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Somewhere


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Publicado em 9 de Outubro de 2010

No hall, enquanto joga baralho com a filha, Johnny Marco recebe outra cantada. No plano seguinte, ele toca Bach ao piano. Em Somewhere, Sofia Coppola explora novamente o conflito do mundo das aparências, onde vive o herói, com a realidade do afeto, na qual transita por breves momentos.

Johnny Marco – astro de Hollywood, rico e mulherengo – existe no sucesso ilusório e fugidio do cinema: os casos amorosos, os shows de pole dance, os dias na piscina, as bebedeiras, os passeios de Ferrari, as viagens internacionais e os holofotes das câmeras são apenas para livrá-lo do tédio. A vida do herói se resume a nada, ausente de significado, tal qual o outdoor que vê da janela de seu quarto. Como em Encontros e Desencontros, Johhny mora no hotel, uma vez que não tem raízes, está perdido, vaga pelos lugares e pelo interior da alma sem destino, objetivo ou porto seguro onde ancorar.

Somente na relação com a filha, Johnny Marco conhece a verdade fora das aparências, pois a ama. Quando a mãe pede um tempo sozinha, ele cuida da garota – brincam de Guitar Hero, viajam para a Itália e para Las Vegas, comem juntos, tomam sol na piscina. O pai a leva nas aulas de patinação artística. Por instantes, divertem-se e se completam: Johnny se sente útil e vivo. Mas ela vai para a colônia de féria, e os dias de tédio retornam.

Sofia Coppola refilma Encontros e Desencontros. Novamente, o ator que se torna refém do espetáculo, o hotel que simboliza indeterminação e deslocamento, o breve contato que o liberta e a partir do qual Johnny se reconstrói. Somewhere, no entanto, abusa dos tempos mortos, dos silêncios e dos planos longos a fim de representar o tédio da personagem. A diretora, igualmente, preenche a narrativa com acontecimentos que beiram o ridículo e que provocam mal-estar (as gêmeas do pole dance, a premiação na Itália) com o intuito de contrastar ainda mais as faces pública e privada do herói.

Em Somewhere, os momentos de Johhny com a filha rendem momentos de puro encanto. Mas, com o herói sozinho na tela, o filme esbarra nos clichês.

Somewhere, de Sofia Coppola, 2010.

Veja a cobertura completa do Festival do Rio 2010.



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