
O rei do Tibet aposta com o primo, que envia a própria irmã a fim de provar o contrário, que ninguém fará seu jovem cavalariço mentir.
Episódio da série Dragons et Princesses que Michel Ocelot produziu para a TV francesa Canal+, Le Garçon qui Ne Mentait Jamais se baseia em narrativa tibetana, que reforça o trabalho do cineasta de Kirikou e a Feiticeira e As Aventuras de Azur e Asmar com lendas, mitos e contos-de-fadas internacionais. Ao levá-lo para o teatro e ao encená-lo dentro do filme, Ocelot destaca o valor de representação do conto: embora todos concordem com a excelência da história, a menina se recusa, no início, a interpretar a princesa, que considera má e vil.
Como em Príncipes e Princesas, Michel Ocelot usa a animação em computador 2D e 3D para recriar a técnica de silhueta (herdeira do teatro de sombra chinês), que Lotte Reiniger consagrou no longa-metragem As Aventuras do Príncipe Achmed, de 1926. Assim, em Le Garçon qui Ne Mentait Jamais, vemos apenas as silhuetas negras dos personagens, recortadas contra os cenários multicoloridos. – sempre em 3/4 de ponto-de-vista, direto e frontal.
O rei vence e aposta, o cavalariço não mente – e a princesa se transforma, quando o compara aos outros homens e descobre o amor.
Le Garçon qui Ne Mentait Jamais, de Michel Ocelot, 2010.

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