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Poemas sem título


Por Pablo Araújo

Publicado em 7 de Dezembro de 2009

praia

1

Se quisermos ser nenhum, pior nenhum.
O salto. O limite. A inversão secreta da sombra
até os sonhos estão insuportáveis.
O nome dela significa até as covardias não
precisam ser mencionadas.
Guardar a arma no vestido, levá-la consigo, ninguém
nota o gesto escuso de tal trivialidade; a arma
é inofensiva, a mais eficaz.
Quando falta pouco para; pára. A escuridão inclina-se
sobre os.
A claridade concentra-se na dança do vestido
de um lado a outro, sucessivo, sucessivo.
Quem quer que seja; o corpo que vai embora.

Estamos refeitos e aqui estamos, novamente
esperando a próxima catástrofe. Ela irá
dispor do que é necessário a você levantar após as.
O retorno insidioso, aviso, alerta, atentamente
desavisado, imperceptível sem perceber, já chega,
chega, aqui,
aqui,
juntos. O roubo delicado das estações.
Realização e penumbra satisfeitas com
as covardias inadiáveis dos corpos. Mesmo.
O que é isto mesmo? Mesmo.


2

as coisas ainda estão por começar
mais um rosto levanta-se o soco do vento
arde no punho das armas o vórtice
ilumina face a face as coisas incontornáveis
estarão a vida inteira a retornar e não
farão outra coisa se não
lâminas agudas ao centro de si mesmo
e tudo perpassa veloz ao centro devorador
o vórtice gira, volta a girar e
dirige-se ao centro de luz novamente
aponta o coração das coisas a pergunta
feroz e evidente que se acende e se apaga
e oferece faces inteiras às respostas
que dizem nada e pouco
e retornam ao esquecimento devorador
de si mesmo
desperta dorme a luz feroz pergunta a pergunta
aponta distrações lâminas
um sorriso sem resposta firme pé ante pé
perpassa a próxima devastação
outro rosto levanta-se o soco do vento
arde no punho das armas
o acesso difícil a cada rosto
a morte que ainda está por começar

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Pablo Araujo, sem acento no ‘u’! – informa o poeta carioca-, vive no Rio de Janeiro e é da geração de 1981. Cursa medicina na Universidade Federal Fluminense (UFF) e é um dos editores da Revista Confraria.

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