam. Este filme participou dos Festivais de Toronto, San Sebastián e Nova York.

GOODBYE: (Mohammad Rasoulof, 2011). Quinto longa-metragem do premiado diretor iraniano, “Goodbye” narra a difícil decisão de uma mulher de abandonar sua terra natal em busca de liberdades básicas que não estão mais ao seu alcance. Rasoulof, tradicional colaborador de Jafar Panahi, compartilha com ele seu olhar reivindicativo sobre a situação do seu país, e também a pena legal de não poder sair do país e a proibição de realizar filmes. Com este singular longa-metragem que defende a independência e os direitos das mulheres em pleno século XXI, Rasoulof obteve o Prêmio de Melhor Diretor em Cannes e o Prêmio do Público em Roterdã, entre outros.

LA DEMORA: (Rodrigo Plá, 2012). Este filme poderia ser a gravação do que ocorre quando alguém se sente capaz de abandonar seu próprio pai, já idoso, num parque, diante da impossibilidade de sustentá-lo. O mexicano nascido no Uruguai, Rodrigo Plá, adota neste filme certas essências do cinema típico de Montevidéu, nostálgico e seco, para filmar algo como um rompimento interior que termina causando vítimas colaterais: o pai, com Alzheimer, de uma mulher incapaz de aguentar o peso da própria vida. Com este terceiro filme, Plá participou dos Festivais de Berlim, Guadalajara e San Sebastián (Horizontes Latinos).

LA FOLIE ALMAYER: (Chantal Akerman, 2011). A aclamada cineasta Chantal Akerman, discípula de Jean-Luc Godard, retorna ao território da ficção com um relato enfocado no aspecto trágico da novela homônima de Joseph Conrad. Nesta ocasião, esta defensora do papel da mulher na sociedade se centra na figura masculina de Almayer, um europeu que não conhece a Europa, nascido e arraigado às margens de um rio na selva da Malásia. “La Folie Almayer”, que narra de forma poética a história de uma família e mostra como o colonialismo causa, entre outras sequelas, a desumanização do homem, foi exibido nos festivais de Veneza, Toronto e no BFI de Londres, entre outros.

LAND OF OBLIVION: (Michale Boganim, 2011). Esta diretora israelense corajosamente aborda outro tipo de apocalipse: aquele iniciado em 1986 em Chernobyl e do qual ela acompanha várias gerações de vítimas para retratar sua situação de impotência e desilusão. Herdeira da elegância dos Taviani e do olhar agridoce de Kusturika, Boganim, que despontou com o documentário “Odessa…Odessa!”, com o qual concorreu no Festival de Sundance, revela-se como uma das diretoras mais promissoras da atualidade. Com esta obra participou de festivais como Veneza, Toronto e Varsóvia.

LES ÉCLATS (MA GUEULE, MA RÉVOLTE, MON NOM): (Sylvain George, 2011). Na mesma linha de seu anterior filme, “Qu’ils reposent en revolte (Des figures de guerre I)” (2010), este filósofo e ativista francês retrata com evidente vocação política a vida dos imigrantes ilegais que aguardam em Calais uma oportunidade cruzar o canal. Longe do estilo paternalista de muitos documentários, George constrói uma obra colérica, que devolve a dignidade daqueles que registra e mostra as feridas causadas pelas políticas sociais europeias. George participou dos festivais de Veneza, Roterdã, Viennale e Punto de Vista e conquistou o Prêmio de Melhor Documentário Internacional no Festival de Turim.

LIFE WITHOUT PRINCIPLE: (Johnnie To, 2011). Mais bélico e em linha com a filmografia do especialista em cinema policial, Johnnie To, de Hong-Kong, apresenta o enxuto thriller “Life without Principle”, que narra um jogo de histórias entrelaçadas em que gângsteres medíocres tratarão de se aproveitar da crise econômica que nos devasta. O filme, uma das suas obras mais certeiras, é um fiel retrato do mundo em que vivemos e ao mesmo tempo um grande e intimista filme de ação que participou da Mostra Oficial do Festival de Veneza. Além disso, recebeu o Prêmio da Crítica e da Academia de Cinema de Hong-Kong de Melhor Roteiro e Melhor intérprete – para Ching Wan Lau -, entre outros.

