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Danny Boy


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Publicado em 25 de Julho de 2010

Na cidade onde todos se decapitaram, único que mantém a cabeça a amaldiçoa. Diferente, incapaz de relacionar – sobretudo com a mulher que ama -, ele também enxerga o ridículo que a cegueira coletiva proporciona.

Por amor, a personagem de Danny Boy fabrica guilhotina com que decepa a própria cabeça. Mesmo cambaleante, sai às ruas para se encontrar com a mulher que, agora, não foge e o espera de braços abertos. Ele, finalmente, está como os outros, ignorante e feliz.

Marek Skrobecki aproveita de um dos significados possíveis da letra de Danny Boy, escrita por Frederick Weatherly no início do século XX: a mulher que se declara ao amado. Também a associaram ao lamento dos pais que se despediam do filhos, na 1a. Guerra Mundial e na Grande Diáspora Irlandesa (hino dos imigrantes que aportaram nos EUA e no Canadá).

Danny Boy, de Marek Skrobecki, 2010.

Veja a cobertura completa do Anima Mundi 2010.



1 Commentário sobre 'Danny Boy'

  1.  
    Rafael

    19 Setembro, 2013| 5:28 pm


     

    Penso que este curta pode estar fazendo uma crítica ao nosso mundo contemporâneo (pós-moderno, seja lá como cada um prefere dizer). A cidade em que o curta acontece nos lembram aquelas cidades do século XVIII ou XIX, assim também como as roupas de época. Mas é enigmática as duas grande torres no meio da cidade. O curioso é o fato de encontrarmos uma sociedade toda, formada por pessoas sem cabeça, e que aparentemente é a coisa mais normal do mundo. É intuitivo para quem assiste o curta, que aqueles personagens estão incompletos, algo falta. O único que está inteiro é um jovem, penso que este pode representar o ser humano em seu totalidade, na harmonia de todas as suas dimensões (sua razão, sentimentos, criatividade, transcendência, técnica, e assim por diante…). A guilhotina que aparece no final é uma peça chave para entendermos o curta. A guilhotina entra em ação pela primeira vez no século XVIII, justamente no contexto da Revolução Francesa. Aqui abrimos a possibilidade de refletirmos sobre o significado da Revolução Francesa e os seus impactos (positivos e negativos) que são sentidos até hoje. Além, é claro dos ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, uma das grande inspirações da Revolução é a exaltação da Razão (podemos associar a razão com o nosso cérebro, ou cabeça), por forte influência do Iluminismo. Podemos lembrar a profanação da Catedral de Paris com a introdução da “Deusa da Razão”. Mas em até que ponto a exaltação da razão foi capaz de trazer concretamente mais felicidade ao ser humano? Não teria o exagerado enfoque na Razão fragmentado o homem (deixado ele sem cabeça)? Vamos pensar no século passado… deveria ser um século de ouro, pois o ser humano estava no auge do seu conhecimento e domínio sobre a natureza! Mas essas expectativas foram frustradas quando começamos a perceber que aquele foi um dos séculos mais sangrentos da história humana (se não o mais). Talvez, e aqui uns podem concordar e outros discordar, o projeto da modernidade (que começou já com o Iluminismo) tenha fragmentado o Homem. Talvez ainda hoje estejamos profundamente fragmentados enquanto seres humanos. Estamos em uma mudança de época e em uma época de mudanças. Não continua o homem fragmentado ainda hoje? O atentado de 11 de setembro aconteceu no ano de 2001, no início do século XXI. O curta sugere claramente que o “acidente com o avião foi causado por um piloto que não tinha cabeça). Será que vamos viver o nosso século se esbarrando nas ruas de nossa existência? Hoje o que nos fragmenta? Como podemos, pois, sermos inteiros? Talvez o próprio vídeo traga alguma dica. Ainda que fragmentado, o homem ainda é capaz de amar. O nosso personagem principal, apaixonado precisou perder também a sua cabeça, pois a sua amada teve medo dele (teria algum dia ela tocado em alguém que pudesse ter uma cabeça?). Acho que aqui está um grande questionamento para nós. Estamos com ou sem cabeça? Alguém com coração mas sem cabeça não suporta aquele que tem o coração mas também a cabeça. Hoje, será que não estamos correndo também o perigo de perdermos não apenas a cabeça, mas também o coração? Enfim, é um ótimo vídeo para nos fazer pensar um pouco sobre nós mesmos e sobre o mundo que está a nossa volta.

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