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Fausto


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Publicado em 20 de Julho de 2012

 

“Alguém dizia: “Por que vos cansais com Homero? De qualquer modo, não o compreendeis.” Então eu respondi: “Não compreendo tampouco o sol, a lua e as estrelas; mas eles passam sobre minha cabeça e eu me reconheço neles enquanto os vejo, enquanto considero seu movimento regular e maravilhoso e penso: “talvez também de mim possa aflorar algo de bom.” (Goethe, em Máximas e Reflexões)

 

Para Elizabeth de Andrade Lima Hazin

 

Como seria uma sociedade sem o poder de deus ou do diabo? Uma sociedade onde a inteligência humana e o afeto fossem as moedas de troca? Onde o cansaço fosse superado pela substância de gozos infinitos e permanentes. Em não sendo isso, invade-nos o mundo real com sua tristeza difusa. Então aqui, o “filme” do banqueiro ou do publicitário que não veremos. Ali o tédio do cinema-espetáculo de Hollywood. Mas… não temos mais estômago para a desinteligência como alimento. Merecemos coisas melhores, pois temos uma história de resistência aos longos anos de fascismos; ainda hoje difícil de compreender.

Talvez por certa generosidade, defendemos filmes brasileiros, vistos depois – indefensáveis! Erramos. Somos humanos. Mas… tentávamos num esforço hercúleo mudarmos os rumos do novo fascismo que vem sendo imposto pela burocracia e pelos saltitantes oportunistas cultuadores de uma Idade de Ouro inexistente. Éramos e somos contra as favelas colloridas e o culto a polícia fantasiada de “pacificadora”. Também sempre lutamos contra o desprezo do mercado pelo saber. Quem foi que disse que o filme comercial tem de ser Cilada.com ou De Pernas Para o Ar? Também nunca nos interessou esta televisão que existe aqui, pois só se via e só se vê lixo!

Bem, chegamos a Sokurov que já nos deu obras geniais. Não é um cineasta de idiotismos, deslumbramentos e fanfarras. É um delicado homem de cinema que trabalha sonhos e pesadelos como se fosse um analista antiburguês, inquieto com a mesmice do mundo das imagens. Sua luminosidade viva vai além do culto das celebridades e dos festivais. O sentimos como um sonho possível para todos porque faz um cinema que nos convida a pensar. Um desassossegado para a crítica mumificada, sem contornos humanos. De Mãe e Filho a este seu genial Fausto, uma fuga para a sensibilidade desprezada pelo mercado. É de causar inveja a sua ousadia de não ser igual ao cansaço do cinema oficial.

Foi assistente do Tarkovsky, e foi além, sincero na sua produção de imagens. Claro que pode não ser gostado, mas com fundamentos profundos e não com tremeliques classistas de um jornalismo duvidoso. O seu recente Fausto é um raro filme de fôlego em estado bruto. Sokurov faz cinema! Mistura sons e imagens nômades, com a máscara do horror nos lambendo a todos. Pois o mundo real dominante é bem mais do diabo, que de uma ideia falsa de deus, e que só se realiza na miséria entre os pobres, famintos, desinformados e miseráveis. E se o principal instrumental feito do mercado são os penduricalhos de Hollywood, Fausto nos faz pensar, ordenando-se num outro processo que é o do cinema-profundo! Cinema do desequilíbrio de nossas tantas certezas idiotas como: sucesso, premiação, celebridade, poder… E o que vem a ser isso frente ao processo demoníaco de criação?

O inferno de Sokurov

Sempre tivemos horror do cinema de concessões e facilidades. E é o que nos domina sem grandeza alguma. Mas… o que somos todos por dentro? Resposta: só uma máquina de fabricação de fezes. Fezes como linguagem. Fezes como cultura. Fezes como política… E para quê? No que falta ao corpo sua alma, apenas adentramos no horror secular de Goethe aos nossos dias. Não sem razão Sokurov filma o seu Fausto, como se fosse ao inferno. E digamos que seus personagens se decompõem lúcidos na dimensão do vazio, numa espécie de retorno as origens perdidas da vida, onde a inutilidade do movimento não se coaduna com a potência crítica da imaginação. Daí a intencionalidade da arte: a de saber e poder recusar o fácil.

