
No consultório psiquiátrico, durante terapia de grupo, pacientes destroçados revelam suas maiores angústias e frustrações – especialmente a esposa (obesa) que reprime o marido (sem coluna verterbral).
Chris Landreth prossegue, no maravilhoso The Spine, com o psicorrealismo que o consagrou em Ryan (Oscar de melhor curta de animação em 2004): os corpos refletem os sentimentos e as emoções das personagens. Mary se deforma em virtude de sucessivos tratamentos para engravidar. Dan, por amor e culpa, anula-se e se submete à esposa – a falta da coluna como representação exterior de sua dependência.
The Spine, como Ryan, utiliza os efeitos CGI para nos mostrar a alma das personagens através de seus corpos. Quando Mary o abandona, Dan vive novamente: está livre da culpa. No entanto, assim que a mulher retorna, ele opta outra vez pelo sacrifício, por torná-la feliz às custas de sua própria miséria.
História de amor torta, às avessas (como o próprio filme) – mas que influencia Angela, que os observa: Dan oferece à narradora de The Spine a chance que não teve.
Ryan no youtube:
The Spine, de Chris Landreth, 2009.

Veja a cobertura completa do Anima Mundi 2010.