
Morro do Céu, pequena comunidade de imigrantes italianos em Cotiporã, Rio Grande do Sul, vive isolada, entre montanhas que se perdem no horizonte e rio que serpenteia pelo vale. Segundo o padre da Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes e São Paulo, Morro do Céu “está mais próxima de Deus”. No entanto, as questões que afligem o adolescente Bruno Storti e seus amigos são por demais mundanas.
Bruno Storti, seu irmão Joel e amigos estão às voltas com a ameaça da repetência escolar, e estudam para as provas finais. No meio tempo, os Storti trabalham na oficina mecânica do pai, reformando velho jipe off-road. Os jovens perambulam pela cidade, visitam os trilhos e o túnel abandonados da estrada de ferro. Bruno conversa com a mãe, e tenta, sem sucesso, namorar a menina de quem jamais vemos o rosto.
Gustavo Spolidoro (de Ainda Orangotangos) se limita a registrar acontecimentos banais do dia-a-dia de Bruno Storti. Morro do Céu nasceu como projeto para o DocTV, com 52 minutos, e ganhou nova metragem (71 minutos) para exibição em festivais). O sentido do filme se encontra no diálogo em que Bruno pergunta se os pais se sentiriam tristes, caso viajasse. Ele gostaria de conhecer a Itália, ou os EUA.
O que presenciamos, em Morro do Céu, são os últimos instantes de uma realidade que agoniza, de um mundo que se esvai.
Morro do Céu, de Gustavo Spolidoro, 2009.

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