
Marinheiro solitário atravessa o oceano para encontrar a mulher que ama. A tempestade, no entanto, altera-lhe o percurso e o impede de vê-la novamente.
Se apostava na força dos diálogos e no carisma das personagens em Dossiê Rê Bordosa, César Cabral se vale apenas do clima narrativo (luz e cores, sobretudo) em Tempestade, que se inspira na música Eleanor Rigby, dos Beatles, e nas paisagens de William Turner – pintor Romântico londrino, precursor do Impressionismo.
O filme sugere que a tempestade e os mares revoltos não passam de metáforas para a angústia do herói, de expressões conturbadas da alma. O marujo, pois, lança-se em saga inútil, visto que jamais reencontrará a amada: seus próprios sentimentos a mantêm distante.
Com primoroso stop-motion, Tempestade afirma César Cabral, hoje, como maior nome da animação brasileira.
Tempestade, de César Cabral, 2010.

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27 Julho, 2010| 4:50 pm
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