
Guilherme de Brito entrou para a História à sombra de Nelson Cavaquinho – o parceiro esquecido. No entanto, não apenas compôs sambas geniais (sozinho ou em conjunto), como também foi poeta, cantor e artsita plástico. André Sampaio resgata a trajetória do personagem que nasceu e se criou em Vila Isabel, frequentou as rodas boêmias do bairro e os botequins da Praça Tiradentes, conheceu Noel Rosa ainda criança, quando desenhava com carvão nas calçadas, pintou quadros e construiu murais.
Para André Sampaio, as atividades múltiplas de Guilherme de Brito não são estanques: no filme, todas se interligam, conduzidas pelas músicas que o próprio compositor, já idoso, canta. Trata-se do retrato de um artista total, que necessita de diversas meios para expressar e extravasar seu talento e sua subjetividade.
Chama a atenção, apesar de todas as decepções e mágoas que teve na vida (o não reconhecimento, por exemplo), a enorme paixão de Guilherme de Brito pela arte, pelo sentimento que dela nasce e que se espalha no mundo. Como na belíssima sequência em que o homenageado, com outros músicos (como Silvio Caldas, já morto), canta e toca violão ao longo da rua.
Guilherme de Brito, de André Sampaio, 2009.

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