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Gonzaga – De Pai para Filho


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Publicado em 5 de Outubro de 2012

Gonzaga – De Pai para Filho (Brasil, 2012)

Chama a atenção, nos créditos iniciais de Gonzaga – De Pai para Filho, a romaria de empresas produtoras, bem como a infinidade de patrocinadores, que se uniram para viabilizar o filme. Na tentativa de estabelecer um cinema popular no Brasil, Breno Silveira assume o compromisso com a bilheteria e repete a fórmula de 2 Filhos de Francisco, com a biografia de dois ícones da música nacional: Luiz Gonzaga, o Rei do Baião (cujo centenário se comemora em 2012), e seu filho, Gonzaguinha.

Em Gonzaga – De Pai para Filho, estamos em 1981, pouco antes da turnê que unirá Gonzagão e Gonzaguinha pela primeira vez nos palcos. O filho viaja a Exu, sertão de Pernambuco, para questionar e confrontar o pai. Através de longo flashback, que preenche quase toda a narrativa, Luiz Gonzaga recapitula sua vida, desde a juventude, quando se apaixonou pela filha do coronel local, até os conflitos com Gonzaguinha já adulto.

Breno Silveira adota narrativa bastante simples e convencional, com destaque para os acontecimentos biográficos mais facilmente identificáveis pelo público. Gonzaga – De Pai para Filho enfileira os fatos marcantes da trajetória do Rei do Baião: a adolescência pobre em Exu, a aprendizagem da sanfona com o pai, o período no exército, a participação na Revolução de 1930, o relacionamento conturbado com a primeira esposa, a vitória no concurso radiofônico de Ary Barroso, o sucesso e as viagens pelo Brasil, o casamento com Helena, os desentendimentos com Gonzaguinha.

A fidelidade histórica impressiona em Gonzaga – De Pai para Filho. Breno Silveira procura a verossimilhança, seja no tom didático com que mostra os eventos, seja na transformação física dos atores principais, a fim de encarnarem os personagens. Nada, porém, cria mais empatia com o público do que os shows de Luiz Gonzaga, interpretados por Chambinho do Acordeon. Eles representam, na lógica dramatúrgica do filme, o sucesso de Gonzagão na estrada, em oposição ao fracasso de seus relacionamentos familiares em casa.

O homem que amava o povo, mas era incapaz de conversar com o próprio filho. Breno Silveira, no entanto, cai na tentação de superexplorar as performances musicais de Luiz Gonzaga (na pele Chambinho do Acordeon), ao invés de nos revelar com mais detalhes o sofrimento de Gonzaguinha devido à falta do pai.

Para uma história sobre ausência paterna, Gonzaga – De Pai para Filho nos oferece, paradoxalmente, a presença constante de Luiz Gonzaga.

 

Trailer do filme:

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Veja a cobertura completa do Festival do Rio 2012



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