
Seis familiares se reúnem para o jantar, em volta da mesa. Embora próximos, não falam – conversam apenas por telefone celular ou pelo computador. A avó, no entanto, simula que está indisposta para forçar o contato entre os parentes.
Como em Flatworld, Daniel Greaves responsabiliza a tecnologia pela distância cada vez maior entre os homens, pelo esfriamento das relações pessoais. Em Speechless, paradoxalmente, a culpa da falta de comunicação dentro da família recai sobre celulares e computadores – que ao invés de facilitá-la, somente a formaliza e mecaniza.
Quando reinam a máquina e a impessoalidade, Greaves filma em preto e branco e apenas com o som dos toques de celulares e das teclas de computadores. A tela do cinema se divide em vários quadros estanques, um para cada parente, a fim de mostrar o isolamento e o abismo emotivo em que vivem (Don Hertzfeldt usa recurso semelhante em Everything Will Be OK e I Am So Proud of You).
Mas, na medida em que a avó redime a família, as cores e os diálogos voltam. Daniel Greaves, enfim, enquadra todos no mesmo plano.
Speechless, de Daniel Greaves, 2010.

Veja a cobertura completa do Anima Mundi 2010.