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Terras


Por Paulo Ricardo de Almeida

Publicado em 26 de Janeiro de 2010

Terras, de Maya Da-Rin.

Na fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, em meio à Floresta Amazônica, as cidades de Tabatinga e de Letícia se confundem e se misturam. Apesar das leis e das autoridades policiais que os reprimem, os habitantes locais (populações indígenas e homens brancos) circulam quase que livremente pelos países.

Terras remete ao clássico A Grande Ilusão, de Jean Renoir: na fuga de Maréchal e de Boeldieu pelos campos cobertos pela neve, o gênio francês nos mostra que as fronteiras são invenções político-sociais, não-naturais, que nascem para separar os homens – entre nações, classes, clãs, famílias.

Maya Da-Rin se concentra no impacto subjetivo que viver na fronteira, entre o dentro e o fora, entre o pertencer e o não-pertencer a uma comunidade específica, tem sobre a identidade dos habitantes de Letícia e de Tabatinga. Brasileiros ou colombianos? Ou será Macuna? Falam português ou espanhol? Os índios mantêm suas tradições ou se mesclam aos brancos?

De um lado, a natureza, a Amazônia, que não conhece divisões (Maya Da-Rin filma a terra e as árvores, em belos planos contemplativos, como se observassem a população). De outro, a cultura, que limita e determina a posição dos homens no espaço e no tempo: a diretora ressalta (talvez não com a devida ênfase) os processos de colonização portuguesa e espanhola da América, o massacre e aculturamento dos índios, o roubo e a divisão arbitrária das terras, bem como as recentes questões do narcotráfico – agricultores, expulsos pelas FARC, migram para Letícia e Tabatinga -, do meio-amebiente e do turismo.

Frente às mudanças econômicas, políticas e sociais, recentes ou ancestrais, que afetam a cultura, onde se situam os habitantes que se movem por Letícia e Tabatinga? Reafirmam as identidades quase perdidas ou constróem novos lugares de atuação no mundo?

Terras, de Maya Da-Rin, 2009.

Veja a cobertura completa da 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes.

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