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Parada


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Publicado em 16 de Outubro de 2012

Parada, de Srdjan Dragojevic (Sérvia/Eslovênia/Croácia/Montenegro/Macedônia – 2011)

 

O destaque do Festival do Rio, infelizmente, foi também os vários problemas que afetaram as projeções em sistema digital que já domina 70% da programação (e quase todos filmes contemporâneos). Se ao menos podemos agradecer não se tratar daquele padrão de qualidade tão conhecido da Rain, a organização do Festival não soube lidar com a logística de diferentes formatos e tecnologias.

Um dos maiores prejudicados foi o diretor sérvio Srdjan Dragojevic que veio até ao Rio apresentar seu mais novo filme Parada e entender porque o Brasil foi um dos maiores mercados internacionais para Bela Aldeia, Bela Chama. Ao invés de ver uma recepção justa para seu novo filme, o que viu foi uma sala lotada no Estação Botafogo 1, principal espaço para filmes gays do festival, revoltada com os problemas técnicos que surgiam por várias partes do filme.

Após o filme já ter começado com mais de meia hora de atraso, certamente o reflexo de outro problema anterior, novo atraso devido a problemas sucessivos em reiniciar a máquina no qual o filme estava hospedado, além de carregar a legenda. No meio de tanta confusão, o público provavelmente nem percebeu que o som estava produzindo duas saídas similares, prejudicando a compreensão dos diálogos para os que entendiam sérvio (como o cineasta, ainda presente na sala) e certamente criando um incômodo geral.

Depois de vários ajustes, finalmente o longa iniciou com a legenda no lugar, o que não durou muito. Após inúmeros erros temporários e momentos em que claramente a legenda não batia com o diálogo – impressão confirmada por um amigo que fala o idioma – a ferramenta tão importante para a compreensão do filme pelos brasileiros sumiu de vez. A gerente entrou em sala, informando que o filme continuaria sem legenda e que os espectadores que desejassem poderiam ir embora e teriam o dinheiro de volta.

Nem uma coisa, nem outra. Quase todos os espectadores saíram, mas segundo relatos, nem todos conseguiram o retorno do bilhete. Vários desistiram de esperar na fila e algumas pessoas não tinham mais o canhoto do ingresso, o que era exigido na devolução, causando a revolta de um grupo de espectadores e transformando a sessão num caso de polícia.

No meio de tanta confusão, o diretor saiu da sala, abandonando qualquer expectativa da realização de um prometido debate, e um grupo de bravos guerreiros, cerca de 20 pessoas, permaneceu. Miraculosamente as legendas permaneceram até o final do filme, apenas falhando brevemente em uma sequência. E sinceramente, talvez a falta de entendimento dos diálogos poderia ter dado um aspecto mais exótico e esperançoso ao filme…

A narrativa que trata dos bastidores fictícios da primeira Parada Gay da Sérvia em 2010 é bem agridoce, combinando personagens completamente opostos por um bem comum. Tanto o gangster durão quanto o casal gay, ou iuguslavos de diferentes nacionalidades devem se juntar para que ao final o evento aconteça. Justamente quando o filme parte para piadas duras sobre a questão dos bálcãs é que parece haver um respiro, uma liberdade no roteiro e as risadas fluem naturalmente.

Já na questão central, a aceitação sexual, que ainda parte para um caminho entre as diferenças entre pais e filhos (tanto o protagonista gay com seu pai, quanto o hétero com seu filho skinhead), o discurso é piegas e o final completamente esperado, misturando o drama real com um clima romântico digno de produções hollywoodianas.

 

Trailer do filme

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Veja a cobertura completa do Festival do Rio 2012



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