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A Bruma Assassina


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Publicado em 3 de Outubro de 2012

 

 

 

 

 

 

 

 

A bruma assassina (1980), de John Carpenter

 

Apenas dois anos depois do surpreendente sucesso de Halloween, John Carpenter retornou ao gênero terror com A Bruma Asssassina. Ambientado numa cidade litorânea do interior dos Estados Unidos, o filme é um conto moral sobre o que os males da ganância podem causar ao se abaterem sobre uma pequena comunidade, repetindo alguns aspectos de Halloween, como os assassinatos em série e Jamie Lee Curtis, no papel de uma moça que vive de cidade em cidade e acaba por ajudar a combater a ameaça que vem da bruma.

Mas, em se tratando de um filme de John Carpenter, o conto moral vem disfarçado em um dos melhores filmes de terror e suspense já filmados, com as cenas dos assassinatos evocando passagens de filmes de Dario Argento.  A cidade de Antonio Bay celebra cem anos de fundação, que coincidem com o centenário de um episódio no qual um barco, enganado por uma névoa, acabou por naufragar ao confundir uma fogueira com a luz de um farol. Mas tudo não passou de uma armação do padre da cidade à época, que desejava roubar o dinheiro dos passageiros daquele barco – com uma série de leprosos, inclusive um milionário – que buscavam fixar residência na cidade.

No entanto, por mais banal que a história seja, é a forma como o suspense e o terror são construídos que interessa a Carpenter. Na torre do farol fica a estação de rádio local, comandada pela DJ e apresentadora Stevie Wayne (Adrienne Barbeau). Dona de uma bela voz, ela faz companhia aos notívagos do local. E também é quem primeiro irá ver a bruma, que traz consigo, de volta, os mortos do passado em busca de vingança.

O terror e o suspense no filme aparecem muito mais nas atmosferas criadas por Carpenter com o uso do som de objetos caindo, coisas se quebrando, a música eletrônica, composta por ele mesmo, o uso dos espaços vazios como elementos geradores de tensão, proporcionado pelo enquadramento em cinemascope, do que com a violência física dos assassinatos, que ocorre em grau até detalhado em termos gráficos, mas é apenas um elemento a mais na construção estética do filme.

Metáfora de um país que entrava nos anos 1980 cada vez mais voltado para políticas econômicas neoliberais, ou seja, que visavam o lucro antes do bem-estar social, A Bruma Assassina expõe que há algo na natureza (e a maneira com que Carpenter filma a bruma faz com que ela se pareça com um ser vivo) que transcende o simples materialismo do dinheiro.

Como cena símbolo do filme, àquela em que o padre da cidade, neto do padre que tramou a morte dos leprosos, devolve aos mortos-vivos o dinheiro que seu avô havia escondido dentro da igreja, na forma de uma cruz de ouro maciço.

 

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