
Casal se encontra por breves instantes todos os dias – ele trabalha como escafandrista até às seis da tarde, ela é enfermeira de noite.
Pérola do humor negro e da sutileza, Tuukrid Vihmas retrata as obrigações cotidianas que separam os amantes. Priit e Olga Pärn se concentram em apenas um dia das atividades do escafandrista: enquanto trabalha para resgatar, durante chuva torrencial, navio que afunda, sua mulher, em montagem paralela, espera-o em casa.
Tuukrid Vihmas aposta nas imagens surreais que marcam a obra de Priit Pärn. Sozinha, a mulher devaneia sobre a vida a dois que não possui com o amado. Debaixo da tempestade, o homem observa, impassível e um cigarro após o outro, sem-número de eventos absurdos – sensação de estranheza que os cineastas reforçam quando alongam os planos e desaceleram a narrativa (como em Aki Kaurismäki).
Estamos no meio de pesadelo que se repete dia-a-dia, círculo vicioso que impede a felicidade do casal.
Tuukrid Vihmas, de Priit Pärn e Olga Pärn, 2009.

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