Em cada imagem deste seu delicado trabalho pinturas, sombras e ideias do que deveria ser o cinema: o deserto encantado do universo. O ilusionismo labiríntico de um Mefistófeles bem humorado e genial como composição de personagem, suscitando fascinação na sua deformação alegórica expressiva. Nele ou dele fagulhas e borbulhas que se comunicam com as entranhas da terra para onde todos vamos um dia. E ziguezagueando entre penhascos Fausto enlouquecido, protelando o seu fim. Mas com que objetivo se a morte é certa?

Logo na primeira sequência um cadáver sendo vasculhado por dentro. E do coração as tripas, as regiões da máquina humana de corpos assaltados pelo saber. Afinal, que raízes são essas? O que seríamos nós sem órgão algum? Num outro momento, dentro de uma garrafa, o aluno de Fausto, cria uma estranha criatura sem corpo. Talvez aí, um diálogo entre a ciência e a criação que pode ser fundida as muitas deformações de Mefistófeles. Que apesar de doente e deformado, faz viver genialmente as profundezas do inferno. Suavíssimo como luz e humor farrea em banhos, cantinas e campos. E que mesmo ausente, está presente em alegorias imagéticas da morte. Luz opaca que brilha na vida de todos, afinal um dia partiremos para não mais voltar.

O encontro amoroso

No entanto, a poesia do único encontro amoroso faísca e brilha como imagem: apenas os pelos pubianos da mulher desejada em primeiro plano, e o rosto de Fausto que cai sobre eles em segundo plano. O espectador pode imaginar tudo: do carnaval ao gozo que pertence à esfera da loucura. E se não é isso, é o mijo de burro no lugar do vinho da criação. Sokurov deixa voar a imaginação liberando-a para que possamos imaginar, sonhar e gozar. Gozo que só justifica a existência, os instantes que se apagam com as invenções geniais da poesia amorosa. E nesse frescor de corpos melados, uma dissipação momentânea do horror e da morte, pois viemos ao mundo para gozar, e não para rezar e sofrer.

Ou seja, muitas são as referências culturais desse Fausto: das pinturas de Bosch a Brueguel. De Nietzsche a Artaud. Da ardilosa charlatanice religiosa desse nosso tempo, à Bartleby. Fausto e Mefistófeles difundem bem o mundo sombrio em que vive a humanidade entre o cinismo e a obscuridade sem beleza alguma. E somos todos prisioneiros desse horror olhando imagens idiotas do cinema de mercado. Mas que mercado se é todo ele ocupado pelo Outro? O que nos interessa em espetáculos como O Homem Aranha IV ou…. Goethe serve mais ao mundo visível em que vivemos que todos os “filmes” de mercado, lançados nos últimos anos. O saber profundo do filme de Sokurov nos torna mais incômodos e menos um montão de excrementos de desinvenções burguesas. Desinvenções preenchidas por ideias e imagens de um imenso sentimento de vazios. E Sokurov nos reaviva o fogo poético da juventude. Não para criar monstros, mas para reviver a fascinação do sonhar.

Fausto reina sobre o difícil, o lúcido e o estranhamento. E pouco importa que não seja igual ao sensível Mãe e Filho ou o genial A Arca Russa. É um outro tempo. Um outro tipo de transgressão, onde se nota a presença grandiosa de Artaud, na delicada composição das imagens e dos personagens com a grandeza interpretação de todos e especial do demônio. Singular como leitura e proposta na reconfiguração de uma construção do movimento. Belo ensaio sobre a vida e a morte.

