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Moonrise Kingdom


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Publicado em 3 de Outubro de 2012

 Moonrise Kingdom, de Wes Anderson (Moonrise Kingdom, Estados Unidos, 2012)

 

“Come on you boy child, you winner and loser,
Come on you miner for trhuth and delusion, and shine!”

Shine on you Crazy Diamond Pts. 1-5, The Pink Floyd.

 

Em uma carreira relativamente curta, composta de oito longas e três curtas, Wes Anderson conseguiu talvez mais do que nenhum outro cineasta americano de sua geração construir uma obra tão coesa que ao mesmo tempo você já sabe de certa maneira o que vai encontrar (trilha indie, direção de arte quircky, personagens simpáticos e excêntricos, etc.), mas embalados de uma forma completamente surpreendente, o que faz a festa de seus fãs, pois seguindo este princípio tudo será novo e uma decepção algo impossível de acontecer.

Mais do que estes maneirismos, o que temos sempre em Chez Anderson são personagens que parecem perdidos, completamente fora de sintonia, seja de espaço, época e sociabilidade. Elas devem se reunir então em espaços um tanto a parte de seu mundo (trem, hotel, submarino, casa dos pais, etc.) para finalmente conseguir seguir em frente na vida.

Seus filmes geralmente focam adultos que se comportam como crianças super-geniais virando adultos banais, medrosos e presos a suas inseguranças e armações. O que culmina em sua obra-prima Os Excêntricos Tenenbaums no qual esta ideia é levada ao extremo

Um destino similar tem as personagens adultos de Moonrise Kingdom. Laura (Frances McDormand) é casada com Walt (Bill Murray) e tem um caso com o policial (Bruce Willis) da pequena cidade em que vivem. Os três não parecem ter noção alguma do que fazer, de como agir e de como expressar seus sentimentos. A assistente social (Tilda Swinton) parece uma personagem interpretada por uma menina determinada, totalmente segura de si apenas enquanto a fantasia aguenta, enquanto o narrador (Bob Balaban) também aparenta estar brincando de grande apresentador de televisão e explorador.

Mas pela primeira vez em sua carreira, Anderson entrega o protagonismo da história para crianças: Suzy (Kara Hayward) é a filha de Walt e Laura que decide fugir com Sam (Jared GIlman), um garoto com quem troca cartas há um ano desde que se conheceram no verão. Ao contrário das personagens acima, eles parecem muito mais maduros do que aparentam: Sabem exatamente o que querem, soltam para fora o que precisam e agem como gente grande. Que outras crianças americanas dançariam tão amavelmente à Françoise Hardy?

Mas obviamente, aos 12 anos, eles já começam a experimentar as primeiras desilusões. O diretor e roteirista (em parceria com Roman Coppola) não parece nem um pouco otimista com o futuro das crianças, apesar do clima feliz com o qual ele impregna a película: muito provavelmente, os dois terão destino similiar aos jovens Tenenbaums ou aos próprios adultos no filme.

Mais preso ainda neste universo em que as pessoas não conseguem realizar os papeis aos quais são esperados está, provavelmente, a grande personagem síntese que Anderson criou no chefe dos escoteiros, interpretado por Edward Norton. Talvez não haveria ator mais perfeito do que a grande promessa (e melhor ator) dos anos de 1990 que hoje, uma década depois, mais parece mais um veterano que não deu certo.

Norton, este ano parecendo voltar aos holofotes (também estava incrível em O Legado Bourne), encarna com perfeição o personagem, vestido impecavelmente com seu uniforme de escoteiro e perdido entre suas responsabilidades de adulto e brincadeiras/atividades de criança, precisando desesperadamente e urgentemente decidir qual rumo tomar. Se no cinema de Anderson, a tragédia nunca chega a invadir completamente a cena, ao menos um futuro um tanto escuro e depressivo está sempre a espreita, por mais que os diálogos sejam divertidos e a direção de arte, incrível, nos pareça sempre transportar para um mundo de fantasias.

 

Veja o trailer

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