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Prelúdio para matar


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Publicado em 8 de Outubro de 2011

Prelúdio para matar, Itália, 1975, Dario Argento

Godard já dizia que “no cinema não existe sangue, existe vermelho”.  Ou seja, aquilo que vemos é uma representação do sangue e não o sangue por ele mesmo, uma recriação do sangue por um artista. E houve o célebre sangue em preto-&branco de Psicose, onde Hitchcock utilizou o artifício da ausência de vermelho para poder driblar a censura em uma violenta cena de assassinato. Prelúdio para matar atualiza as duas proposições estéticas para uma nova época e estética do cinema. Não só haverá vermelho, mas muito vermelho. E os assassinatos serão tão assustadores e muito mais violentos e encenados do que em Psicose.

A dimensão de medo e suspense que Prelúdio para matar traz não se limita somente à imagem. Em uma época na qual o som do cinema era somente mono e 5.1 ficção científica, o filme de Argento possui o som como elemento fundamental em sua missão de causar medo no espectador. Uma música instrumental, espécie de rock progressivo, sempre acompanha o surgimento do assassino em cena e ele mesmo tem fixação por uma melodia infantil, que usa enquanto massacra suas vítimas. Mas todo e qualquer ruído, utilizado isoladamente ou em conjunto, serve para incutir medo nos personagens e no público.

Os assassinatos em Prelúdio para matar são a essência do filme. Cada crime cometido possui impressionantes detalhes no que diz respeito ao modo como o assassino extermina suas vítimas e aos aspectos do sofrimento das vítimas nos closes utilizados por Argento. Não são simples assassinatos, mas obras de arte, cada um dos crimes coreografado como uma dança detalhada, onde não basta matar e sim imprimir a marca de uma determinada mutilação ou deformidade.

A habilidade na utilização do Techniscope por Argento faz com que os amplos espaços do quadro cinematográfico sejam utilizados para acentuar o efeito do fora-de-quadro. De onde vem o assassino? Pode ser de qualquer lugar que esteja fora da imensa tela do cinema. E, quando ele surgir, a morte de sua vítima é tão certa quanto brutal.

Outro dado que contribui para fazer de Prelúdio para matar um grande filme é a habilidade de Argento em alternar gêneros do cinema dentro da mesma narrativa. Se Prelúdio para matar é, basicamente, um filme de suspense, a dupla de protagonistas que busca solucionar o mistério do assassino se parece mais com personagens de uma screwball comedy. Assim, o filme possui uma admirável alternância entre dois gêneros do cinema absolutamente distintos, retomando um humor que já havia em muitos dos filmes de Hitchcock, mas de uma maneira mais direta. Argento, afinal, é italiano. Italiano e barroco em seu concerto de mortes.

Trailer:

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Sessões Prelúdio para matar (Profondo Rosso)| Festival do Rio

SAB (15|10) 24:00 Odeon Petrobras
DOM (23|10) 20:00 CCBB – Cinema 1

 

Veja a cobertura completa do Festival do Rio 2011



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