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Chantrapas


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Publicado em 11 de Outubro de 2011

Chantrapas, França/Geórgia, 2010, de Otar Iosseliani.

Na década de 50, na Geórgia ainda parte da União Soviética, o regime comunista censura o filme do jovem diretor Nicolas. Quando emigra para a França, todavia, Nico descobre que os produtores capitalistas lhe impõem praticamente as mesmas restrições de antes.

Chantrapas é parcialmente autobiográfico, já que Otar Iosseliani começou no cinema nos anos, na ex-União Soviética, com filmes que, ao mesmo tempo, recuperavam sua origem georgiana e lidavam com a frustração e a insatisfação dos jovens frente ao regime burocrático e repressivo. Iosseliani vivia sob a distensão política de Kruschev, quando as vozes nacionalistas caladas por Stalin se fizeram ouvir. Na década de 80, o diretor emigrou para a França – mas, ao contrário de Nicolas, sem voltar para a Geórgia natal.

Nico busca suas origens, mas não as encontra. Seu filme trata da História da Geórgia, possivelmente de sua própria família – a personagem do soldado é idêntica à fotografia na parede da casa, e Nicolas põe o retrato dele para decorar o set -, mas apenas fragmentos nos são apresentados. Nunca assistimos ao filme por inteito, assim como jamais sabemos a respeito do passado de Basil, avô de Nico, a quem insistentemente comparam o neto. Basil não fala de sua vida e, quando a procura, vê que não existe mais: ao perguntar sobre os velhos amigos, a filha e a esposa lhe contam que quase todos estão mortos.

Chantrapas se inicia com as amizades de infância de Nicolas, mas rapidamente as abandona: Nico vive só, sem raízes. Lançar o filme proibido na França, começar nova carreira, são apenas desculpas para que estabeleça novas relações que o tragam para fora do isolamento – com os produtores, com o casal que o abriga em Paris, com sua assistente, com o cenarista. Mas Nico fracassa, pois deseja que a vida seja como a sala de montagem, onde trabalha imperturbável, com as cortinas fechadas e sozinho.

Nicolas permanece estrangeiro em qualquer lugar, pois não importa se volta, ou não, para a Geórgia, e em qualquer tempo, já que Iosseliani mistura deliberadamente os anos 50 com o século XXI ao longo da narrativa. Como diz o produtor, Nico era um estranho na Geórgia, enquanto a França é uma estranha para ele. Em ambos os países, o jovem diretor vê a fantástica sereia, que seduz e atrai os marinheiros para o fundo mar: incapaz de lidar com sua condição de estrangeiro, resta-lhe mergulhar e desaparecer.

Veja o Trailer aqui:

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