NANA: (Valerie Massadian, 2011). Uma pequena chapeuzinho vermelho de quatro anos, num entorno rural que se desintegra, surpreende o espectador ao enfrentar-se aos medos representados pelo lobo feroz no misterioso bosque. Sob o olhar da fotógrafa francesa, numa das estreias mais surpreendentes dos últimos anos, vivenciamos os inevitáveis encantos e angústias da infância. Com este conto infantil para adultos, Massadian conseguiu o Prêmio de Melhor Filme de Estreia no Festival de Locarno e de Melhor Filme Internacional nos festivais de Vancouver, Valdivia e Istambul.

PHOTOGRAPHIC MEMORY: (Ross McElwee, 2011). Memórias como terapia de cura: este mestre do documentário não reconhece seu filho de 20 anos a quem filmou desde seus primeiros anos de vida; esse menino cheio de vida parece estar preso agora à tecnologia que se levanta como um muro entre ele e o mundo. Num exercício de honestidade, o grande documentarista McElwee mergulha na sua própria memória (fotográfica, porém sem foto real) para tentar encontrar na sua biografia algum indício que lhe ajude a entender e simpatizar com os motivos que levaram seu filho à sua atual apatia. Com este filme autobiográfico este diretor estadunidense participou da seção Orizontti do Festival de Veneza, do BAFICI, e de Las Palmas de Gran Canaria.

TERRI: (Azazel Jacobs, 2011). O quarto filme de Jacobs, que participou dos festivais de Sundance, Locarno e Gijón, mergulha no universo de um adolescente e apresenta um comovente relato a respeito de algo tão familiar para todos nós como a sensação de se sentir diferente. Incitado pelo diretor do colégio, o jovem estabelece vínculos com outros alunos de vidas marginais. Com sua poesia cotidiana, Terri pode ser entendido como uma releitura compassiva de “Freaks”, de Tod Browning, em que o sentimento de fraternidade se impõe à cruel paródia que costumam virar muitos filmes que retratam seres inadaptados.

THE BALLAD OF GENESIS AND LADY JAYE: (Marie Losier, 2011). Esta francesa baseada em Nova York já realizou numerosos filmes experimentais. Seu primeiro longa-metragem é o resultado dos vários anos em que ela acompanhou a história de amor entre Genesis P-Orridge, fundador e líder do grupo industrial Throbbing Gristle e de Psychic TV, e sua companheira, Lady Jaye. Ambos se submeteram a uma metamorfose para se tornar fisicamente a mesma pessoa, em dois corpos distintos. Com este peculiar retrato, Losier obteve os Prêmios Teddy e Caligari no Festival de Berlim e o de Melhor Longa-metragem no IndieLisboa.

VERANO: (José Luis Torres Leiva, 2011). Após um brilhante início de carreira realizando ousados documentários, e um filme “El Cielo, la Tierra y la Lluiva” (2008), prêmio FIPRESCI no Festival de Roterdã, com o qual o jovem cineasta chileno se inicia na ficção, ele agora se aprofunda nesse gênero com um relato que parece desenhado para desmontar a narração tradicional. Um quebra-cabeça sensorial que consegue a proeza de transportar o espectador a esse estado de graça que alguns continuam chamando de “verão”. Com esta obra o cineasta participou da Seção Orizzonti do Festival de Veneza.

Filmes da Mostra Hergog

– Herakles (Hércules)

– La Soufriere

– The Great Ecstasy of Woodcarver Steiner

– The Unprecedented Defence of the Fortress Deutschkreutz/A defesa sem precedentes do forte Deutschkreutz

– Lessons of Darkness (Lições da escuridão)

– Escape from Laos

– Nosferatu (Nosferatu: o vampiro da noite)

– My Best Fiend (Meu melhor inimigo)

– Into the Abyss (Ao abismo: um conto de morte, um conto de vida)

– The Wild Blue Yonder

 



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