
A palavra, a matemática, a criatividade e a pluralidade de pensamentos são as peças do OuLiPo + OpLePo + OBLiPo: o jogo da literatura, evento multidisciplinar do Ano da França no Brasil que começa amanhã (25/10) e vai até o dia 30 de outubro, no Rio. Serão celebradas a literatura e outras linguagens a partir das ideias e da participação de escritores e seguidores de um movimento que se descreve como uma Oficina de Literatura Potencial . A programação é gratuita e público terá acesso a leituras dramáticas; oficinas para jovens escritores; mesas-redondas entre escritores, jornalistas, poetas e dramaturgos; dramatização de textos; exposição de quadrinhos brasileiros; exibição de filmes, perfomances sonoro-visuais e poético-musicais.
Primeiro na França surgiu o OuLiPo – Ouvroir de Littérature Potentiel. Depois, na Itália, o OpLePo – Opificio di Letteratura Potenziale. Agora no Brasil, o OBLiPo - Oficina Brasileira de Literatura Potencial. Em outras áreas, grupos análogos de quadrinhos, história, marionetes, fotografia, cinema e arquitetura, por exemplo. O evento registra uma dupla data comemorativa: os 50 anos do OuLiPo e os 20 anos do OpLePo.

Em 1960, em Paris, o escritor Raymond Queneau e o matemático François Le Lionnais se uniram para criar o OuLiPo. A Oficina de Literatura Potencial propunha experimentações de estilo a partir de práticas de escrita que, através do humor e certas restrições matemáticas, exploravam as potencialidades da linguagem. O oulipismo se tornou um trabalho sob a forma de um jogo calculado no encadeamento dos sons de que nascem as possibilidades de significação de um texto. Os primeiros oulipianos apostavam no caráter coletivo da escrita e mensalmente, durante anos, reuniam-se para discutir o conjunto de seus experimentos e invenções, numa tentativa de revigorar as potencialidades da literatura. Ítalo Calvino também produziu obras seguindo as ideias do OuLiPo.
A professora da Universidade Federal do Rio de Janiero, Stefanella Boatto, que idealizou o evento no Brasil, conta que Calvino, que entrou formalmente no Oulipo em 1973, em Como escrevi um dos meus livros utiliza como instrumento de criação literária um polígono. “Cada elemento do romance (o leitor, o livro, a leitora, o romance, o autor, etc.) é associado a uma letra colocada nos vértices do polígono. As mútuas interseções entre os vários elementos são representadas pelos segmentos ligando os vértices desse polígono. Então, trocando a ordem das letras, se desenvolve uma diferente história”.
Stefanella, que também é italiana, orgulha-se de ter conseguido reunir na programação artistas como Andre Meyer, que usa poesia e simetria nas suas coreografias; Leonardo Fuks, fundador da Orquestra Cyclophonica, que junta música, acústica e mecânica; Alessandra Vannucci e Julio Adrião, que o público já conhece através da peça A descoberta das Américas.
Serviço:
OuLiPo + OpLePo + OBLiPo: o jogo da literatura
Data: 25 a 30/10
Programação completa
Conheça a história da Cyclophonica de Leo Fucks