Queiram ou não é uma obra exemplar, raríssima nos dias de hoje. Viagem infinita e de retornos. De mitos e realidades. Do individualismo humano à sua totalidade. Substância de todas as naturezas. Uma jornada do céu à Terra. Ou melhor, ao inferno. Com todos nós personagens perdidos nas nuvens, como Margarida. Concepção do absoluto que nenhuma realidade pode satisfazer: a dimensão do saber humano. Nossas contradições. Da tragédia à beleza. E de nossas enfermidades como símbolo, imagens e matéria. E o resto: nuvens, Fausto, filme privilégio de poucos. Um agradecimento a Goethe e a Sokurov. E a toda dialética que os pôde auxiliar nessa obra gigantesca, necessária e indispensável. Nossa sórdida ablação na separação de corpo e alma. E para a negação de Fausto e Mefistófeles que o filme aproxima como a significação para alguma elevação. Ou, nenhuma!

Goethe e Sokurov sabem que qualquer passado é uma tormenta para os ainda vivos. Considerando a nossa época vulgar, pela pulverização, nuvens. E pela encantação mágica, mística e tecnológica pela ação desassombrada e nefasta do capital financeiro, esse filme de Sokurov é também um encantamento. Primeiro pela adaptação. Dificílima e, esplendidamente, bem resolvida. Em todos os sentidos do cinema e da arte. O que nem Goethe havia conseguido em sua peça sobre o mesmo tema e material; o magnífico poema. E tudo está lá: a história e o tempo. O mito, o que esplende. E o possível do humano. Até as excedências. Esta força e horror do capitalismo voraz. Desde a sua origem. Dele e mesmo nossa! E onde nada se dissipa. Nem o amor. Para tudo terminar em névoa! Depois das guerras e da morte!

A história de todos nós

Esse filme de Sokurov é outra Arca, e de nossa história. Graças a Goethe e à época desse gênio que soube vivê-la, levantá-la, catalogá-la e nos legar alguma coisa que se tornou herança indispensável para que nem tudo se perca enquanto algum humano puder sentir a si mesmo, sua presença e sua ausência. Como tudo e como nada. O que Fausto, antes de pulverizar-se, deixa para trás estendido nas trevas, cobertos pela nuvem como última etapa de sua jornada. Como professor e aprendiz. Verdadeira síntese da experiência e dos anos de aprendizado de Goethe. Mitos, medos, símbolos, o trágico e a beleza como busca, apreensão e construção. E em tudo isso, a exaltação e o que pode conter de seu tempo. No poder, na política e nas paixões. E sem essa plenitude não seria Goethe. Nem o Sokurov do delicado Mãe e Filho e A Arca Russa.

Viagem sobre a história e sobre todos nós. Em nossas individualidades e em nossas diferenças e totalidades. Concebidas, imaginadas ou dominadas. Sem dispensar o universo de toda natureza e seus infinitos e autônomos movimentos, nos levando também, mas, sem este sentido do “Eu” como a diferença trágica, na afirmação desse humano. A presença da grandeza da cultura alemã daquele tempo é inegável. Com Hegel em sua filosofia partindo da história, principalmente da grandeza do mundo grego; Goethe preferiu partir do paraíso, das nuvens. Influência de Dante; e Sokurov parte da dialética porque a jornada – a sua como diretor e responsabilidades – seria muito longa. Jornada para iniciados, amantes e transtornados! De beleza, paixão, história e arte. Que nada dissipa. Principalmente o tempo numa relação simbólica dura e bela do mito com a realidade; o que às vezes fazia Kant se perder.

A dialética de Mefistófeles

Sokurov também pratica as suas inversões em seu conhecimento e fidelidade à dialética e onde Mefistófeles se torna uma contradição mais do que necessária para a grandeza de sua obra. Esse maravilhoso ator-personagem diabo. Mefistófeles é encantador pela reinversão do feio, do belo e das tragédias. E atinge a sublimidade. Encantando não somente a Fausto, mas, a todos nós espectadores e amantes de tudo o que esta nossa realidade tem nos negado e tirado. Como ablação e até como vivissecção; ao vivo mesmo. Não são assim as ditaduras? Com Mefistófeles passando a ser a reinvenção do próprio Fausto, desmistificando o seu conhecimento e o que pretende como concepção do absoluto!

