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Copacabana


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Publicado em 24 de Setembro de 2010

Sustentado pela interpretação cômica de Isabele Huppert, Copacabana opõe a figura clássica da atriz contra o despojamento inconsequente da personagem, um tipo que preza a liberdade, ao mesmo tempo em que se vê em conflito pelas próprias convicções. Babou é apresentada como mãe desempregada, fã de música brasileira, mulher independente – símbolos da nova juventude que não antevê idade. Previsivelmente, o clímax se baseia na problematização de sua vida anticonvencional em confronto com as responsabilidades familiares e sociais.

Marc Fitoussi calca sua comédia em gags de comportamento, ambientadas por samba e bossa nova, evocando a brasilidade vista pelo lado europeu. A personalidade descompromissada de Babou é, ainda, motivo de vergonha para a filha Esmeralda, que também funciona como elemento contrastante na trama – supostamente realista. Os contrapontos: timidez e tradição. Babou, na tentativa de orgulhar a filha através dos formalismos matriarcais e, ao mesmo tempo, de libertá-la das convenções, procura emprego até ser indicada para trabalhar como corretora de imóveis na Bélgica.

Mergulhando em um raso universo corporativo, no hotel onde trabalha Babou, o filme não se importa em justificar, por exemplo, o porquê do sucesso da nova corretora na função de angariar visitantes aos apartamentos disponíveis para aluguel no inverno. O longa de Marc Fitoussi se restringe a expor uma mulher passional, sem revelar seu passado ou, tampouco, seu presente.

Muito longe de se tornar marcante, como personagens de Gena Rowlands nos filmes de Cassavetes, e bem próximo da Poppy de Simplesmente Feliz, Babou é apenas retrato do que se pensa equivocadamente sobre liberdade. Um estereótipo do tipo sonhador, do errante de futuro incerto, amplificado pelo embaraçoso olhar sobre o Brasil. Não pela ginga das mulatas, mas pelo ar de fracasso eminente. Sintomas de um terceiro mundo desconhecido.

Copacabana, de Marc Fitoussi, 2010.

Veja a cobertura completa do Festival do Rio 2010.



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