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Poemas de Pelhtale


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Publicado em 11 de Fevereiro de 2011



cubismo

sombreado apressado passar, imensa pena agonia,
ninguém sorri, em deodoras bravatas republicanas,
atrelados aos ingleses interesses.
personagens mestres da miséria autêntica,
sem disfarce, sem permutáveis papéis.
cenário, a tristeza certeza de uma sentença,
não atrasar na diária olimpíada do baixo ganho.
multifacetada descolorida multidão, mistura viva,
alamedas passeios centenário arvoredo de porte,
gatos, quatis, patos, gansos, peixes, travestis,
punguistas, biscates malabaristas, dormideiros idosos
em ripados de boa curva, confortáveis preguiçosos
bancos de conversar, descansar, o tempo, não lembrar,
sombreiros, adeptos aguardam, desocupados, silenciosos,
solitários falantes, o descompromisso desfile carrossel.
observadoras folhas, risonhas, de bom viço, espécies várias,
discretas desinibidas ao voo, guardam percebem,de suas frondosas, apressados recolhidos figurantes,
casais de costume frequência, despojados,
em conversa de pele, desinibidas carícias.
em sobras sombras de chão, espalhadas atrizes
de um teatro verdade, pouca roupa de pudor,
figurino de ofício, conversam dores mazelas,
seviciada necessidade ao ganho, seviciada sociedade,
furtivos encontros infectos quartinhos,
hotéis de apelido, casas de tempos antes,
o correr fundos art decô da central do brasil
proletárias, procelárias escravas, porventura,
haverá, de alguma sobra, sobrante sonhar.
manequim, viva vitrine sem temperado vidro,
desfila, despe, despoja a maltratada sobrevida,
carestia diária teimosa prebenda, de não qualquer recusar,
desinibida de pequenos instantes, à sua gastura,
variações de sazonalidade não interferem na sofrida oferta,
ao lodo, um dia, uma flor desabrochará.
pablo picasso, les demoiselles do campo de santana


fantasia

o senhor albino mora de favor,
em sombria àgua furtada
de um lotado cortiço na gamboa
as necessidades e asseio
lhe é permitido, o mesmo
banheiro dos restantes
é surdo mudo e, de quebra,
tímido e arredio
mas tem uma particularidade
é um discreto observador ao alheio
primeiros albores, rua ganha,
a caminho do trabalho
conversa e gesticula assuntos muitos,
de preciosa sensibilidade
com a sua preferida companhia,
a própria sombra
por explícitos motivos de sobrevivência,
todos os dias, jornada a pé,
até o seu ganha pão em copacabana
exerce, por gosto adquirido,
aos fundos de uma serventia
em edícula desbotada,
musgo limo ao tempo,
a profissão empregado, de fazedor
e recuperação de espelhos
banho de prata aplicado
em uma das faces, em outra,
reflexo bem resolvido, sem deformações,
expressiona de quando em vez,
os demais sem perceberem,
imagens faciais de guardados motivos,
comentários silentes da sua vizinhança,
invenções rosto corpo figuradas que a
imaginação liberta
não tem limites
dia encerrado, da mesma forma,
ao cortiço retorno
noite feita, ao forro moradia,
recolhido à penumbra de costume,
sombra ao lado,
embaixo do colchonete,
guarda amarelada foto recorte de jornal
rendendo-se ao cansaço, adormece e,
todas as noites, feliz,
sonha marcel marceau

mar amar

qual sequência um beija floreia,
cuja essência gardênia aroma,
em beiras de mareados odores,
salinam olfatos de pesqueiras redes
do amor trazer, dadivosos suspiros,
que a marinha vida, transpira o permitido
resvalo de uma estrela e um esguio
transparente delicado bailarino,
cuja profundidade encontro,
se confunde com o sentimento


Pelhtale passeia pelo Rio de Janeiro. Teve sua fase no universo dos desenhos: caricaturas, dançarinos, gente na rua. Agora registra suas impressões no seu escritório temporário, o cinema. Talvez você já o tenha visto entre uma sessão e outra. Quem sabe? Acione o botão da memória.




9 Commentários sobre 'Poemas de Pelhtale'

  1.  
    solange

    17 Fevereiro, 2011| 7:57 pm


     

    Gostei mto destes poemas. Cubismo é um painel bem delineado da vida no campo de santana, ágil, preciso, sensível e solidário.e Fantasia é puro lirismo, sente-se a simpatia do autor pelo personagem. Parabéns ao Pelhtale, gostaria de ler mais. Parabéns à Moviola pela bela apresentação.

  2.  
    Aline Prado

    17 Fevereiro, 2011| 8:13 pm


     

    Conheço bem o Jacó. Figura querida e carismática. Um flâneur que vai lendo a cidade, as pessoas… e descrevendo nos seus belos poemas.

  3.  
    Jorge Bittar

    18 Fevereiro, 2011| 1:45 pm


     

    Eu gosto. A leitura de Pelhtale é mais gostosa que os sorvetes que tomarei com o Jacó no Gonzaga.

  4.  
    Ricardo

    18 Fevereiro, 2011| 7:05 pm


     

    Parabéns, Pelthale.
    Seus poemas são cheios de sensibilidade política, sociólogica, além de mesclar história, arte e cultura a tudo isso.
    Bela inicitiva do Moviola,

  5.  
    Sonia

    18 Fevereiro, 2011| 10:16 pm


     

    Pincelando, em versos, suas impressões da realidade, Pelhtale nos traz seus sentimentos sobre algumas situações da vida carioca. Muito vívidas, muito fortes.

  6.  
    Rachel

    19 Fevereiro, 2011| 3:02 pm


     

    Parabens, meu querido amigo Pelhale. Adoreiiiiiiiiiiiiiiiiiiii.

  7.  
    Paulo Lima

    19 Fevereiro, 2011| 9:00 pm


     

    Jaco é um poeta sem hora marcada. Um boulevardier. Passeia, caminha pelas ruas com o olhar atento:nas letras, nas pessoas, nos cantos e recantos da cidade. O Jaco e seu chapéu fazem parte da paisagem carioca

  8.  
    celia satiyo

    20 Fevereiro, 2011| 12:55 am


     

    Parabéns, especial unidade de imagem e versos para compartilhar, oportunidade a ser estendida, queremos mais, moviola!!!

  9.  
    Jaime Cimerman

    20 Fevereiro, 2011| 12:00 pm


     

    Somente Pehale, faz mover a moviola, quem conhece o Yankale,sabe o que ele é capaz.
    Parabens meu garoto continue sempre assim, és o nosso orgulho.
    Meu Guru.

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