O que Margarida passou a simbolizar para Fausto, depois do belíssimo e sugestivo encontro dos dois na floresta, sob a proteção de Mefistófeles. Mas o que parece fundamentar toda a história do Fausto de Goethe e o do filme de Sokurov é a relação do ser humano com sua própria natureza; a que ele é e a que ele imagina que é. Simbólica e criativamente. Sua projeção simbólica na realidade de que, na realidade o domina e fetichiza. Histórica, mitológica e capitalisticamente. Com uma história a perseguir os personagens, e nós também do princípio ao fim da vida. Empírica e culturalmente. E no filme, o fundamental, para quem ainda tenta pensar, é não perder os clamores da história do passado, do tempo e da memória para que o desejo simbólico do futuro, esse fundamentalismo de Fausto como absoluto não seja um retorno do passado pior do que foi.

Isso tem ocorrido ao longo da história nos movimentos supremo das guerras e das revoluções que nada são senão vitórias da burguesia, de absolutismos e de seres supremos que nada têm a ver com a massa faminta de seguidores do espetáculo. E mais fascista do que a realidade que pensamos ultrapassada e superada. E o que as guilhotinas da revolução francesa em seu termidor nos demonstrou como temor e perigo. Fingindo progresso e modernidade e onde se morre e se mata mais como espetáculo do que para mudanças. Como nas filantropias. E repetindo: na defesa da polícia nas favelas, nas ruas e nas praças perseguindo, expulsando e exterminando. Com o povo aplaudindo apenas pelo absurdo do sangue coagulado a alimentar os cães vadios, e como festa durante o morticínio fetichizando e globalizando, desterritorializando econômica e culturalmente. E com o que restar levando para onde for o seu presídio em forma tecnológica de evolução e progresso e enquanto os presídios são depósitos dos sem destino e sem aprendizado, os de Mefistófeles, para alguma sobrevida e resistência.

Deuses e diabos numa dualidade tragicômica

Fausto que nos estimula algum aprendizado do empírico, do idealismo, ao supremo revestidos de elevada dialética histórica, política e plenipotencializada pelos de cima e pelos de baixo, os que a natureza não hierarquiza mas, os que a nossa divisão do trabalho sabe evidenciar; com deuses e diabos numa dualidade trágica e cômica como a dos Malafaias e outros terroristas da fetichização… Para cumprir tamanha tarefa o filme de Sokurov obriga a linguagem a submeter-se ao que a dialética soube acumular sem excedências, esse capital do filme que nos soube proteger e beneficiar pelo conhecimento acumulado e distribuído como dividendos de Goethe e de Sokurov. De Hegel, Marx, Lukács e outros.

O filme nos deixa uma incógnita. Quase a mesma que nem Kant respondeu. Que ser humano é este, admirável, em certo sentido e conquistas. Disposto a tudo. A todo experimento e a toda crença. Sujeito à glória e à renúncia. E que está sempre no mesmo lugar. Ou, um pouquinho mais para trás!

o que a dialética soube acumular sem excedências, esse capital do filme que nos soube proteger e beneficiar pelo conhecimento acumulado e distribuído como dividendos de Goethe e de Sokurov. De Hegel, Marx, Lukács e outros.

O filme nos deixa uma incógnita. Quase a mesma que nem Kant respondeu. Que ser humano é este, admirável, em certo sentido e conquistas. Disposto a tudo. A todo experimento e a toda crença. Sujeito à glória e à renúncia. E que está sempre no mesmo lugar. Ou, um pouquinho mais para trás!

 

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2 Commentários sobre 'Fausto'

  1.  
    dina moscovici

    9 Agosto, 2012| 12:46 pm


     

    faltam comentáristas e críticos como Rosemberg: furiosos e amorosos!

  2.  

    8 Novembro, 2012| 10:29 am


     

    “só uma máquina de fabricação de fezes. Fezes como linguagem. Fezes como cultura. Fezes como política… ”

    Comentários muito apaixonados são quase sempre desmedidos. A Cultura é o oposto das fezes, o que faz do homem mais que fezes.

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